Pai Santana ganha biografia e vira enredo de escola de samba

Lendário massagista do Vasco da Gama falecido em 2011, Pai Santana será homenageado com livro e tema de desfile no carnaval.

O folclórico massagista Pai Santana
O folclórico massagista Pai Santana

Eduardo Santana, mais conhecido como Pai Santana, não marcou gols e sequer foi jogador. Mas é mais lembrado que muitos daqueles que já calçaram chuteiras e atuaram nos gramados do país. Morto em 2011, o massagista segue presente na memória popular. No ano passado, batizou uma medalha distribuída pelo Vasco — clube com o qual mais estreitou laços — àqueles que se destacaram na luta antirracista. Agora, ganhou sua própria biografia em livro e ainda será tema de desfile no carnaval. Um prestígio que desafia a cultura do esquecimento tão comum no futebol.

Que o diga Roberto, seu filho. O Bola 7, apelido através do qual é mais conhecido, até hoje é abordado por torcedores que fazem questão de transmitir a ele o carinho que sentiam pelo seu pai.

— E até os mais jovens, que nem viveram a época dele. Mas ouviram tanto dos pais que falam do passado com propriedade — afirma Roberto, que esta semana participou da transmissão do velório de Roberto Dinamite na VascoTV, onde falou das histórias do massagista com o maior ídolo do clube.

A biografia do Pai Santana ajuda a compreender melhor o fascínio exercido por ele até hoje. Teve passagens por Botafogo, Fluminense, seleções brasileira e do Kuwait, Bahia e Vasco, onde ficou por mais tempo. Era reconhecido e valorizado como massagista, mas não apenas. Atuava também como um misto de psicólogo e coaching, pois sabia o que dizer para incentivar os jogadores e deixá-los mais seguros. Umbandista, usava ainda sua religiosidade para proteger atletas e o time de trabalhos espirituais que pudessem prejudicá-los. Muitos títulos foram atribuídos também a ele.

Em 2011, poucos meses antes da morte, Pai Santana é recebido no Vasco por Juninho Pernambucano e Roberto DinamiteEm 2011, poucos meses antes da morte, Pai Santana é recebido no Vasco por Juninho Pernambucano e Roberto Dinamite Foto: Acervo O Globo

Acima de tudo, vinha o carisma. Não só jogadores, mas também jornalistas e principalmente torcedores se renderam a ele. Já nos anos 1990, em seu retorno ao Vasco após passagem pelo Kuwait, adotou o ritual de, antes de cada jogo em São Januário, estender uma bandeira cruz-maltina, se ajoelhar e beijá-la. A arquibancada, claro, ia à loucura.

— No início dos anos 70, a torcida do Vasco costumava gritar o nome do (goleiro) Andrada e do Dinamite. Mas chegou um momento em que passou a gritar, além dos dois, pelo Santana. Ou seja: botando no mesmo patamar que os maiores ídolos do time — conta o historiador Mauro Prais, especialista no clube de São Januário. — Acho que a torcida se via um pouco no Santana. É como se fosse um representante dela lá dentro.

Autor de biografia morreu antes de concluí-la

A trajetória do massagista é resgatada pelo livro “Pai Santana — O Orixá do futebol” (Ed.Rebento), lançado em dezembro. Foi escrito pelo autor Ecio Salles, criador da Festa Literária das Periferias (Flup), morto em 2019. Amigos que sabiam do projeto procuraram a viúva Daniele Salles com interesse em concluí-lo.

— A ideia inicial era ter um homenageado. Talvez a força espiritual do Pai Santana explique acabarmos tendo dois. De certa forma, a publicação traz memórias não só do Santana como do Ecio — opina Daniele. — É a celebração da vida de duas pessoas que tinham como conexão a espiritualidade e o futebol.

Sua contemporaneidade ajuda a explicar a presença ainda tão forte nos dias de hoje. Nos anos 80, muito antes do surgimento de movimentos como o Black lives matter (“Vidas negras importam”), que colaborou para ampliar o debate racial para além da comunidade negra, o massagista era membro do Comdedine (Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro). Sua postura diante do racismo era vista dentro dos clubes, onde foi alvo de piadas preconceituosas, e até dentro de casa.

— Ele criou os filhos levantando a bandeira de que não éramos inferiores em nada. E que brigaríamos por qualquer coisa de igual para igual com todo mundo — recorda o Bola 7.

O massagista também será enredo da União Cruz-maltina, escola de samba de torcedores do Vasco, que desfila pela Série Prata, espécie de terceira divisão do carnaval carioca. A força que ele tanto exibiu no futebol é a aposta da agremiação para ascender à Marquês de Sapucaí. Com o tema “Rodeia, Rodeia… Rodeia meu Pai Santana, Rodeia!”, desfilará na Intendente Magalhães, no dia 25 de fevereiro.

Fonte: Yahoo!

Mais sobre:Pai Santana
Comente

Veja também
Olho no rival! Escalação do Corinthians contra o Vasco

Confira a escalação do Corinthians para o jogo contra o Vasco da Gama nesta quarta-feira, em São Januário, pelo Brasileiro.

Escalação do Vasco contra o Corinthians

Confira a escalação do Vasco da Gama para o jogo contra o Corinthians neste sábado, pela 2ª rodada Campeonato Brasileiro.

Relacionados do Vasco contra o Corinthians pela 2ª rodada do Brasileiro 2025

Confira a lista dos jogadores relacionados pelo Vasco da Gama para o jogo contra o Corinthians, pela 2ª rodada do Brasileiro.

Vasco anuncia parceira com a OH a Água

O Vasco da Gama anunciou a parceria com a OH a Água para o departamento de futebol, com duração de três anos.

Neto crava futuro do Vasco no Brasileiro

O ex-jogador e apresentador Neto afirmou que o Vasco da Gama tem tudo para brigar contra o rebaixamento mais uma vez.

Payet pode ser titular contra o Corinthians

Philippe Coutinho pode ser preservado no duelo contra o Corinthians e Payet pode ganhar vaga no titular no Vasco.

Corinthians x Vasco marca reencontro de Ramón Díaz e Carille

Ramón Díaz treinou o Vasco da Gama entre 2023 e 2024; Já Fábio Carille teve duas passagens pelo Corinthians.

Dedé faz revelação surpresa sobre Brasileiro de 2011: ‘Me sinto culpado’

Com Dedé, o Vasco da Gama foi vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 2011, perdendo o título para o Corinthians.

Payet vive seu último mês de contrato com o Vasco e segue com futuro incerto

Payet poderá fazer no máximo mais nove partidas pelo Vasco até o término de seu contrato, caso não seja renovado.

Vasco e Corinthians têm dívidas bilionárias, mas quem deve mais? Veja valores

Adversários de hoje, Vasco e Corinthians lidam com desafios financeiros há muito tempo e buscam solução para o problema.

Sair da versão mobile