Repórter desabafa após sofrer assédio em São Januário

A repórter cobria a festa da torcida do Vasco da Gama do lado de fora de São Januário, quando um torcedor tentou beijá-la.

Por meio de rede social, a repórter Bruna Dealtry, do Esporte Interativo, desabafou após sofrer assédio por parte de um torcedor, enquanto cobria a festa da torcida do Vasco da Gama do lado de fora de São Januário, na última terça-feira, antes da partida contra a Universidad de Chile.

Na nota em que divulgou, Bruna Dealtry se coloca como uma repórter que gosta que adora festa da torcida, e não se importa com problemas que geralmente acontecem em meio ao aglomerado de torcedores, mas que aquela situação foi inaceitável, e a deixou sem ação diante as câmeras. Ela frisa o quanto se esforçou para chegar onde chegou, e se solidariza com as mulheres que sofrem o mesmo tipo de assédio nos estádios, ou em qualquer outro lugar.

Lembrando que o Vasco foi e sempre será uma instituição pioneira e referência quando o assunto é inclusão no futebol. Foi o Clube que abriu as portas para negros e pobres para o esporte, e assim se mantém em quase 120 anos de histórias. As mulheres se encaixam num grupo de torcida que cresce cada vez mais, e precisam ser respeitadas e tratadas como um patrimônio do Clube, assim como qualquer outro torcedor.

Confira o desabafo de Bruna Dealtry

Sempre fui uma repórter que adora uma festa de torcida. Não me importo com banho de cerveja, torcedor pulando, pisando no meu pé... sempre me deixo levar pela emoção e tento sentir o momento para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito!! Mas hoje, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada. 

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