Estreia de Renato Gaúcho traz sinais de esperança ao Vasco
A atuação do Vasco da Gama na virada sobre o Palmeiras em São Januário mostrou algumas virtudes de Renato Gaúcho.

Eram cerca de trinta minutos do segundo tempo quando Cuiabano marcou o gol da virada vascaína diante do Palmeiras, no primeiro jogo de Renato Portaluppi como novo inquilino da casamata cruz-maltina. Estava construído o resultado sonhado para a estreia do novo comandante — pela primeira vez o Vasco conquistou três pontos no Brasileiro, resultado que lhe tirou da zona de rebaixamento do Brasileirão, esse habitat tão hostil com o qual os torcedores precisaram se acostumar a conviver nas últimas temporadas.
As boas notícias, no entanto, já haviam aparecido desde o começo do jogo. Mesmo quando o Palmeiras vencia, com um golaço de Flaco López. A verdade que ecoa pelos subúrbios cariocas é que o time vascaíno mostrou-se superior à equipe de Abel Ferreira durante a maior parte do embate. Já seria motivo de satisfação para qualquer time. Para quem precisava retomar o nível técnico e anímico para escapar da lanterna do campeonato, estreando técnico, se transforma em explícito sinal de esperança.
Evidente que é muito cedo para tentar apontar uma influência decisiva de Renato no desempenho do time. No entanto, também é importante salientar: se existe um técnico capaz de mobilizar um elenco de forma rápida, é o gaúcho nascido em Guaporé e autoproclamado Rei do Rio. Apesar do rótulo de “boleiro”, Renato é um técnico competente, que costuma ter sucesso em estruturar times ofensivos, com posse de bola e liberdade criativa. A piada com o DVD é uma massagem no próprio ego, mas sua capacidade vai muito além do folclore.
Para colocar um pouco de ordem na casa vascaína, neste primeiro momento Renato inclusive contrariou seus princípios: a escolha por três volantes serviu para manter sob controle a qualidade palmeirense, e numa etapa inicial do trabalho talvez essa seja a tendência, especialmente em determinados jogos. Mas o ímpeto ofensivo e a disposição para buscar o resultado já estavam lá, representados e encarnados pelo colombiano Andrés Gómez, fonte inesgotável de energia que funciona na base do curto-circuito para desestabilizar sistemas defensivos.
A vantagem palmeirense obtida no primeiro tempo obrigou Renato a abandonar um pouco o pudor, o que para ele nunca é um problema. O ingresso do intrépido Cuiabano mostrou-se fundamental para o domínio na metade final do jogo, e os gols da virada vascaína, primeiro com Thiago Mendes, promovido a capitão e de excelente partida, e depois com o próprio Cuiabano, mostraram características emblemáticas dos times de Renato: agredir a área adversária, com movimentação, tabelas, pivôs e tudo mais que a situação exigir — e o seu elenco permitir.
Antes do jogo, o time cruz-maltino era lanterna e precisava encarar o então líder do campeonato, adversário que não vencia há onze anos. Ou seja, como disse Renato na entrevista após o jogo, e com razão: “o Vasco não virou um jogo qualquer”. Não seria razoável sentenciar que a temporada, a partir de agora, será próspera para os vascaínos, mas a primeira impressão não poderia ser melhor. Na pior das hipóteses, o futuro deve ser menos incerto, o que nas circunstâncias atuais já parece um ótimo negócio.
Fonte: Globo Esporte