Veja relatos de vascaínos que assistiram à virada contra o Operário-PR em 2022

Torcedores do Vasco contaram suas reações ao presenciar a virada do Clube diante do Operário-PR no Germano Kruger, em 2022.

Torcida comemora vitória do Vasco contra o Operário-PR
Torcida comemora vitória do Vasco contra o Operário-PR (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

O Vasco enfrenta o Operário-PR nesta quinta-feira pela Copa do Brasil, no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, local que ficou marcado na memória dos vascaínos por uma das viradas mais importantes do time nesta década. Na luta pelo acesso em 2022 na Série B, Alex Teixeira marcou dois gols em seis minutos e deu a vitória por 3 a 2 — decisiva no campeonato — ao clube de São Januário.

Em Ponta Grossa, o ge recolheu relatos de alguns torcedores do Vasco que acompanharam a partida no estádio. Teve vascaíno de intruso na torcida do Operário que teve que ficar em silêncio na comemoração, teve esposa que foi escondida do marido para o jogo e até bar que abriu de madrugada para receber a festa pós-jogo.

O contexto era importantíssimo para o Vasco. A partida valia pela 33ª rodada da Série B, e o clube carioca ocupava a quarta posição da tabela. No entanto, o time vinha de oito derrotas fora de casa. O duelo contra o 18º colocado era fundamental para o time encerrar o jejum de vitórias como visitante e para se manter no G-4.

— Fui de avião e, com uns amigos, alugamos um carro e fomos para Ponta Grossa com expectativa total de derrota. O Vasco não vencia ninguém fora de casa. E em uma reta final de Série B, isso faz diferença. Acho que se o Vasco perde esse jogo, não subiria — disse Eugênio Brito, torcedor que saiu do Rio de Janeiro para ver o jogo, que completou:

— Quando empatou, deu aquele alívio, um ponto de vantagem que seria importante contra o Sport. Só que o Alex Teixeira conseguiu virar o jogo. Foi uma maluquice, me pendurei no alambrado. Sabia que aquele sofrimento de Série B teria passado, e voltaríamos ao nosso lugar, de onde não deveríamos ter saído. Foi uma sensação única.

Diante do cenário decisivo, vários torcedores fizeram de tudo para vir ao jogo. Daniele Fernandes, torcedora carioca, saiu do Rio de Janeiro “fugindo” do então marido e foi para Ponta Grossa ver a partida entre Operário e Vasco.

— Eu resolvi sair do Rio de Janeiro para ir lá para Ponta Grossa para assistir a Operário e Vasco. Sabendo que o time já tinha perdido em São Januário para eles por 2 a 0, mas fui lá me arriscar, mesmo sabendo que o meu marido na época não queria que eu viajasse para ver time de futebol. Eu fui assim mesmo arriscando. A única coisa boa que eu tinha que era o casamento — riu Daniele, que não levou nem o telefone para tirar fotos, escondida do ex-marido.

Já Carlos não teve que fugir de ninguém. O jovem torcedor do Vasco é de Ponta Grossa e recebeu o convite de um amigo que havia ganhado ingressos para a partida… mas no setor do Operário. De intruso na torcida adversária, disfarçado de torcedor do time da casa, viu os dois gols de Alex Teixeira sem esboçar reação.

— Eu tive que ir na torcida geral do Operário, mesmo sendo vascaíno. Começou meio tenso, admito. Mas depois, quando começou a fazer gol, foi a melhor sensação do mundo. Só não podia comemorar. No primeiro gol, achei que o VAR ia anular. Sendo bem sincero, dei um sorrisão, mas o corpo ficou paradinho, quietinho. Todo mundo do meu lado xingando muito, e eu quietinho rindo por dentro — revelou Carlos, que verá o jogo desta quinta-feira no setor do Vasco.

O pós-jogo foi de festa em toda a cidade de Ponta Grossa para os vascaínos, e em alguns lugares não teve hora para acabar. Foi o caso do torcedor Roberto Júnior, mais conhecido como Juninho, ou como o influencer vascaíno “Machão da Gama”.

Do lado de fora do estádio, um torcedor reconheceu Juninho e prometeu que se o Vasco ganhasse, iria abrir o bar dele após a partida para os torcedores vascaínos comemorarem. O torcedor manteve o otimismo mesmo com a derrota parcial e cumpriu a promessa após a virada.

— Ele falou que se o Vasco vencesse o jogo, eu e meus amigos iríamos para o bar dele. Por coincidência, dentro do estádio ficamos um do lado do outro. Enquanto o Operário estava vencendo o jogo, esse cara o tempo todo do meu lado falava o Vasco ia vai virar. Deu 40, 42 minutos de jogo, e ele falando isso. Pensei que ele era maluco, como aquele time horrível ia virar? — disse Juninho, que completou:

— É até um pouco constrangedor de falar, mas na hora que o Vasco vira o jogo, eu comecei a chorar. Como se tivesse saído um prédio das minhas costas. Sensação de alívio, tudo misturado. Lembro depois que passou aquela adrenalina, eu fiquei pensando: “Nossa, chorei numa virada na série B, pelo amor de Deus” — brincou.

O dono do bar, obviamente, cumpriu a promessa e levou até os torcedores do Operário para o local.

— Veio a virada e fomos para o bar desse cara. Foi até mais uma galera também que torcia para o Operário. Eles estavam desolados, o time acabou caindo nessa temporada, mas ficamos até umas tantas da manhã. Foi uma resenha legal.

Agora, longe do sofrimento da Série B e com a esperança de ir longe na Copa do Brasil, alguns torcedores que estiveram na “Batalha de Ponta Grossa” em 2022 estarão novamente no Germano Kruger para apoiar o Vasco. É o caso de Allan, de Foz do Iguaçu, e Valdo, de Curitiba.

— Na hora do jogo, lembro que liguei pro meu irmão que estava em casa, vendo o jogo com delay. Ele atendeu, e eu estava comemorando a virada. Ele sem entender só começou a gritar pela ligação também até o gol aparecer na televisão — contou Allan.

— Eu e meus amigos estaremos lá de novo. Não estou muito animado, não. Eu acho que o resultado mais provável é o empate. Mas a vitória é muito bem-vinda, é claro. Estou um pouco pessimista com o que o Vasco vem mostrando nos últimos jogos. Vamos ver se com o Felipe melhora e fazemos uma grande partida.

Vasco e Operário se enfrentam nesta quinta-feira, às 16h (de Brasília), no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa. O jogo de volta será no dia 20 de maio, em São Januário.

Fonte: Globo Esporte

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