René Simões impressiona ao relatar realidade que encarou no Vasco em 2013

O ex-dirigente do Vasco da Gama, René Simões, relembrou as dificuldades que encontrou em seu 6 meses em São Januário.

Na última segunda-feira (30) o programa Expediente Futebol, do canal Fox Sports, recebeu o ex-diretor de futebol do Vasco da Gama, René Simões. Em sua participação, o dirigente relembrou as dificuldades que encontrou em seu período em São Januário. Segundo ele, por causa dos problemas, não conseguiu deixar um ‘legado’ no Clube.

- O problema do Vasco está nessa desarmonia. A torcida não gosta de mim. Eu só consegui trabalhar 6 meses. Um dia eu entrei dentro de casa, minha esposa falou comigo, eu não falei com ela, subi as escadas, minha filha falou, e eu não falei com ela, entrei no banho e: “Ué, não falei com elas”. Liguei para o Roberto (Dinamite) e disse que não queria mais porque eu não fiz nada. Só enxuguei gelo. Tem lugares que eu digo que deixei alguma coisa, um legado, e no Vasco não deixei nada. Não consegui fazer nada. Não deixei absolutamente nada. Todo dia era enxugar gelo. Tentar arrumar dinheiro para pagar alguém, jogador descontente.

René Simões, na sequência, contou um episódio que o marcou na passagem pelo Vasco. O dirigente contou que, uma vez, um funcionário chegou em sua sala reclamando porque não aguentava mais as pessoas dizendo que tinha AIDS, sendo que estava magro por não ter dinheiro para compra comida. Ele disse ainda que os jogadores se organizavam para ajudar os funcionários e, essa situação, vendo pessoas passarem dificuldades no Clube, acabava abalando o psicológico dos atletas.

- Teve um funcionário do Vasco que na minha época entrou na minha sala chorando. Chorava muito, eu nunca contei isso a ninguém. Perguntei: “Rapaz, o que houve?”, e ele disse: “Não tenho AIDS. Não aguento mais o pessoal dizer que tenho AIDS, só não tenho dinheiro para comprar comida, professor!”. E aí entra um outro problema, que são os jogadores tendo que se cotizar para dar dinheiro aos funcionários. Isso machuca muito para os jogadores. Eles saber que a conta de água e a luz vai ser cortada, ou foi cortada, e o funcionário não tem. Tudo isso entra no psicológico do jogador, e quem manda é a mente das pessoas. Se você não estiver mentalmente forte, dentro de campo o resultado não vem.

Foi um período intenso para René Simões. Ele trabalhou no Vasco em 2013, fazendo parte da montagem do elenco que acabou rebaixado no Campeonato Brasileiro. O dirigente, que também trabalhou como técnico, acumula passagem por diversos outros clubes, além da Seleção Brasileira Feminina, e virou notícia na última semana após testar positivo para o novo Coronavírus.

Renê Simões contou as dificuldades que encarou no Vasco

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