Renato chega muito animado e aponta prioridade do Vasco na temporada
Apresentado de forma oficial pelo Vasco da Gama, Renato Gaúcho mostra animação para terceira passagem no Clube.

Renato Gaúcho foi anunciado como novo técnico do Vasco na tarde desta quarta-feira, no CT Moacyr Barbosa. O treinador comandou a equipe pela primeira vez em treino pela manhã. Em entrevista coletiva, comentou o retorno a São Januário após 18 anos e disse que a prioridade absoluta é o Campeonato Brasileiro.
– Traçar as metas: o Vasco tem três competições. O Brasileiro é prioridade. Tem Copa do Brasil e Sul-Americana. Vamos buscando. Onde o Vasco vai chegar, eu não sei. É difícil para todos, não será fácil para nós. Vamos tentar andar nas três competições, mas a prioridade sempre vai ser o Brasileiro.
Em mais de uma oportunidade, Renato Gaúcho afirmou que está com “muito tesão” para trabalhar no Vasco. O treinador foi perguntado sobre o retorno ao futebol após pedir demissão do Fluminense em 2025.
– Estou com muita vontade e tesão de trabalhar. Gosto do que faço. Se não, estaria na minha praia jogando futevôlei e tomando chope. Se estou aqui, é porque gosto do que faço.
Renato afirmou que não há multa rescisória no contrato, que vai até o fim de 2026. O treinador pediu o apoio da torcida e disse que cobrou entrega do elenco para que os resultados apareçam.
– O treinador vive de vitórias. Vive de resultados no Brasil. Lá fora muitas vezes os resultados não vêm, mas é mantido. Se não der resultado no Brasil, a primeira cabeça a rolar é no Brasil. Deus queira que eu permaneça até dezembro, que o clube queira renovar. Eu vim para trabalhar porque estou com tesão. Não tem multa no contrato. Enquanto eu puder entregar, eu continuo.
– No momento que clube e torcida acharem que não dá vou sair de cabeça erguida pela porta da frente, com tranquilidade e cabeça erguida. Por isso não coloco multa. Sempre venho para trabalhar. Vou procurar fazer de tudo para que o torcedor volte a apoiar 90 minutos. Essa cobrança com alguns jogadores, peço também que apoiem.
Retorno ao Vasco após 18 anos
Renato é o treinador com mais jogos pelo Vasco no século. Esta será a terceira passagem pelo clube. Ele dirigiu a equipe entre 2005 e 2006, período em que foi vice-campeão da Copa do Brasil, e retornou em 2008 para tentar evitar o rebaixamento, objetivo que não alcançou.
– Para mim é um prazer enorme estar voltando. Para o treinador é sempre um desafio independente da época. Desafio treinar uma equipe grande como o Vasco, com uma imensa torcida. Vocês veem hoje em dia que o grupo vem sendo criticado, mas é uma vida nova. Vamos fechar o livro, virar a página. Conversei com o Pedrinho, vamos pensar em novos rumos. O Vasco tem uma enorme torcida — disse Renato, que completou:
– O reflexo do torcedor é o reflexo do time em campo. A torcida sempre apoiou. Quando você vê uma vaia aqui para o torcedor não está saindo de acordo. Então a entrega é fundamental. Sempre falo para o jogador, se você correr, se entregar, não tem torcida no mundo que vai vaiar. A torcida não vai mais vaiar. Os jogadores que entrarem em campo, eles vão ser muito cobrados, pela entrega em campo. Se o torcedor está vendo o time se entregar, o torcedor vem junto.
Bronca com as redes sociais
O último trabalho de Renato Gaúcho foi no Fluminense, no ano passado. O treinador teve desempenho positivo no rival carioca, especialmente na Copa do Mundo de Clubes, mas, após a eliminação na Sul-Americana, deixou o cargo ao alegar desgaste diante de críticas. Em longa resposta, ele afirmou que o maior incômodo é com pessoas que provocam o treinador em entrevistas coletivas.
