Declarações, resultados e mais: os motivos da saída de Renato Gaúcho do Vasco

Incômodo de jogadores com entrevistas e divergências sobre trabalho contribuíram para o fim da passagem do treinador no Vasco da Gama.

Renato Gaúcho em Vasco x Athletico-PR
Renato Gaúcho em Vasco x Athletico-PR (Foto: André Durão)

A passagem de Renato Gaúcho pelo Vasco chegou ao fim antes mesmo da retomada do calendário de competições. O treinador deixou o comando da equipe em meio a um cenário de desgaste que envolvia não apenas resultados insatisfatórios, mas também problemas de relacionamento com jogadores e dirigentes.

Nos bastidores de São Januário, havia a percepção de que a permanência do técnico seria difícil a longo prazo. A avaliação interna de pessoas ligadas ao dia a dia do CT Moacyr Barbosa era de que Renato havia perdido parte do apoio do elenco. Entre os atletas mais próximos do treinador estavam Thiago Mendes e Hugo Moura.

O desgaste ganhou força após uma série de declarações públicas que não foram bem recebidas pelos jogadores. Um dos episódios aconteceu quando Renato comentou a fase ruim de Hinestroza. Na ocasião, o treinador afirmou que atletas da Colômbia e do Equador costumam enfrentar muitas dificuldades para se adaptar ao futebol brasileiro.

A declaração provocou desconforto entre os quatro colombianos do elenco, Marino, Andrés Gómez, Cuesta e Rojas. Além da repercussão internacional, a fala também desagradou outros integrantes do grupo, que mantêm boa relação com os atletas.

Além disso, jogadores demonstraram insatisfação com entrevistas nas quais Renato frequentemente cobrava reforços, alegava falta de opções no banco de reservas e destacava o início ruim do Vasco no Campeonato Brasileiro, quando a equipe somou apenas um ponto nas quatro primeiras rodadas antes de sua chegada.

Outro momento que repercutiu internamente ocorreu após a derrota por 1 a 0 para o Corinthians, fora de casa, em 26 de abril. Mesmo atuando com um jogador a mais durante todo o segundo tempo, o Vasco não conseguiu reagir. Depois da partida, Renato afastou de si a responsabilidade pelo resultado.

– O que eu poderia fazer eu fiz. Se você for ver com quantos atacantes nós terminamos o jogo… Entrar em campo eu também não posso, né? Eu fiz a minha parte, mas infelizmente a gente não conseguiu fazer o gol de empate.

A forma como o treinador lidava com situações de pressão também gerou críticas dentro do Clube. Um dos exemplos citados aconteceu na derrota por 3 a 0 para o Bragantino, em São Januário, no dia 24 de maio. Durante a partida, após ser alvo de xingamentos da torcida, Renato respondeu com um gesto em direção às arquibancadas, questionando: “Eu?”.

Após o apito final, o técnico voltou a ser hostilizado enquanto seguia para o vestiário e respondeu com um sinal de positivo. Ele chegou a colocar o cargo à disposição internamente. Temendo que Renato anunciasse uma saída durante a coletiva, o Vasco optou por enviar apenas o diretor Admar Lopes e o capitão Thiago Mendes para falar com a imprensa.

Além dos problemas de relacionamento, havia questionamentos sobre a metodologia de trabalho adotada pelo treinador. Desde os primeiros dias de Renato no Clube, jogadores e dirigentes perceberam diferenças significativas em relação ao trabalho desenvolvido anteriormente por Fernando Diniz.

Enquanto Diniz era reconhecido por treinamentos detalhados, com foco em posicionamento corporal e aspectos técnicos específicos, as atividades comandadas por Renato eram consideradas mais simples. O técnico priorizava conversas individuais com os atletas e realizava trabalhos mais genéricos com bola.

Internamente, Fernando Diniz era elogiado por proteger o elenco nos momentos de dificuldade e assumir responsabilidades durante períodos de turbulência. Já no caso de Renato, tanto jogadores quanto dirigentes entendiam que algumas declarações e atitudes acabavam expondo os atletas.

Apesar disso, a chegada de Renato Gaúcho inicialmente teve efeito positivo. O desgaste da relação entre elenco e Fernando Diniz era elevado, e o novo treinador conseguiu melhorar o clima nos primeiros momentos. No entanto, as derrotas e os episódios envolvendo declarações públicas acabaram minando essa relação.

Nos bastidores, a sensação de que o trabalho não teria longa duração já existia há alguns meses. Curiosamente, Renato demonstrou resistência para aceitar a proposta vascaína quando as negociações começaram. O treinador não estava totalmente convencido do projeto e acabou aceitando após insistência da diretoria.

O elenco ainda não retornou às atividades após a pausa do calendário. A reapresentação no CT Moacyr Barbosa está marcada para a próxima segunda-feira, dando início a um período de quatro semanas de preparação. A expectativa da diretoria é ter um novo treinador definido antes da retomada das competições.

O próximo compromisso do Vasco será no dia 22 de julho, diante do Independiente Medellín, fora de casa, pelo jogo de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana. Na sequência, no fim de semana dos dias 25 ou 26 de julho, a equipe enfrentará o Mirassol pelo Campeonato Brasileiro.

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