Carlos Leite revela bastidores políticos do Vasco, empréstimo ao Clube e venda de Paulinho
Empresário de jogadores, Carlos Leite comenta relação com o Vasco da Gama e revela detalhes dos bastidores do Clube.

O empresário Carlos Leite, que tem uma relação com o Vasco, concedeu uma entrevista exclusiva ao Globo Esporte. O agente de jogadores contou detalhes dos bastidores envolvendo suas negociações com o Clube.
Além disso, falou sobre problemas políticos que enfrentou no Gigante da Colina. Carlos Leite contou que quando Alexandre Campelo assumiu o Clube, os jogadores estavam com quatro meses de salários atrasados. Com isso, os atletas poderiam acionar a justiça e pedir a rescisão.
– Muitas vezes você tinha que fazer um socorro financeiro para o clube poder entrar em campo, porque não pagavam agência de viagens e os jogadores estavam com meses de salário atrasado. Quando o presidente [Alexandre Campelo] assumiu, o clube tinha quase quatro meses de atraso. Qualquer jogador poderia pedir a rescisão na Justiça – explicou Carlos Leite.
Todavia, na ocasião, o empresário negociava a venda de Paulinho ao futebol europeu. Com isso, sugeriu um empréstimo para que Campelo quitasse dois meses de salários. Assim, com o dinheiro da transferência do atacante, o Vasco repassaria parte do montante.
– Eu estava negociando a venda do Paulinho por 20 milhões de euros. Fui ao clube e disse que eles precisavam pagar, senão perderiam o atleta. Como eu nunca tirei um jogador de um clube na Justiça em 24 anos de carreira, chamei o presidente e propus: ‘Eu vou te emprestar dinheiro, você paga duas folhas de salário e, quando vender o jogador, você me repõe’. Assim foi feito, mas o que eu tive de dor de cabeça por causa disso depois foi um absurdo – disse o empresário.
Problemas na justiça
Com o empréstimo cedido ao Clube, o empresário precisou lidar com um problema judicial. De acordo com ele, as brigas políticas do Gigante da Colina o levaram à Delegacia de Defraudações. Com isso, Carlos precisou prestar depoimento e até abrir seus extratos bancários.
– Por causa de briga política no clube, inventaram um sem-número de coisas e eu fui parar na Delegacia de Defraudações. Estou com 55 anos e nunca tinha entrado em uma delegacia. Ninguém sabe disso, estou falando pela primeira vez. Tive que prestar depoimento e abri voluntariamente todos os meus extratos bancários para mostrar que nada daquilo era verdade – revelou o empresário.
Desejo de ser presidente do Vasco
Ainda na entrevista, o empresário revelou o desejo de assumir a presidência do Clube. No entanto, garantiu que essa ideia, que aconteceu em 2009, foi passageira. Carlos destacou que a função não combina com ele. Além disso, seria um conflito de interesses.
– Se eu falar que não, vou mentir para você. Eu tive um pequeno momento ali com o Roberto Dinamite, em 2009, onde comentei isso com ele. Eu me envolvi bastante com o clube e acabei tendo esse pequeno devaneio, mas graças a Deus foi passageiro. Passou porque eu estou do outro lado do balcão, então não dá para misturar. Acho que não combina comigo – contou Carlos Leite ao Globo Esporte.