Corinthians é punido e jogo contra o Vasco será sem público

O Corinthians foi condenado a um jogo com portões fechados, devido aos cantos de cunho homofóbico contra o São Paulo.

Torcedores do Corinthians entoaram gritos homofóbicos contra o São Paulo
Torcedores do Corinthians entoaram gritos homofóbicos contra o São Paulo (Foto: Bruno Cassucci)

Em julgamento realizado nesta quinta-feira no Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio de Janeiro, o Corinthians foi punido com um jogo de mando de campo com portões fechados. A punição já havia sido determinada na 3ª Comissão Disciplinar, mas os corintianos conseguiram efeito suspensivo.

Agora, a punição, que se deve pelos cânticos homofóbicos entoados por torcedores do Corinthians no clássico contra o São Paulo, em jogo realizado em maio, é para valer.

O próximo jogo do Corinthians em casa no Brasileirão é contra o Grêmio, na 15ª rodada. Mas a partida, anteriormente marcada para 15 de julho, foi adiada. Ainda não há data para esta partida. Portanto, o Corinthians vai cumprir a pena no jogo seguinte na Neo Química Arena contra o Vasco, na 18ª rodada, no dia 30 de julho.

O relator do caso foi o auditor Maurício Neves Fonseca, que pediu a manutenção da punição do último mês. Na 3ª Comissão Disciplinar, os auditores decidiram por um jogo sem torcida que seria cumprido contra o Red Bull Bragantino, mas o clube recorreu e conseguiu efeito suspensivo. O que lhe permitiu receber cerca de 42 mil torcedores no jogo seguinte (em derrota por 1 a 0).

Para a Procuradoria, representada por Rafael Bozzano, os “fatos são incontroversos” pela punição com perda de um mando de campo e ele também defendia multa.

– O clube não identificou nenhum torcedor num estádio moderno com todas as possibilidades para dizer “olha, vai ficar 720 dias sem entrar na praça desportiva”. De nada adianta fazer publicidade e marketing contra homofobia no telão para 45 mil pessoas se as pessoas não respeitam – disse Bozzano, reforçando.

O advogado do Corinthians, Daniel Bialski, pediu a absolvição do clube e disse que não há dolo no cântico homofóbico dos corintianos contra os são-paulinos. Segundo ele, ainda é parte de uma cultura de 30 anos do futebol brasileiro.

– Todos repudiam qualquer tipo de discrimação, preconceito, intolerância, discurso de ódio, mas tem que se analisar o elemento subjetivo. A sociedade mudou, mas isso não quer dizer que se trata de homofobia. Essa provocação que existe, existe também do São Paulo contra o Corinthians, do Flamengo contra o Fluminense.

– Não necessariamente existe dolo a se dizer “isso é homofóbico, de extrema gravidade”. Não é de extrema gravidade. Não tem dolo. É canto para provocar time e incentivar o outro time. Muito diferente de caso de racismo, como aconteceu com o Vini Jr lá fora. Ali houve dolo, chamando o jogador de macaco – defendeu o advogado corintiano.

Um dos auditores, Paulo Sérgio Feuz defendeu a punição em três partidas sem as torcidas organizadas do Corinthians. Por identificar que os cânticos homofóbicos partiram deste setor das arquibancadas. Mas foi vencido pelos demais auditores. Otacílio Araújo, outro auditor, disse que os tempos mudaram e que o julgamento deve acompanhar a evolução da sociedade.

– Temos que sair desse julgamento raiz para o nutella, por assim dizer – disse o auditor, concordando com a punição em uma partida sem torcida para os corintianos.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, disse que a punição precisa ser acompanhada em outros julgamentos.

– Frequentei arquibancada em estádios antigos. Antes, nós tínhamos cultura distinta, mas a vida agora é diferente, o respeito é diferente. Existe hoje patamar de respeito mútuo muito maior, do que podia ser considerado de pequena ofensa, uma piada. Por isso o tribunal tem mudado seu patamar. A legislação também mudou. Estão todos totalmente atentos a isso – disse o presidente do STJD, José Perdiz.

A punição imposta foi baseada no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que proíbe “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

No clássico contra o São Paulo, por causa dos cantos, o árbitro Bruno Arleu de Araújo chegou a paralisar a partida aos 17 minutos do segundo tempo e retomou cerca de quatro minutos depois, além de ter relatado na súmula. Os telões da arena também exibiram mensagem alertando os torcedores.

A decisão do STJD por retirar torcida por cantos homofóbicos foi considerada a primeira punição deste tipo desde a implementação do novo Regulamento Geral das Competições da CBF, que neste ano tornou mais severas as punições para casos desta natureza.

Fonte: Globo Esporte

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