Confira o contexto e a íntegra da fala de Barbieri que revoltou os vascaínos

Técnico do Vasco da Gama, Barbieri despertou a fúria dos torcedores do Vasco da Gama na coletiva após a derrota para o Santos.

Barbieri em jogo contra o Bahia
Maurício Barbieri em jogo contra o Bahia (Foto: André Durão)

Um trecho de uma resposta do técnico Maurício Barbieri tem irritado torcedores do Vasco nas redes desde a noite de domingo, quando o cruz-maltino perdeu em casa para o Santos, pela quinta rodada do Brasileirão. Após o revés por 1 a 0, com gol de Deivid Washington, Barbieri foi perguntado sobre o tempo necessário para que ele entregasse um trabalho no Vasco de forma ideal. Em sua elaboração, ressaltou que o Santos nunca tinha sido rebaixado.

“Eu preciso ter o cuidado e conto com a colaboração de vocês para a gente entender que um resultado como esse também não quer dizer que não houve ganho nenhum até agora. A gente tem uma base de equipe e volto a dizer: hoje, se a gente olhar para o jogo, tirando o 1 a 0, o Vasco foi infinitamente superior ao Santos. Isso é resultado do trabalho. Não nos trouxe o resultado do jogo e em pontos que nós queríamos, mas para a gente sair de uma situação… e se eu não me engano o Santos nunca foi rebaixado, não é isso? É um time que está acostumado a jogar na elite há muito tempo. A gente conseguiu ser infinitamente superior a eles dentro de campo. Isso é resultado do que a gente já vem fazendo”, afirmou o técnico, em determinado momento da resposta.

Tanto na pergunta (feita pelo jornalista Lucas Pedrosa) quanto na resposta do treinador, foram citados os rebaixamentos pelos quais passou o cruz-maltino e o impacto que a disputa da Série B ao longo das duas últimas décadas impactam a reconstrução do clube. Na resposta, Barbieri lembra que a equipe disputava a segunda divisão meses atrás, antes da primeira janela de transferências sob grandes investimentos na SAF, comandada pela 777 Partners. O tema sensível das quedas e a comparação gerou a revolta.

Confira algumas reações nas redes:

PERGUNTA: A gente fala muito na cultura do futebol brasileiro sobre tempo, quanto tempo um treinador precisa para trabalhar, para poder construir o seu trabalho. Hoje você chega ao seu quinto mês como técnico do Vasco da Gama, num clube que a gente sabe que está passando por um processo de mudança, não só de jogadores mas também de diretoria. A nossa cultura é muito imediatista, principalmente de resultado, mas se a gente for recapitular esses últimos cinco meses, o Vasco começou muito bem no Campeonato Carioca, conquistou seu objetivo que era chegar à semifinal. Construindo, propondo, como foi prometido. Tem uma eliminação muito dolorosa para o ABC, o que é muito ruim, que já gera uma pressão para o Vasco e para o torcedor. A gente tem que entender o contexto do Vasco também.

Nos últimos 20 anos esse clube foi sucateado por todas as pessoas que passaram aqui. Todas não, mas muita vezes foi sucateado. Não à toa, essa receita de bolo do Vasco, que é um dos clubes que mais troca de clube no século, foi trocar de treinador. O Vasco tem quatro rebaixamentos e uma permanência na Série B trocando de treinador. Ao mesmo tempo, a gente sabe que o torcedor não tem paciência, e eu nem tenho coragem de pedir paciência ao torcedor do Vasco.

Mas de um entendimento de futebol e principalmente por todos aqueles grandes trabalhos, não só na Europa mas aqui no Brasil, de longo prazo de um treinador. Minha pergunta é quanto tempo o Barbieri entende que é necessário para que você entregue um produto que você possa falar ‘estou dando meu melhor, dei o meu melhor e esses são os resultados’?. Quanto tempo o Barbieri precisa para não precisar também ficar pedindo paciência para entregar um trabalho que a gente sabe que dentro do Brasileiro ainda não é satisfatório?

RESPOSTA DE BARBIERI: Eu já vou te adiantar, não tenho como te dar um prazo exato, daqui a tantos jogos, dias ou semanas. Eu acho que vai na linha do que você falou. Você fez um resgate que é importantíssimo. Nesses últimos anos, como o Vasco estava sucateado, os rebaixamento e tudo aquilo. Isso traz uma aflição muito grande pro torcedor porque no momento em que ele vê uma luz no fim do túnel, e essa é a verdade, porque o túnel era uma completa escuridão até pouco tempo atrás. A gente não pode esquecer que até alguns meses atrás o Vasco estava com dificuldades na Série B. Isso é importante. Eu posso fazer a analogia: para um paciente que está na UTI, não dá para esperar que ele vá pular da cama e sair correndo. Mas dá para esperar que ele vá se reerguer, fazer fisioterapia. A gente está nesse processo.

Eu sei que o torcedor não quer ouvir isso e eu também não gostaria de estar dizendo isso nesse momento. Eu preciso ter o cuidado e conto com a colaboração de vocês para a gente entender que um resultado como esse também não quer dizer que não houve ganho nenhum até agora. A gente tem uma base de equipe e volto a dizer: hoje, se a gente olhar para o jogo, tirando o 1 a 0, o Vasco foi infinitamente superior ao Santos. Isso é resultado do trabalho. Não nos trouxe o resultado do jogo e em pontos que nós queríamos, mas para a gente sair de uma situação… e se eu não me engano o Santos nunca foi rebaixado, não é isso? É um time que está acostumado a jogar na elite há muito tempo. A gente conseguiu ser infinitamente superior a eles dentro de campo. Isso é resultado do que a gente já vem fazendo. O que temos que fazer agora é transformar isso em resultado final de jogo, em pontos ganhos. A gente tem conseguido competir oscilando desempenho, eu reconheço isso, contra grandes equipes, como vinha falando anteriormente. Mas precisa traduzir cada vez mais em resultados.

A gente está nesse caminho, não consigo te dar um tempo. Posso te falar com a maior sinceridade do mundo que a gente segue trabalhando, segue lutando, fazendo tudo que está ao nosso alcance. Se tem uma coisa que eu não posso reprovar meus jogadores de jeito nenhum e não vou fazer é que eles competiram do primeiro ao último minuto. Deixaram tudo dentro de campo. O Figueiredo pediu para sair com cãibras, eles entregaram tudo que podiam, tentaram. A gente precisa ser mais eficientes? Concordo, sem dúvida nenhuma. A gente precisa ter mais competência para colocar as bolas para dentro, para terminar melhor, de repente escolher melhor um último passe? Estamos de acordo, eu e eles (jogadores) também, isso a gente tem que evoluir e crescer nesse sentido. Mas é um processo, muitas vezes é doloroso. Eu entendo a insatisfação do torcedor, faz parte, ele tem direito de se manifestar, como se manifestou. Cabe a nós trabalhar, fechar a boca e tentar entregar cada vez mais e melhor.

Fonte: Extra

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