Pior derrota do Vasco na era SAF aumenta pressão sobre Barbieri, Luiz Mello e Bracks

Treinador e dirigentes foram alvos de muito protesto por parte da torcida do Vasco da Gama após a goleada sofrida para o Flamengo.

Luiz Mello e Paulo Bracks no CT Moacyr Barbosa
Luiz Mello e Paulo Bracks no CT Moacyr Barbosa

A goleada por 4 a 1 sofrida para o Flamengo, com uma atuação pífia no primeiro tempo, escancarou o pior momento do Vasco desde que a 777 Partners assumiu o controle do futebol, em agosto de 2022. Foi a pior derrota da era SAF no clube.

Um resultado que expôs ainda mais os erros de planejamento e a fragilidade do elenco montado para a volta à Série A. E, claro, aumentou a pressão sobre dirigentes e Maurício Barbieri. Após o jogo, o treinador afirmou que o trabalho continua.

As vaias e protestos no Maracanã, com gritos de “time sem vergonha” e xingamentos desde o primeiro tempo, ecoaram e mostram que a torcida perdeu a paciência com o time, com a comissão técnica e com os dirigentes. A lua de mel inicial com a 777 acabou. A revolta se estendeu para São Januário durante a madrugada. Torcedores tentaram invadir o estádio com morteiros, mas foram impedidos pela polícia.

Os principais alvos dos protestos têm sido o técnico Maurício Barbieri, o diretor de futebol Paulo Bracks, o CEO da SAF Luiz Mello e o presidente do Vasco Jorge Salgado.

Mas como fica a situação deles?

O treinador, por exemplo, tem o respaldo da 777 e, na semana passada, Paulo Bracks assegurou a permanência dele no projeto. O dirigente ressaltou que não pretende repetir erros do passado, quando o clube associativo tinha o costume de demitir um treinador atrás do outro.

Mas o discurso pode mudar com a necessidade de apontar um culpado. Ainda mais depois dos protestos da última noite. A saída imediata não é descartada, embora o sentimento interno não seja esse. O departamento de futebol sabe que deixou brechas na formação do elenco e Barbieri não teve todos pedidos atendidos, mas a falta de evolução, mesmo com tempo para treinar, preocupa.

Após a derrota no clássico, Barbieri foi o único a falar. Não houve zona mista com atletas e nenhum dirigente se manifestou. Ao ser indagado sobre a permanência, o treinador, sob olhares de Bracks e Mello, disse que o assunto não foi abordado no vestiário e afirmou ter convicção que o Vasco conseguirá superar a crise.

– Não tive nenhuma conversa nesse sentido (demissão). Tenho convicção de que a equipe tem oscilado muito mais do que esperávamos nesse início. Temos tido dificuldades maiores do que pensávamos que poderíamos ter, mas continuo com a convicção de que podemos reverter esse quadro – disse Barbieri.

A demissão do treinador, caso aconteça, precisa ter também o aval da 777 Partners. Reuniões nesta semana devem definir o tom para o futuro. É certo, no entanto, que Barbieri nunca esteve tão perto de ser desligado como nesse momento, após derrota dolorida no clássico.

Quantos aos dirigentes, a pressão é externa. Torcedores, conselheiros, membros da oposição e até a diretoria administrativa do Vasco da Gama questionam o momento do futebol.

Na semana passada, uma carta assinada pelo presidente Jorge Salgado e seus pares, endereçada ao Conselho de Administração da SAF, cobrou explicações sobre o momento “alarmante” do futebol do Vasco. As partes concordaram em se reunir, mas publicamente as explicações foram poucas. Além do futebol, há questionamento ao CEO Luiz Mello sobre as dívidas com clubes e jogadores. O Vasco tem encarado uma série de cobranças de credores e alega fluxo de caixa para o atraso nos pagamentos.

Nenhum dirigente de alto escalão do grupo da 777 Partners se manifestou até o momento. Apenas Paulo Bracks, diretor de futebol, deu entrevista na semana passada, admitiu equívocos na montagem do elenco, afirmou já ter o diagnóstico e prometeu correções na próxima janela.

Muito questionado, Mello não tem dado entrevistas. Há duas semanas ele conversou informalmente com jornalistas para negar rusgas com Paulo Bracks. O homem do futebol foi o único diretor da SAF que não foi escolhido por Mello. Bracks foi uma opção da parte esportiva do grupo da 777.

Entende-se que há um movimento político também no Vasco. O nome de Mello, por exemplo, repercutiu mal dentro do clube quando anunciado para ser o CEO da SAF. Desde então, uma corrente dentro da associação desaprova o trabalho do executivo.

Diante de tantas incertezas após um início de campanha tenebroso no Campeonato Brasileiro, o Vasco aposta na próxima janela de transferências, que ocorre entre 3 de julho e 2 de agosto, para corrigir erros de planejamento e salvar a temporada. Até lá, o time vai precisar reverter a situação com o atual grupo, muito abalado mentalmente com o momento. O capitão Léo, por exemplo, disse que tem tido dificuldade até para dormir por conta da fase.

Foi a pior derrota do Vasco desde que o clube foi vendido para a 777 Partners. A quarta derrota seguida de um time que venceu apenas uma das últimas 12 partidas. No Campeonato Brasileiro, o clube só derrotou o Atlético-MG na estreia e está na penúltima colocação, há três rodadas na zona de rebaixamento.

O fato de a maior derrota da era SAF ter ocorrido justamente para o Flamengo é simbólico. No ano passado, em março, durante o processo de venda para a 777 Partners, o dono do fundo americano, Josh Wander, garantiu, na véspera de um clássico contra o rival, pela semifinal do Carioca, que seria a última vez que os clubes se enfrentariam com disparidade financeira. Fato que está longe de ser realidade.

Fonte: Globo Esporte

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