Do Vasco à Copa: Rayan relembra relação com Diniz e início da carreira

Cria da Barreira do Vasco, Rayan também comentou a ascensão na Premier League e ligação familiar com o Clube que o formou.

Diniz e Rayan no Morumbis
Diniz e Rayan no Morumbis (Foto: Matheus Lima/Vasco)

Convocado pela seleção brasileira para disputar sua primeira Copa do Mundo, Rayan vive um momento que, segundo ele, começou a ser desenhado ainda no primeiro contato com o técnico Fernando Diniz no Vasco. “Ele me disse: ‘Vou te colocar na seleção brasileira’. Depois daquilo, pensei: ‘É ele’”.

Em outra lembrança da relação com o treinador, o atacante reforça o impacto da convivência no Vasco. “Acho que Deus jogou o Diniz dentro do Vasco e, desde o primeiro dia que ele chegou lá, me pegou no colo e falou: ‘Tu vai ser meu’. A gente fica com um pé atrás no começo, mas depois foi passando, trabalhando, e as coisas foram acontecendo. Aí eu comecei a pensar que seria um jogador de seleção brasileira”.

A promessa acabou se concretizando. Hoje na seleção comandada por Carlo Ancelotti, Rayan é o atleta mais jovem do grupo. Ao ver seu nome anunciado, ele imediatamente ligou para Diniz para agradecer. “Ele é paizão, se deixar, ele me liga quase todo dia, ele é demais. É um cara muito especial e continua me ajudando bastante”, afirmou o atacante.

O jogador também destaca a transformação pessoal e profissional ao longo da passagem pelo Vasco. “Ele mudou minha vida, mas eu também dentro de campo, fiz meu trabalho. No Vasco, mudei minha mentalidade. Ele me ajudou bastante, mas eu também mudei essa chave muito rápido”.

Em entrevista ao UOL, Rayan detalhou ainda sua relação com o clube formador, a influência familiar e a rápida adaptação ao futebol europeu, além do casamento realizado pouco antes da mudança para a Inglaterra.

A chegada ao Bournemouth também pesou em sua convocação. O clube ficou quatro meses sem derrotas. Contratado por 28,5 milhões de euros (R$ 167 milhões), Rayan rapidamente se firmou: em 15 jogos, marcou cinco gols e deu duas assistências. Ele descreve as diferenças do futebol inglês com naturalidade.

– É um jogo muito físico. A zaga é muito grande, muito forte. Os ingleses adoram academia, pós-treino, pós-jogo, o pessoal está lá fazendo academia. E o jogo é muito rápido.

O primeiro gol pela seleção veio na reta final da preparação para a Copa, em amistoso contra o Panamá, no Maracanã, diante de mais de 70 mil pessoas. Na ocasião, o atacante marcou e ouviu das arquibancadas a música que virou sua marca: “Oi, boa noite, será que vai ter gol do Rayan hoje?”, confirmando o momento especial.

O hit, que acompanha o jogador desde os tempos de base, nasceu de uma promessa feita por MC Darlan, amigo do atacante. Com o tempo, a torcida do Vasco incorporou o funk nas arquibancadas, e a música acabou ganhando projeção nacional ao chegar também à seleção.

Fora de campo, a vida pessoal de Rayan também passou por mudanças recentes. Ele e a esposa estão juntos desde os 15 anos e compartilham uma história ligada à Barreira do Vasco, comunidade próxima a São Januário. A relação começou por conexões familiares entre os dois.

Antes da mudança para a Inglaterra, o casal decidiu oficializar a união. “Ela veio comigo”, resumiu o atacante, destacando que a esposa o acompanha na rotina no Bournemouth.

A ligação com o Vasco, no entanto, vem de muito antes. O pai de Rayan, Valkmar, foi zagueiro do clube entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, integrando o elenco campeão da Libertadores.

Criado na Barreira, comunidade vizinha a São Januário, o atacante iniciou sua trajetória em uma escolinha local antes de chegar ao Vasco. A entrada no clube teve influência direta de um olheiro que o viu jogar na rua. A partir daí, toda a família passou a se envolver ainda mais com o clube.

– Antes de eu entrar no Vasco, eu jogava na escolinha do meu tio, ali na praça da Barreira. Um cara que trabalhava no Vasco estava esperando num ponto de ônibus do lado da praça. Ele me viu jogando e falou com meu pai, para me levar para fazer um teste no Vasco. Meu pai me levou, passei no teste, e depois meu pai começou a trabalhar no Vasco também, porque ele já era muito conhecido lá dentro. Minha família é toda ali da Barreira. Todo mundo já era Vasco antes mesmo de trabalhar. Meu pai jogou lá, e minha mãe já era vascaína antes mesmo de conhecer ele.

Com a pausa para a disputa da Copa do Mundo, o Vasco só voltará a campo na semana do dia 22 de julho. Na data, o Time da Cruz de Malta terá o confronto de ida dos playoffs da Sul-Americana.

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