Afinal, em que pé está a compra da SAF do Vasco por Lamacchia?
A proposta prevê R$ 500 milhões em investimentos no futebol nos primeiros cinco anos, R$ 120 milhões para o CT e R$ 30 milhões na base.

Ainda não há novo dono para a SAF do Vasco. A negociação com Marcos Lamacchia avançou nos últimos dias, mas continua sujeita ao processo competitivo aberto pela Justiça e a uma questão regulatória que entrou no caminho da operação.
O que já avançou
A Justiça do Rio publicou o edital que regulamenta a venda de 90% da SAF do Vasco e abriu espaço para eventuais propostas concorrentes. A oferta apresentada pela Almirante Participações, do Lamacchia, tornou-se a referência inicial do processo, e o empresário terá o direito de cobrir uma eventual proposta superior.
Na prática, isso significa que Lamacchia está na disputa pela SAF, mas ainda não pode ser tratado como dono do Vasco.
O que Lamacchia colocou na mesa
A proposta prevê R$ 500 milhões em investimentos no futebol nos primeiros cinco anos, além de R$ 120 milhões para o CT profissional e R$ 30 milhões para as categorias de base. O negócio também envolve compromissos relacionados à recuperação judicial e à estrutura financeira da SAF.
Os valores fazem parte da proposta apresentada pela Almirante Participações e estão entre os principais pontos que serão considerados no processo de venda.
O que ainda pode mudar
O processo não está fechado porque outros interessados ainda podem apresentar propostas. Caso surja uma oferta superior, Lamacchia terá a possibilidade de cobrir o valor, conforme as regras estabelecidas no edital.
Por isso, apesar de a proposta da Almirante Participações estar no centro da disputa, a definição do novo controlador da SAF ainda não aconteceu.
Novo obstáculo entrou no caminho
Outro ponto de atenção surgiu fora do processo de venda. A Anresf abriu investigação para analisar possíveis conflitos relacionados à operação e adotou medidas cautelares envolvendo relações comerciais entre o Vasco e empresas ligadas ao grupo de Lamacchia.
Isso não significa que a compra foi barrada. A investigação ainda está em andamento, mas acrescentou uma questão regulatória ao caminho até a conclusão do negócio.
Lamacchia viveu noite especial em São Januário
Enquanto a negociação avança nos bastidores, o empresário também passou a ter um contato mais próximo com o ambiente do clube. No sábado (29), Lamacchia esteve em São Januário para acompanhar a vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro e teve o primeiro contato direto com a atmosfera do estádio.
Acompanhado da esposa e de Mário Junqueira, sócio da Almirante Participações, ele conheceu as instalações do Complexo de São Januário antes da partida. Um dos pontos que mais chamou sua atenção foi o Colégio Vasco da Gama, onde ouviu detalhes sobre o projeto do clube envolvendo alunos e atletas.
Lamacchia também se mostrou impressionado com a atmosfera de São Januário e a proximidade das arquibancadas. Durante o tour, recebeu manifestações de carinho dos torcedores e ficou surpreso ao encontrar uma bandeira com uma foto sua ao lado do pai, José Roberto Lamacchia, acompanhada da mensagem “bem-vindo à Barreira do Vasco”.
Vestido com o novo terceiro uniforme do clube, o empresário circulou pelo gramado, acenou para os torcedores e acompanhou parte da partida ao lado do presidente Pedrinho. Depois da vitória, Lamacchia e Junqueira estiveram brevemente no vestiário para cumprimentar os jogadores e parabenizar o elenco pelo resultado. Não houve uma conversa formal entre os empresários e os atletas.
Então, em que pé está?
A situação é de avanço, mas ainda sem conclusão. Lamacchia tem uma proposta formal na disputa pela SAF, a Justiça já regulamentou o processo competitivo e o empresário ganhou o direito de cobrir uma eventual oferta superior.
Ao mesmo tempo, a possibilidade de concorrência e a investigação da Anresf mantêm o negócio em aberto. A presença cada vez mais próxima de Lamacchia em São Januário reforça a expectativa em torno da operação, mas ele ainda não comprou a SAF do Vasco.
O próximo passo será acompanhar o processo competitivo e as questões regulatórias que podem definir o caminho até a escolha do novo dono do futebol vascaíno.