Vasco e Botafogo se reencontram em momentos distintos fora e dentro de campo
Enquanto Textor enfrenta questionamentos no Botafogo, o Vasco avança por novo investidor; clássico opõe modelos distintos de SAF.

Na semana em que John Textor, dono do Botafogo, citou novamente o Vasco ao falar sobre a SAF, as equipes farão duelo importante válido pela 10ª rodada do Brasileirão. Os rivais vão a campo neste sábado (4), em São Januário, às 21h (de Brasília), para encontro em meio a momentos diferentes fora e dentro das quatro linhas.
A citação de Textor ao clube rival, porém, não foi a primeira. Em julho de 2024, o empresário já havia criticado a decisão da diretoria vascaína de recorrer à Justiça para retomar o controle da SAF, alegando que o movimento poderia criar precedentes negativos. Na ocasião, Pedrinho rebateu publicamente.
– Com muito respeito ao Textor, ele mexeu em um campo que ele não tem conhecimento. Falou que a 777 não descumpriu nada, descumpriu diversas coisas – afirmou.
Após a repercussão, o norte-americano recuou, reconheceu desconhecer detalhes do caso e elogiou a postura do dirigente vascaíno na condução da crise.
– O presidente Pedrinho está 100% correto. Não conheço os fatos do desastre da 777 e tenho a certeza de que é uma grande luta lidar com a natureza imprevisível do drama em evolução da 777. Os meus comentários foram certamente teóricos e eu estava apenas tentando falar sobre o impacto que esta situação tem nas percepções globais. Aplaudo seus esforços para proteger seu clube e desejo ao Vasco apenas os melhores resultados (a menos que nos enfrentemos, é claro!) – escreveu, em sua conta no Instagram.
As trocas de farpas continuaram meses depois. Em setembro de 2024, durante coletiva no Estádio Nilton Santos, Textor voltou a citar o Vasco ao comentar uma reunião na CBF sobre fair play financeiro, da qual disse não ter sido convidado. O empresário demonstrou surpresa com a presença de Pedrinho no encontro e voltou a mencionar o antigo acordo com a 777.
– Eu recentemente conheci o Pedrinho, do Vasco. Eu tenho conhecimento do contrato de SAF que o Vasco fez com a 777, que tinha um valor de investimento muito mais alto do que o do Botafogo. Foi uma surpresa minha saber que o Pedrinho estava nessa reunião, que eu não fui convidado, discutindo temas como limite de investimento. Porém, se a 777 tivesse ainda hoje no Vasco, eles estariam investindo assim como o Botafogo – afirmou.
A resposta veio em tom institucional, com o Vasco questionando o interesse recorrente do dirigente nas questões internas do clube.
– John Textor, na sua insistência de falar o que não sabe, mentiu ao afirmar que eu estava presente na reunião da Comissão Nacional de Clubes. O Vasco foi representado pelo nosso CEO, Carlos Amodeo. Causou-me estranheza maior a afirmação de que tem “conhecimento do contrato da SAF que o Vasco fez com a 777”, uma vez que o contrato citado é regido por cláusulas de confidencialidade e o acesso aos termos é restrito. Recentemente, ao se desculpar em público, afirmou que “não conhecia os fatos do desastre da 777”, mas, agora, ao “conhecer” o contrato da VascoSAF, John Textor mostra que não entendeu uma única linha e que não sabe nada sobre o Vasco. Por que John Textor se preocupa tanto com a VascoSAF? Por que tenta desqualificar o Vasco em uma relação societária que não lhe interessa? As pessoas precisam entender, de uma vez por todas, que o Vasco de hoje tem representatividade, e não se calará jamais diante de qualquer insinuação infundada, e ninguém mais vai faltar com o respeito com a instituição que me ensinou o que é ser ético e não mentir – em nota oficial.
Agora, o cenário ganha novos contornos. Enquanto Textor enfrenta questionamentos e vê o Botafogo lidar com instabilidade fora de campo, o Vasco avança em negociações para a entrada de um novo investidor e tenta consolidar sua reconstrução. O clássico em São Januário, portanto, vai além dos três pontos: coloca frente a frente dois modelos de SAF que, apesar de recentes, já seguem caminhos bastante distintos.
Fonte: Lance!