Chegada de Diniz mexe com ânimo e injeta confiança no elenco do Vasco

Contra o Fortaleza, o Vasco apresentou construções de jogadas e movimentações ofensivas, frutos do trabalho de Diniz.

Diniz festeja vitória sobre o Fortaleza
Diniz festeja vitória sobre o Fortaleza (Foto: Jorge Rodrigues/AGIF)

Fernando Diniz vai completar na segunda-feira uma semana de trabalho no Vasco. Nesse período, comandou três treinos – o dia seguinte ao jogo contra o Lanús não conta. E, como num passe de mágica, colocou para jogar futebol uma equipe dominada por desconfiança que vinha de nove jogos sem vitória. Difícil dizer, então, a última vez que essa equipe havia vencido convencendo.

Com as mesmas peças e a mesma formação tática (dois volantes no meio de campo, Philippe Coutinho atuando mais avançado, um ponta em cada lado do ataque…), o Vasco de Fernando Diniz dominou o Fortaleza em São Januário e apresentou uma porção de elementos que alimentam a esperança do torcedor por dias melhores. Se foi assim com uma semana acidentada de trabalho, imagine com o passar do tempo…

É evidente que a chegada do treinador mexeu com o ânimo e injetou uma dose cavalar de confiança nos jogadores. “A gente estava precisando dar uma chacoalhada”, reconheceu o volante Hugo Moura depois da vitória. Os treinos agitados e as orientações passadas na beira do campo como se sua vida dependesse disso provocam um choque muito bem-vindo ao time que só na última semana perdeu por 4 a 1 para o Puerto Cabello na Venezuela e sofreu uma virada com um jogador a mais em campo em Salvador.

Mas a vitória por 3 a 0 apresentou mais do que uma simples evolução anímica. Foi possível ver construções de jogadas e movimentações ofensivas que são a cara do trabalho do treinador. O Vasco finalizou oito vezes na direção do gol do Fortaleza, o seu melhor desempenho nesse sentido desde muito tempo.

O Vasco dominou o primeiro tempo em São Januário. Mesmo ainda assimilando as ideias do novo treinador, a equipe se impôs sobre o Fortaleza, em especial fisicamente, e poderia ter ido para o intervalo até com uma vantagem maior não fossem as conclusões precipitadas de algumas jogadas.

O time de Diniz fez valer a pressão nos primeiros minutos e abriu o placar com um golaço de Nuno Moreira. Até pouco tempo atrás, a opção do português ao receber a bola na esquerda provavelmente seria levantá-la na área. Mas ele aguardou a aproximação de Hugo Moura, tabelou e acertou uma chapa indefensável no cantinho de João Ricardo.

O Vasco foi para o intervalo com ligeira vantagem na posse de bola (54%) e o dobro de finalizações que o Fortaleza: oito contra quatro. Três delas na direção do gol adversário – Léo Jardim, por sua vez, não precisou fazer nenhuma defesa. O time cearense assustou em algumas transições e encontrou espaços que, para a sorte do Vasco, não foram aproveitados.

A “saidinha do Diniz”

Com a bola rolando no segundo tempo, o Vasco tentou o primeiro ataque, mas foi repelido pela defesa do Fortaleza num primeiro momento. A jogada voltou no goleiro Léo Jardim, que, mesmo pressionado, conseguiu sair jogando na direita com João Victor. O zagueiro acionou a velocidade de Paulo Henrique, que engatou a quinta marcha na lateral do campo e encontrou Vegetti livre para ampliar o placar.

Um gol com a cara de Fernando Diniz, como ele mesmo destacou depois da partida.

– Aproveitar o momento porque algumas pessoas, quando querem botar pra baixo, falam da saidinha do Diniz. Hoje foi mais um (gol à favor que saiu assim), vai contando. Começou com o Leo Jardim não rifando a bola. Pode fazer 40 gols, mas parece que esquecem. Porque o gol, quando passa na TV, é só a bola entrando – disse na coletiva.

O Vasco ainda procurou manter o ritmo nos minutos seguintes, mas logo em seguida sentou na vantagem e desacelerou o jogo. Foi o único momento da partida inteira em que o Fortaleza passou a ocupar mais o campo ofensivo e colocar Léo Jardim para trabalhar – o goleiro mostrou segurança em uma ou duas intervenções.

Quase que como uma resposta a quem apontou o dedo para o preparo físico do Vasco em partidas recentes, Diniz segurou as substituições e foi com o mesmo time quase até o fim. Aos 34, Nuno Moreira e Lucas Piton mostraram muita perna ao envolver o lado direito da defesa do Fortaleza em uma tabela. O lateral cruzou na medida para Vegetti marcar e assumir (ao lado de Arrascaeta, do Flamengo) a liderança do Brasileirão.

Fonte: Globo Esporte

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