Insucessos e demissões: por onde andam os ex-técnicos portugueses do Vasco
Passagens frustradas de treinadores portugueses pelo Vasco da Gama aumentam desafios de Pedro Emanuel para a sequência da temporada.

A chegada de um técnico português ao Vasco pode parecer uma combinação natural, considerando a ligação histórica do clube com Portugal. No entanto, a trajetória dos treinadores lusos em São Januário está longe de ser positiva.
Antes de Pedro Emanuel assumir o comando da equipe, Ricardo Sá Pinto e Álvaro Pacheco tiveram passagens curtas e sem sucesso pelo Cruzmaltino. Agora, o novo comandante tenta quebrar esse retrospecto negativo e construir uma história diferente no clube.
Enquanto Pedro Emanuel inicia sua caminhada, seus antecessores seguem percursos distintos no futebol internacional. Ricardo Sá Pinto, que comandou o Vasco em 2020, acumulava uma extensa experiência por clubes da Europa antes de desembarcar no Rio de Janeiro.
Apesar da bagagem, permaneceu menos de dois meses no cargo, conquistando apenas três vitórias em 15 partidas e deixando a equipe sem conseguir evitar a luta contra o rebaixamento.
Após deixar São Januário, o treinador português ampliou ainda mais sua carreira itinerante. Trabalhou em países como Turquia, Irã, Chipre e Marrocos, conquistando três títulos nesse período.
Em algumas dessas passagens, porém, voltou a enfrentar dificuldades financeiras. No Esteghlal, do Irã, chegou a denunciar atrasos salariais e problemas administrativos em uma carta aberta aos torcedores.
– Enfrentei desafios que não podem mais ser ignorados – desrespeito por parte de alguns adversários, um sofrimento de oito meses sem compensação e decisões questionáveis de árbitros, oficiais e Comité Disciplinar (…) Lamentavelmente, esta situação tem exigido intervenção judicial, passo que nunca quis dar.
Atualmente, Sá Pinto comanda o Pafos FC, do Chipre, equipe que conta com o zagueiro brasileiro David Luiz no elenco. O clube disputa vaga na Liga Europa e iniciou o confronto classificatório em desvantagem após derrota para o Hajduk Split, da Croácia.
Durante sua passagem pelo Vasco, o treinador também conviveu com dificuldades internas. Além dos atrasos salariais e das limitações estruturais do centro de treinamento, relatos posteriores apontaram atritos com lideranças do elenco, como Leandro Castán e Fellipe Bastos.
– Milagres, eu não faço. Tanto é, que o ‘seu’ Luxemburgo, que é uma pessoa super competente e com currículo enorme, não conseguiu fazer melhor. O problema de fato não era o treinador.
Clubes comandados por Ricardo Sá Pinto após deixar o Vasco:
- Gaziantep (Turquia) – 2022
- Esteghlal (Irã) – 2022-2023
- Moreirense (Portugal) – 2023
- Apoel (Chipre) – 2023-2024
- Raja Casablanca (Marrocos) – 2024
- Esteghlal (Irã) – 2025-2026
- Pafos FC (Chipre) – 2026
Álvaro Pacheco também enfrentou dificuldades
Contratado em 2024 ainda durante a gestão da 777 Partners, Álvaro Pacheco teve uma passagem ainda mais breve pelo Vasco. Permaneceu apenas um mês no comando da equipe e dirigiu o time em quatro partidas antes de ser demitido pela administração de Pedrinho, logo após a derrota por 6 a 1 para o Flamengo.
Conhecido pelo apelido de “Boina”, devido ao acessório que costuma usar, o português retornou à Europa antes de assumir o Al Orobah, da Arábia Saudita. No entanto, a experiência também terminou de forma conturbada. Após cerca de sete meses, deixou o clube alegando falta de pagamentos e promessas não cumpridas.
Depois de um período de aproximadamente um ano sem clube, Pacheco acertou com o Casa Pia em janeiro de 2026. A equipe terminou o Campeonato Português na 16ª colocação, e a saída do treinador foi oficializada em comum acordo ao fim da temporada. Desde então, ele segue livre no mercado.
Ligação portuguesa começou há oito décadas
A presença de técnicos portugueses no Vasco começou muito antes das passagens recentes. Em 1946, Ernesto dos Santos tornou-se o primeiro lusitano a comandar o clube após ser contratado por meio de um anúncio publicado em jornal. Assim como os compatriotas que vieram décadas depois, sua permanência também foi curta, limitada a três meses.
Ao longo dos anos, poucos portugueses vestiram a camisa cruz-maltina. Um dos exemplos foi o meia Dominguez, que teve passagem discreta em 2006. Atualmente, o atacante Nuno Moreira representa Portugal no elenco vascaíno e vive momento de destaque, com 13 gols marcados em um ano e meio pelo clube.
Pedro Emanuel tenta mudar o roteiro
Cabe agora a Pedro Emanuel escrever um capítulo diferente dessa história. Contratado com vínculo até o fim de 2027, o treinador português completou duas semanas no comando da equipe. Até aqui, soma uma derrota para o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro, e um empate diante do Independiente Medellín, pelos playoffs da Copa Sul-Americana.
Neste sábado (25), o técnico fará sua estreia em São Januário diante do Mirassol, às 20h30, em mais uma oportunidade para iniciar a construção de uma trajetória que possa romper o histórico desfavorável dos treinadores portugueses no Vasco.