Agência investiga SAF do Vasco e proíbe relações com Palmeiras e Crefisa
Agência de Fair Play Financeiro (Anresf) abriu procedimento para apurar possível conflito de propriedade na venda da SAF a Marcos Lamacchia.

A Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) abriu um procedimento formal para investigar um possível conflito de propriedade envolvendo a venda da SAF do Vasco ao grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia. A análise considera a relação familiar do investidor com Leila Pereira, presidente do Palmeiras e esposa de José Lamacchia, pai de Marcos.
Enquanto o caso é avaliado, a agência determinou medidas cautelares que restringem as relações do Vasco com o Palmeiras e com a Crefipar, conglomerado financeiro presidido por Leila Pereira e que inclui a Crefisa. Com isso, o Cruzmaltino fica impedido, temporariamente, de realizar operações comerciais e financeiras com essas partes.
Na prática, Vasco e Palmeiras não poderão negociar jogadores, inclusive em transações sem custo, compartilhar estruturas, como centros de treinamento, trocar profissionais ou informações consideradas sensíveis. Também estão vedadas operações financeiras entre os clubes durante a vigência da análise.
A restrição alcança ainda a relação entre Vasco e Crefisa. A empresa emprestou R$ 80 milhões ao clube em 2025 e aparece como garantidora no acordo de investimento firmado entre o Gigante da Colina e o grupo de Lamacchia.
O procedimento foi instaurado na quarta-feira, após uma diligência conduzida pela unidade técnica da Anresf desde junho. A decisão partiu da Segunda Turma de Julgamento e levou em consideração documentos enviados pelo Vasco relacionados à proposta de investimento assinada com Marcos Lamacchia.
A investigação pretende verificar se a operação pode violar as regras de Fair Play Financeiro estabelecidas pela CBF. O regulamento impede que um mesmo grupo tenha controle ou influência relevante sobre mais de uma equipe.
O artigo 86 das normas da Anresf estabelece que “qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube”.
Marcos Lamacchia é filho de José Lamacchia, marido de Leila Pereira. A presidente do Palmeiras tem mandato à frente do clube paulista até o fim de 2027 e também comanda a Crefisa.
A proximidade entre os envolvidos já vinha sendo acompanhada pela agência. No último domingo, antes da partida entre Palmeiras e Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, Leila Pereira e Marcos Lamacchia estiveram juntos no gramado do Nubank Parque e posaram para fotos com as camisas dos dois clubes.
Em julho, o Flamengo também acionou a Anresf e enviou um ofício pedindo que a entidade analisasse a negociação e impedisse a venda da SAF vascaína ao empresário.
Até o momento, porém, a agência não tomou uma decisão sobre o mérito do caso. A Anresf ainda vai determinar se existe, de fato, conflito de propriedade ou influência em razão da relação familiar entre Lamacchia e a presidente do Palmeiras.
As medidas cautelares foram adotadas justamente antes dessa conclusão. O entendimento é de que possíveis interferências esportivas precisam ser evitadas enquanto o processo estiver em andamento, especialmente em situações que poderiam gerar consequências difíceis de reverter posteriormente.
Em julho, o advogado André Sica, representante de Marcos Lamacchia na negociação pela compra da SAF do Vasco, afirmou que já mantinha conversas com a Anresf e demonstrou confiança de que a operação poderia ser adaptada às exigências da entidade.
– O Vasco vem mantendo tratativas com a Anresf há muito tempo. A calma que eu posso te passar é a calma que eu passo para eles. A gente vai implementar qualquer tipo de solução proposta pela CBF. Tão simples quanto isso. O Marcos tem total condição de implementar qualquer uma das operações que podem ser sugeridas pela Anresf.
O Vasco foi comunicado sobre a abertura do procedimento na noite de quarta-feira (26). Palmeiras, Almirante Participações epr, esa investidora de Marcos Lamacchia, e Crefipar também foram notificados. Embora não façam parte formalmente do processo, os envolvidos poderão apresentar manifestações à Anresf, caso desejem.