Cartão para Andrés Gómez contra o Coritiba gera alerta no mercado de apostas

Andrés Gómez estava pendurado, recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Coritiba e não enfrentará o Botafogo.

Andrés Gómez em Remo x Vasco
Andrés Gómez em Remo x Vasco (Foto: Matheus Lima/Vasco)

A suspensão de Andrés Gómez para o clássico contra o Botafogo já estava definida antes mesmo da convocação do atacante pelo técnico da seleção colombiana. Pendurado com dois cartões amarelos, o jogador recebeu a terceira advertência na goleada do Vasco por 5 a 0 sobre o Coritiba.

Gómez recebeu o cartão ao tirar a camisa durante a comemoração do quarto gol do Gigante da Colina. Com isso, teria de cumprir suspensão automática no duelo marcado para 7 de outubro.

A convocação para a seleção da Colômbia, no entanto, tornou a situação ainda mais particular. Gómez foi chamado para os compromissos contra México, Paraguai e Peru, sendo que este último será disputado em Miami, nos Estados Unidos, na véspera do clássico carioca.

Dessa forma, independentemente do cartão recebido diante do Coritiba, o atacante não estaria à disposição do Vasco contra o Botafogo.

O cenário chamou a atenção no mercado de apostas esportivas. Usuários das redes sociais perceberam que algumas casas retiraram de suas plataformas a possibilidade de apostar no cartão amarelo de Andrés Gómez durante a partida contra o Coritiba.

A movimentação ocorreu justamente porque havia um contexto esportivo que tornava possível a advertência: o jogador estava pendurado e, caso recebesse o terceiro cartão, ficaria suspenso para o próximo compromisso do Vasco.

A situação, porém, não foi tratada pelas empresas como um caso de manipulação de resultados. Pessoas ligadas a casas de apostas e a empresas especializadas no monitoramento do mercado explicaram em matéria publicada pelo jornal Lance! que se tratava de uma medida de gestão de risco.

Um volume elevado de apostas em um determinado acontecimento com alta possibilidade de ocorrer pode representar um prejuízo significativo para as operadoras caso nenhuma medida seja tomada.

Entre as empresas citadas por usuários das redes sociais por terem retirado o mercado estavam Betano, patrocinadora do Brasileirão, e Bet365. A Betano afirmou que não comenta situações específicas e enviou o seguinte posicionamento:

– A Betano monitora continuamente seus mercados e pode suspender ou restringir mercados a qualquer momento como parte da sua gestão de risco. Somos membros da IBIA e cooperamos com entidades esportivas e autoridades. Não comentamos eventos, jogadores ou decisões específicas”.

A Bet365 não se manifestou.

Já a Betnacional passou por uma situação diferente. O algoritmo da empresa, que monitora movimentações como volumes de apostas fora do padrão, não identificou de imediato todo o contexto envolvendo o jogador vascaíno. Com isso, alguns apostadores conseguiram investir no cartão amarelo de Gómez quando a cotação estava em 3,60.

Em nota, a Betnacional explicou o que aconteceu:

– A odd de 3,60 estava matematicamente correta segundo o histórico do jogador, mas o algoritmo não captou imediatamente todo o contexto esportivo da situação. Os apostadores perceberam esse contexto antes que ele fosse refletido na precificação do mercado, o que gerou um aumento atípico no volume de apostas. Esse intervalo entre o momento em que os apostadores identificam uma possibilidade e o momento em que a casa ajusta a odd é justamente o que o mercado chama de oportunidade. A partir da identificação desse movimento, a Betnacional ajustou e suspendeu o mercado como parte de seu procedimento normal.

A movimentação, portanto, pode ser identificada pelas próprias ferramentas de monitoramento das operadoras. Um aumento significativo no número de apostas ou nos valores investidos em determinado mercado pode provocar um alerta e levar à análise da situação. As casas também mantêm equipes especializadas em gestão de risco e monitoramento, além de compartilharem informações entre si para reforçar a identificação de possíveis irregularidades.

Quando há suspeitas de manipulação, as operadoras podem comunicar o caso à IBIA (International Betting Integrity Association), no caso das empresas internacionais. A entidade, por sua vez, pode encaminhar as informações às autoridades competentes. As ocorrências também podem ser comunicadas internamente à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

No episódio envolvendo Andrés Gómez, contudo, o entendimento foi de que o risco estava relacionado ao contexto esportivo, e não a uma possível manipulação para obtenção de lucro com apostas. Por isso, o caso não avançou para uma comunicação à IBIA ou à SPA.

Ricardo Magri, especialista em desenvolvimento de negócios iGaming e diretor executivo da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), com passagem pela SportRadar, empresa que monitora competições e entidades esportivas como Fifa e Comitê Olímpico Internacional (COI), explicou como esse tipo de situação é considerado pelas operadoras:

– Geralmente este risco é refletido no cálculo da odd. Afeta, portanto, uma etapa anterior ao monitoramento. As equipes de “trading esportivo” dos operadores de apostas são preparadas para identificar esta probabilidade alta de ocorrência do evento específico e refletir esta probabilidade no valor calculado da cota. Permita-me comentar sobre um ponto de vista da pergunta: qualquer caso que desvie o curso natural da disputa em prol de um resultado desejado pode ser considerado manipulação, ou seja, a pergunta poderia ser “…de casos que não necessariamente estão relacionados ao crime de fraude visando lucro nas apostas…”. Neste caso, a manipulação parece ter tido outro tipo de motivação, mais voltada a uma estratégia de administração de uma punição esportiva.

Magri também detalhou a estrutura responsável pela definição das cotações e pelo acompanhamento dos mercados:

– O departamento operacional cuida de que oferta você vai colocar na tela do seu site para o público. Geralmente compram um cálculo de odd pronto, compram mais de um, para poder interpretar o valor que a SportRadar está dando, que a Genius está dando, e usam todos para produzir um próprio. Quem faz isso é o gestor de aposta esportiva, que vai dar o preço, definir uma promoção, abaixar a odd por uma estratégia específica. É assim que funciona teoricamente dentro de uma operação de apostas.

Nas redes sociais, usuários também relataram comportamentos diferentes entre as casas. Alguns comemoraram o fato de determinadas plataformas manterem o mercado de cartão de Gómez disponível até aquele momento. Outros afirmaram que as empresas nas quais possuíam cadastro retiraram a opção de apostar na advertência do colombiano assim que a convocação para a seleção foi divulgada.

O episódio também encontra precedente em situações semelhantes no futebol brasileiro. Em abril deste ano, Cacá, do Vitória, fez uma publicação após a vitória sobre o São Paulo com a frase: “Achou que eu ia levar cartão?”.

O zagueiro estava pendurado naquela partida e teria como próximo adversário o Corinthians, clube pelo qual estava emprestado ao time baiano. Para enfrentar a equipe paulista, ele precisaria que o Vitória pagasse uma multa.

No caso de Gómez, entretanto, o cartão não dependia apenas de uma questão de calendário. Mesmo com o contexto favorável para que cumprisse a suspensão em uma partida que já não disputaria por estar convocado, a advertência ainda precisava acontecer dentro das circunstâncias normais do jogo.

O Vasco volta a campo pelo Brasileiro contra o Botafogo em 7 de outubro, às 20h30, no Estádio Nilton Santos. Atualmente, o Time de São Januário soma 31 pontos e ocupa a 16ª posição na tabela.

1 comentário
  • Responder

    Essas bets querem dominar o esporte, e os maldosos vão na onda. A prática de forçar o terceiro cartão amarelo para pular partida, que é o caso, é antigo, novo é essa manipulação no esporte.

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