Dedé faz revelação surpresa sobre Brasileiro de 2011: ‘Me sinto culpado’

Com Dedé, o Vasco da Gama foi vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 2011, perdendo o título para o Corinthians.

Dedé em partida do Vasco em 2011
Dedé em partida do Vasco em 2011 (Foto: Guilherme Pinto/Agência O Globo)

Adversários na segunda rodada do Brasileirão, Corinthians e Vasco protagonizaram uma disputa intensa pelo título nacional há 14 anos, em 2011. E que só teve desfecho na última rodada, quando o Timão terminou com uma vantagem de apenas dois pontos na tabela sobre o Cruzmaltino, que ficou com o vice.

Um dos personagens que participou diretamente desta disputa foi o zagueiro Dedé, hoje aposentado dos gramados. E passada mais de uma década, o ex-jogador falou tudo à ESPN sobre a campanha que teve o Vasco batendo na trave pela taça do Brasileiro.

Inclusive, o ex-atleta revelou que também sente uma parcela de “culpa” pelo título que não veio. E por um motivo que, até então, os vascaínos não tinham conhecimento.

Em 2011, além de brigar até o final pelo título da Série A, o Vasco foi campeão da Copa do Brasil e chegou até a semifinal da CONMEBOL Sul-Americana, caindo para a campeã Universidad de Chile.

À época, a Copa do Brasil era disputada ao longo do primeiro semestre, coincidindo com as primeiras rodadas do Brasileiro. E três dias após o título em cima do Coritiba, o Cruzmaltino tinha um duelo contra o Figueirense, em São Januário, pela quarta rodada, que Dedé pediu ao técnico Ricardo Gomes para não jogar, apesar de ter condições. E os cariocas empataram por 1 a 1, deixando escapar dois pontos em casa.

É claro que o Vasco deixou para trás outros pontos ao longo do campeonato, mas Dedé admitiu à ESPN que se sentiu “um pouco culpado” pelo pedido para ser poupado do duelo contra os catarinenses, que terminou em tropeço.

“Eu até me sinto um pouco culpado pelo vice-campeonato, os vascaínos não sabem disso (risos). Fomos campeões da (Copa do Brasil) e logo em seguida teve um jogo contra o Figueirense, e eu falei para o Ricardo (Gomes) ‘acabamos de ser campeões, a minha família está toda me esperando para fazer um churrasco, tem como me folgar nesse jogo?’. E eu tinha condições”, começou por dizer.

“Aí jogou o Fernandão (no meu lugar), sem culpa nenhuma no jogo, e o Anderson Martins. Fui para casa, assisti ao jogo com uns amigos, fazendo churrasco, e o Ricardo Gomes me mandou mensagem: ‘se perder, essa responsabilidade é sua, vai cair na sua conta’. Empatamos esse jogo e, no final, ficamos por dois pontos do Corinthians para sermos campeões. Isso aí ficou guardado na cabeça: ‘se a gente ganhasse esse jogo, iríamos chegar lá na frente do Corinthians’ (risos)”, prosseguiu.

“Lógico que tem as consequências dos jogos, igual a vitória do Corinthians contra o Atlético-MG, que o Adriano fez um gol, correu mancando e fez um golaço. Não era esperado, o Atlético-MG também estava precisando, estava embaixo na tabela. A gente não esperava aquilo ali. Não foi só o (jogo) do Figueirense, foi a minha desculpa para o Ricardo Gomes. Foram dois pontos para o Figueirense, mas também demos outras tropeçadas.”

‘Tenho certeza que o Vasco foi prejudicado demais’
Dedé também ficou na bronca com a arbitragem pelo título perdido. Sobretudo nos clássicos contra o Flamengo, que terminaram empatados e tiveram arbitragem de Péricles Bassols. E, para o ex-zagueiro do Vasco, a sua equipe foi prejudicada nos dois jogos.

“Eu não acho, eu tenho certeza que o Vasco foi prejudicado demais. O Bassols foi em um jogo em São Januário, eu fui assistir, ele passou um sufoco por causa dessas lembranças aí (risos), o torcedor não esqueceu. O que esse cara fez nesses dois jogos (contra o Flamengo). Teve um pênalti no Bernardo no primeiro jogo, o Léo Moura deu um carrinho, foi um absurdo”, disse.

“E no segundo jogo teve o lance do Diego Souza, ele ia chutar, e o Willians puxou a camisa dele de esticar. Se só puxa e derruba, pega no ombro, cai e derruba, ainda dá passar, mas a camisa esticar. E ele não deu (o pênalti). O Bernardo ainda tomou cartão amarelo, se você for ver foi carrinho na canela do Bernardo. Ali era lance para o juiz, se tivesse culhão, punir legal, no mínimo um amarelo, mas dava para chegar em um vermelho no Léo Moura. Não é choro, é nítido”, reclamou Dedé, que ainda lembrou de outras polêmicas de arbitragem naquele Brasileirão.

“Teve um jogo do Bahia, a mesma coisa, contra mim. Foi 0 a 0 o jogo, eu ia fazer o gol, o zagueiro do Bahia me puxou muito, de eu cair para trás e ainda tentar chutar a bola. E o juiz não deu, só saiu correndo e foi embora, que raiva que deu. Muita raiva. E teve outros jogos que nós ganhamos que o juiz nos prejudicou para caramba.”

“Provavelmente o Corinthians também teve momentos que poderia ter vencido. O Corinthians mereceu, estava com um timaço, mas a gente daria um pouco mais de carga no Corinthians de ficar mais tempo na liderança, isso dá uma confiança. A gente atropelava. Em 2011, o nosso time casca grossa, rapaziada já malandra do futebol, se já tivesse ali para administrar o campeonato, a gente ia conseguir administrar para sermos campeões.”

E trazendo para os dias atuais, já com a tecnologia do VAR, Dedé acredita que nem assim essas polêmicas de arbitragem de 2011 seriam evitadas. E que poderia ter sido até pior.

“O VAR é um erro mais nítido. Só estão fazendo c***. Eu fui expulso contra o Boca Juniors (pelo Cruzeiro, na Libertadores) porque eu estava no alto e o juiz queria que eu freasse no alto para não chocar com o goleiro. O VAR está pior, está desfavorecendo, o juiz está querendo assumir a responsabilidade, já não é bom, aí não quer chamar o VAR. Aí o VAR está certo ou o VAR não quer chamar. Aí está tudo errado. Só sei que o VAR está fazendo muita cagada aí, está difícil.”

Fonte: ESPN

1 comentário
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    Tem disso mesmo em toda profissão. Pedir uma folga pra ficar com a família é louvável, mas, pode ficar a impressão que se tivesse ligado poderia evitar o empate, mas o resto do time não foi competente pra fazer mais um gol.

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