Conheça a história de Ademir Menezes, atacante lendário do Vasco
Maior artilheiro brasileiro em uma única Copa do Mundo, Ademir Menezes marcou 301 gols com a camisa do Vasco da Gama.

– Se o futebol me quisesse dar um presente, bastava que me desse um domingo inteirinho só de gols de Ademir Menezes. A frase de Armando Nogueira, publicada em um artigo no jornal O Globo na década de 1980, sintetiza a dimensão de Ademir Menezes para o futebol brasileiro.
Conhecido como Queixada, o atacante marcou época no Vasco, onde balançou as redes 301 vezes, e entrou para a história da Seleção Brasileira ao se tornar o maior artilheiro do país em uma única edição de Copa do Mundo, com nove gols no Mundial de 1950, marca jamais igualada por outro brasileiro.
Foi justamente em um 9 de julho que Ademir protagonizou uma de suas atuações mais memoráveis com a camisa da Seleção. Na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, o atacante marcou quatro gols na vitória por 7 a 1 sobre a Suécia, resultado que permanece como a maior goleada da história da equipe brasileira em Mundiais.
A partida disputada no Maracanã também reserva um feito especial para os vascaínos. Todos os sete gols do Brasil foram marcados por jogadores do Vasco. Além dos quatro de Ademir, Chico balançou as redes duas vezes, enquanto Maneca completou a goleada diante dos suecos.
Muito antes de se transformar em protagonista da Seleção, porém, Ademir já chamava a atenção pelo talento demonstrado no futebol pernambucano. Nascido em Recife, foi revelado pelo Sport em 1939 e permaneceu no clube durante três temporadas. Curiosamente, o início de sua trajetória em São Januário aconteceu justamente após uma atuação brilhante contra o próprio Vasco.
Em 1942, durante uma excursão do Sport ao Sudeste, o atacante foi decisivo na vitória pernambucana por 5 a 4 sobre os cruz-maltinos, no Rio de Janeiro. Ademir marcou três gols e ainda deu uma assistência, desempenho que impressionou tanto os dirigentes vascaínos que resultou em sua contratação logo depois. Assim começava a história de um dos maiores ídolos do clube.
Ao longo de duas passagens pelo Vasco, entre 1942 e 1945 e depois de 1948 a 1956, Ademir disputou 429 partidas e marcou 301 gols. Os números o transformaram em um dos principais nomes do lendário Expresso da Vitória, equipe considerada por muitos como a mais vitoriosa da história vascaína.
Nesse período, conquistou 15 títulos pelo Clube:
- Sul-Americano de Campeões (1948);
- Torneio Octogonal Rivadávia (1953);
- Campeonato Carioca (1945, 1949, 1950 e 1952);
- Torneio Municipal (1944 e 1945);
- Torneio Relâmpago (1944);
- Torneio Internacional do Rio (1953);
- Torneio de Santiago (1953);
- Torneio Início (1942, 1944 e 1945);
- Troféu da Paz (1942).
Com velocidade e capacidade de infiltração, Queixada revolucionou a maneira de atuar no ataque. Muitos historiadores atribuem a ele a criação da função de ponta de lança, característica que obrigou diversos adversários a modificarem seus esquemas táticos para tentar conter seu estilo de jogo.
O protagonismo também aparecia nos clássicos cariocas. Contra Botafogo, Flamengo e Fluminense, Ademir disputou 111 partidas e participou diretamente de 96 gols, com 68 tentos marcados e 28 assistências, além de um aproveitamento de 51%. Os dados foram levantados pelo portal “EstudeVasco”.
Para o próprio Ademir, entretanto, poucas experiências eram tão intensas quanto decidir um clássico entre Vasco e Flamengo. Em entrevista concedida ao Jornal dos Sports, em 12 de junho de 1976, o ex-atacante comparou a emoção de um Clássico dos Milhões à de uma decisão de Copa do Mundo.
Eu posso falar, pois já participei das duas (final de Copa do Mundo e final entre Vasco e Flamengo). Ninguém consegue dormir direito, pois todos estão pensando no jogo do dia seguinte. Os jogadores só conseguem controlar seus nervos após o início da partida. Aí sim, ele esquece de tudo, e só pensa em vencer. Com a bola rolando, acaba a tensão e o jogador só escuta os gritos das torcidas, que fazem uma partida extra, nas arquibancadas – afirmou Ademir.
– Abandonei o futebol antes que ele me abandonasse.
Foi dessa forma que o ídolo resumiu sua despedida dos gramados. Ademir encerrou a carreira em 1957, aos 34 anos, depois de retornar ao Sport, clube que o revelou e pelo qual nutria grande carinho desde a infância. Embora acreditasse que ainda poderia atuar por mais tempo, uma contusão no pé antecipou sua aposentadoria.
Sua última partida aconteceu em 10 de março de 1957, em um amistoso entre Sport e Bahia, na Ilha do Retiro.
Décadas depois, Armando Nogueira voltaria a traduzir em palavras a admiração despertada pelo atacante:
– Se eu soubesse que um dia o futebol dele ia se acabar, eu teria pedido a Deus que me emprestasse um par de olhos cruz-de-malta só para que eu pudesse ver, à luz do amor, todos os gols que Ademir fazia contra mim, escreveu Armando Nogueira.