Defesa de Miranda crê que atleta foi vítima de contaminação por suplemento manipulado

Advogados do zagueiro Miranda, do Vasco da Gama, defendem que doping do atleta se deu por uma uma fatalidade.

Miranda em ação pelo Vasco
Miranda em ação pelo Vasco (Foto: Rafael Ribeiro)

Impedido de defender o Vasco da Gama após ser flagrado no exame de doping, em partida contra o Defesa y Justicia, pela Sul-Americana do ano passado, o zagueiro Miranda vem treinando com personal particular enquanto tenta provar sua inocência no caso. Os advogados do atleta finalizam a defesa que deve ser entregue a Conmebol na semana que vem. Embora não haja data para o julgamento, a previsão é que a decisão saia até o fim do ano.

Segundo os advogados, Miranda foi vítima de uma contaminação que teria ocorrido através de um suplemento que o jogador vinha usando. O medicamento foi indicado por um médico pessoal, mas não contém substâncias ilegais e recebeu o aval do departamento médico do Vasco. A substância identificada no organismo do zagueiro foi a canrenona, um diurético proibido pelos controles de doping.

Miranda pode ser suspenso por até dois anos, conforme pena base da Conmebol para esse tipo de substância, mas o advogado do jogador revelado em São Januário, André Ribeiro, afirmou ao GE que acredita na possibilidade de redução da punição ou até convertê-la em advertência, caso consiga provar que ele não teve intenção de se dopar e que a contaminação aconteceu na manipulação do produto em um laboratório do Rio de Janeiro.

– O Matheus (Miranda) é um atleta jovem, que nunca teve problema de peso, então não teria motivo para usar um diurético. Além disso, queremos mostrar, com dados de performance, que ele não teve nenhuma mudança drástica de desempenho que pudesse ser causada pela absolvição de substância. Queremos mostrar que foi uma fatalidade, diz Ribeiro, que completa.

– Acreditamos que possa ter uma redução da pena pelo histórico dele. É um atleta que sempre teve muito cuidado e foi acompanhado de perto pelos médicos do Vasco. Foi uma substância diurética e não um anabolizante. No período anterior à coleta, ele só ingeriu um suplemento indicado pelo médico pessoal, mas que obviamente não tem nenhuma substância proibida e foi aprovado pelo Vasco. Acreditamos na contaminação na farmácia de manipulação. Ele também ingeriu medicamento para a Covid-19 alguns dias antes.

Ainda existe a suspeita de Miranda ter ingerido a substância irregular por conta da Covid-19, que o zagueiro contraiu em novembro do ano passado, quando desfalcou o Vasco por três jogos, dias antes do jogo contra o Defensa y Justicia. Ribeiro, no entanto, descarta essa possibilidade, uma vez que que se trata de um remédio industrializado, a canrenona (substância encontrada na coleta de Miranda) costuma ficar no corpo por no máximo 24 horas.

– O Matheus (Miranda) vinha fazendo uso contínuo desse suplemento manipulado por 30 dias. Então provavelmente foi algo que ele ingeriu no dia do jogo.

Diante dessa cenário, Miranda segue suspenso desde o dia 16 de setembro, quando esteve em Maceió, com o elenco Cruzmaltino, para a partida contra o CRB, mas foi excluído dos relacionados e não entrou em campo.

A expectativa agora é para realização de uma nova audiência, com a participação de testemunhas, muito possivelmente por videoconferência. Em seguida o julgamento deverá ser marcado. Caso seja condenado, o jogador e sua defesa poderão recorrer da decisão na Corte Arbitral do Esporte, em Lausanne, na Suíça.

Miranda tem contrato com o Vasco até dezembro e, mesmo proibido de frequentar as dependências do Clube, tem o desenrolar da situação sendo monitorada pelo departamento jurídico do Gigante da Colina, que vem disponibilizando dados para encorpar a defesa da cria da colina. O Almirante pretende, inclusive, renovar com o defensor, mesmo em caso de condenação.

Mantendo a forma

Enquanto aguarda a definição do seu futuro, Miranda vem aprimorando o condicionamento físico com personal trainer Iuri Evangelista, ex-preparador da base do Vasco. Os dois trabalharam juntos no Vasco entre 2018 e 2019. O zagueiro vem treinando cinco dias por semana. Iuri afirmou que o objetivo dos treinos é deixar o zagueiro mais próximo do nível de jogador profissional e manter a rotina de atleta de alto rendimento.

– A ideia é deixá-lo na ponta dos cascos para quando ele puder voltar. Os treinos são feitos cinco dias por semana e são divididos em trabalhos de força, potência, resistência e prevenção de lesões. Estamos montando um trabalho para ele se manter em alto nível e não sentir tanta diferença quando voltar. Nesta semana começamos algo mais especifico, com bola. O trabalho em campo é muito importante. O plano é fazer tudo o que pudermos para aproximá-lo da rotina de jogador. A única diferença será o contato e os treinos com grupo.

O assunto doping, aliás, não é abordado durante as atividades físicas, o foco é apenas preservar a forma física da joia vascaína, para que ele volte bem aos gramados, garante o profissional.

O Miranda não fala sobre o que aconteceu. A ideia é sempre mantê-lo focado nos treinos. Ele é disciplinado, leva o trabalho a sério. Em nenhum momento se mostrou abatido. Vamos para cima. Essa é a ideia, disse Iuri, que emenda.

– Ele é um cara trabalhador. Sempre gostou de trabalhar, focado, disciplinado. As coisas acabam se tornando mais fáceis. Ele está sempre muito motivado. Chegou duas vezes mais cedo do que eu na academia. Não tem como dar errado. Estamos trabalhando bastante. Ele tem correspondido muito bem. Tem sido muito produtivo. Vai voltar muito bem, tem feito um trabalho personalizado. Como não sei o período que ele ficará fora, vamos construindo isso. Quando ele voltar, não estará muito atrás do grupo. Ele é um atleta forte fisicamente e mentalmente. E não ficou parado – avaliou o preparador de Miranda.

Aos 21 anos, Miranda é tido como um dos jogadores mais promissores da base vascaína nos últimos anos. O jogador já disputou 53 jogos com camisa do Time da Cruz de Malta, nesta temporada foram 23 partidas disputadas pelo Gigante.

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