– Sou um cara independente. Graças a Deus venci na profissão como jogador e treinador. Trabalho porque gosto. Se estou voltando hoje, é porque eu gosto. Tem coisas que me incomodam? Sim. Não só a mim, mas a todos os treinadores. Sempre fui profissional com vocês (jornalistas). Absorvo as críticas positivas, mas hoje em dia qualquer um, todo treinador vem dar coletiva de cabeça quente. Aí vem um cara que quer seguidores, ele não está sendo profissional, mas provoca o treinador.
– Sempre admirei vocês, tenho paciência para caramba. Mas tem horas que vejo outro que não está sendo profissional. Tem treinadores que têm cacife para treinar. Outros ficam calados. Mas se abaixa muito a calça algo vai acontecer. É difícil para o treinador. Tudo que acontece no clube o culpado é o treinador. Chega na coletiva vem o cara com maldade. Uma hora ele vai explodir. Vocês estudaram e levam a profissão a sério. Não tenho nada contra o cara que estava perambulando até ontem e hoje está aqui perguntando, mas seja profissional.
A comissão técnica será composta por Marcelo Salles e Alexandre Mendes, antigos parceiros de trabalho. A estreia será contra o Palmeiras, no dia 12, pelo Campeonato Brasileiro.
Confiança da torcida e recuperação no Brasileiro: as prioridades de Renato
Ao ser perguntado sobre os problemas ofensivos do Vasco, Renato Gaúcho disse que outras equipes no futebol brasileiro também sofrem com a falta de eficiência no ataque. Questionado se vai mostrar o DVD dos tempos de jogador, o ex-atacante brincou e disse que é melhor não fazer isso.
— O futebol brasileiro carece de jogadores decisivos. Quando se tem um Palmeiras, um Flamengo, um Cruzeiro, clubes que a parte financeira é muito boa, eles têm condições de buscar jogadores acima da média. Se olhar em um total do futebol brasileiro, a maioria desses clubes necessitam desses jogadores na frente. Não é só o Vasco. Temos os jogadores daqui e vou trabalhar bastante eles. Futebol é bola na rede, e precisamos desses jogadores decisivos. É um problema do futebol brasileiro. Às vezes, até na seleção brasileira. Vamos botar para cima, ensinar e aperfeiçoar nos treinamentos — disse Renato.
— Vai mostrar o DVD para eles — um repórter perguntou:
— Aí não vai ter mais atacante para jogar. Eles vão se matar. É melhor não mostrar. A parte psicológica e mental eu trabalho muito bem. Já comecei hoje de manhã isso. A cobrança normal o treinador tem que fazer. Se ele errar, eu vou continuar dando força. Ele não pode se omitir. Por isso é fundamental o apoio do torcedor. É meu trabalho, mas é fundamental ter apoio para eles jogarem livre, leve e soltos — respondeu.
Sobre os problemas defensivos, Renato Gaúcho afirmou que quer ver um time mais equilibrado e que dê menos espaços. O treinador afirmou que esse será o principal desafio do início do trabalho, independentemente do esquema tático.
— Antes, precisamos nos armar para não tomar tantos gols. Vou começar a treinar o esquema no sábado, com o coletivo, para colocar as minhas ideias. Sexta vou mostrar em vídeo as coisas na teoria, depois mostro na prática. Coisas que eu vejo que acontecem de errado, vou tentar corrigir. Não dar tantas chances ao adversário e aproveitarmos as chances que tivermos.
— Vai ser 4-3-3, 4-4-2? Não importa. O esquema já está na minha cabeça de alguma forma. Não podemos ir ganhar o jogo de qualquer jeito e dar espaços para os adversários. Eu tenho visto espaços nos jogos do Vasco. Vamos treinar para que isso não aconteça mais.
Veja outros trechos da coletiva
Estreia em São Januário
— Passei a maneira que gosto de trabalhar. Vou exigir bastante entrega em campo. Vocês vão ver a maneira como vão se comportar domingo contra o Palmeiras. Falo do trabalho de hoje para frente. Confio no grupo, não conheço todos os jogadores, mas boa parte. No momento que colocarmos em prática o que eu e os auxiliares queremos, temos certeza que vai ser outro time. Conto que o torcedor vai continuar apoiando mais do que nunca porque vão ver a entrega dentro de campo.
