Colunista analisa atuação do Vasco contra o Sport

O colunista André Rocha diz que o técnico Ricardo Sá Pinto conseguiu ajustar o time do Vasco da Gama em semana de treinos.

Ricardo Sá Pinto durante o jogo contra o Palmeiras
Ricardo Sá Pinto durante o jogo contra o Palmeiras (Foto: André Durão)

A classificação para as oitavas da Copa Sul-Americana com empate sem gols fora de casa contra o Caracas sinalizou para Sá Pinto uma possibilidade de equilibrar o Vasco taticamente, mesmo sem tempo para treinar.

O sistema com três zagueiros foi mantido e suportou bem, em São Januário, o Palmeiras que vinha atropelando os adversários com fluência e poder de fogo. Apesar da derrota por 1 a 0, a ideia foi consolidada como base para a tão esperada semana “cheia” para sessões de treinamentos do português.

Os 2 a 0 sobre o Sport na Ilha do Retiro comprovaram que o trabalho foi produtivo, apesar da costumeira turbulência política do clube, em mais um processo eleitoral que vai parar na Justiça – está, particularmente, bateu no STF.

Positivo não só pelo resultado, fundamental para encerrar sequência de nove partidas sem vitórias na competição, fugir do Z-4 e não permitir que o time pernambucano, um concorrente em potencial nas aspirações dentro do campeonato, se desgarrasse na tabela.

Mas principalmente pelo desempenho, nitidamente com mais coordenação entre os setores, mesmo com a retaguarda desfalcada de Miranda e Leandro Castán, diagnosticados com Covid.

O Vasco foi sólido no 5-4-1 sem bola, com Benitez e Talles Magno voltando pelos lados e se alinhando a Andrey e Léo Gil na segunda linha e protegendo a zaga com Werley é Marcelo Alves se juntando a Ricardo Graça.

À boa nova, porém, está nas laterais ou alas. Léo Matos e Neto Borges cumpriram bem defensivamente nos movimentos da linha de cinco, mas foram intensos e agressivos no ataque.

Aproveitando bem os corredores deixados por Benitez é Talles, que buscavam as diagonais para não deixar German Cano isolado entre os zagueiros. Com a bola, o sistema varia para um 3-4-3, ou 3-4-2-1.

Léo Matos foi mais efetivo nas infiltrações para finalizar. Já Neto Borges buscava mais o fundo, atacando os generosos espaços às costas cedidos por Patric, ofensivo lateral do Sport.

Mas foi Léo Gil que apareceu no setor para servir Cano, no gol do primeiro tempo que encerrou um jejum de dois meses do argentino. No segundo tempo, passe de Neto Borges e mais um do artilheiro confirmado pelo VAR.

Sá Pinto teve boa leitura ao notar que o Sport havia melhorado pela esquerda com a entrada de Marquinhos no 4-2-3-1 de Jair Ventura. Tirou Werley, lesionado, mas também Léo Matos e Benitez. Entraram Jadson, Vinicius e Yago Pikachu.

Assim controlou negando espaços a um oponente que sofre sempre que precisa ser criativo. O time de Jair Ventura teve 63% de posse, mas finalizou uma vez a menos que o Vasco: 13 contra 14, apenas três na direção da meta de Fernando Miguel.

Conhecendo melhor o elenco que ganhou corpo com contratações e tempo para trabalhar, o treinador português se situa, entende a realidade do Vasco dentro e fora do campo e pode construir uma campanha sem riscos na Série A. Deixando o sonho de um vôo mais alto para a Sul-americana.

Fonte: Blog do André Rocha

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