Venda da SAF e a volta de Coutinho
— SAF não é problema meu. É problema do presidente, da diretoria. Nem sei se estão negociando. Meu contrato conversei com muitas pessoas. Muitas pessoas acham que sou brigado com Amodeu, mas muito pelo contrário. Tive uma discussão com ele no Grêmio, mas somos amigos. Esta semana conversei com ele, trabalhamos todos os dias.
— Sou muito admirador do Coutinho. Eu trouxe ele aqui (ao time profissional). Sou admirador. Não sei o que aconteceu, então não toquei no assunto com o presidente Pedrinho.
O que pode ser aproveitado de Fernando Diniz
— O meu trabalho começou hoje, é página virada, independente de coisas boas ou não do trabalho do Diniz, que é meu amigo, gosto muito dele. Cada treinador tem seu método de trabalho, ele tem o dele, eu tenho o meu, respeito ao trabalho dele, mas a partir de hoje é o meu trabalho. É lógico que eu não vou começar aqui do zero, coisas boas a gente sempre procura reaproveitar. Mas essas coisas são um papo meu com o grupo e acrescentar, juntamente com a minha comissão técnica, o que a gente tem de bom para buscar sair da lanterna do Campeonato Brasileiro.
A negociação com Pedrinho foi difícil?
— Ele (Pedrinho) é osso duro (risos). E quem trabalha com ele também. A gente conversou, trocou ideia durante a semana toda. Falei com todo mundo no Vasco. O mais importante é que chegar a um denominador comum bom para mim e para o clube. Eu queria voltar a trabalhar em um grande clube. Agradeço ao Vasco e à diretoria por me dar essa oportunidade. Estou com bastante tesão e vou procurar retribuir essa confiança. O contrato do treinador é sempre demorado. Muita gente questionou, mas estávamos trocando essa ideia.
Janela de transferências
— Lógico que sempre que possível que a diretoria puder dar um reforço, será bem-vindo numa posição que a gente necessite e que o clube tenha condições. Muitas vezes, tem dinheiro, mas não encontra o jogador. Ou quando encontra, o preço é um absurdo.
Terá autonomia para contratar?
— Quando o treinador indica um jogador, é porque quer o bem do clube. Quando o presidente indica, a gente troca ideias. A gente procura fazer o que é bom para o clube. Todas as nossas decisões são em benefício do clube, para estarmos mais fortes nas competições.
Confiança no elenco
— Mostrar para eles como temos que trabalhar a partir de sexta coisas que têm acontecido dentro de campo. É fundamental passarmos confiança para o jogador. Vamos treinar parte física, técnica, tática, jogadas ensaiadas… mas é fundamental passar confiança. Eu fui jogador e sei disso.
O que você quer dos jogadores?
— Eu quero alegria. Trabalhar duro, mas com alegria. Você sempre rende mais trabalhando contente. Quero um time livre, leve e solto. Essa confiança é fundamental. Se você não tiver a confiança do teu chefe, mesmo que você faça besteira, você vai render muito mais. A parte psicológica eu trabalho bem. Vão ver um time bem leve, mas com muita responsabilidade.”
Problemas do time em transição
— Conversar com o jogador. Dar moral. Corrigir os defeitos. Isso digo para todos os jogadores. A transição do time depende dos jogadores. Se você tiver jogadores lentos, tem uma transição lenta. Meu time tem que ter uma transição rápida. Eu digo que tenho que ter uma equipe equilibrada em todos os sentidos. Não adianta eu ter uma ideia na cabeça sem ter os jogadores. Vou adaptar os esquemas em cima das qualidades dos jogadores.
Confiança a Brenner
— Só erra o pênalti quem tá lá dentro. Ele não errou porque quis. Vamos dar confiança a ele. Entram 11, um vai errar a jogada, mas ele tem que receber apoio. Eles vão levar isso para dentro do campo. O time tem que falar mais dentro de campo. Eles precisam falar. Eu dou muito exemplo do Guga, tenista, que gritava a cada raquetada. No tênis, ele não tinha com quem falar. No futebol, é coletivo, tem com quem falar. Tem que orientar e falar, principalmente os mais experientes. Você precisa dar moral aos garotos, não pode dar toda a responsabilidade aos garotos.
Fonte: Globo Esporte