Mudanças promovidas por Barbieri não surtem efeito e agravam crise no Vasco

Técnico do Vasco da Gama, Maurício Barbieri entrou com Orellano no lugar de Pec e três zagueiros para encarar o Flamengo.

Barbieri durante o jogo contra o Flamengo pelo Brasileiro
Maurício Barbieri durante jogo contra o Flamengo (Foto: André Durão)

A semana foi de cobranças no Vasco. O diretor esportivo Paulo Bracks disse, em entrevista coletiva, que o time poderia render mais, apesar de assumir também os erros na montagem do elenco. A pressão interna e também da torcida por uma resposta do time era grande, e o técnico Maurício Barbieri resolveu ir para o “tudo ou nada” contra o Flamengo, na última segunda-feira. Acabou sofrendo uma goleada dolorida por 4 a 1 no Maracanã.

Basicamente a alteração gira em torno de Luca Orellano. A torcida cobrava ver o argentino como titular. Para isso, no entanto, Barbieri precisava reforçar a marcação, já que o atacante não recompõe como Pec costuma fazer, e optou pelo esquema com três zagueiros. Como Alex Teixeira também marca pouco, Jair e Galarza ficaram sobrecarregados e, muitas vezes, ficou um espaço enorme entre eles e os zagueiros. O Flamengo se criou nesse espaço, e os meias adversários desequilibraram.

Mas esta análise vai poupar os torcedores do comportamento do time em campo. Passaremos pelas últimas semanas para tentar explicar a goleada sofrida no clássico.

Convicções deixadas de lado

Em quase todas as recentes coletivas, Maurício Barbieri foi questionado sobre a previsibilidade e a falta de variações táticas. E também por que Orellano vinha sendo pouco aproveitado. As cobranças por mudanças e melhor rendimento também aconteceram internamente.

Tendo o clássico como um jogo-chave no campeonato para marcar uma possível recuperação e levantar a confiança do elenco, o treinador resolveu responder na última segunda-feira. Por outro lado, abriu mão da forma como vinha treinando e montando o time. Arriscou tudo.

É um momento delicado para Barbieri. A interferência externa é grande, as cobranças ecoam mais forte agora, e o treinador precisa encontrar soluções em um elenco que não oferece muitas. O time treina durante semanas cheias, o que é raro no calendário brasileiro, e não responde.

Na coletiva pós-jogo, Barbieri se esquivou de algumas perguntas e preferiu não entrar muito no mérito do elenco, mas assumiu sua responsabilidade no momento ruim. Pareceu mais abatido do que o de costume.

Falta confiança

É fácil ver em campo a falta de confiança do Vasco. É um tema comum nos grupos de torcedores. O time sofre um gol e se desestabiliza. Foi assim contra o Flamengo. Até o gol de Pulgar, aos 13 minutos do primeiro tempo, o Vasco tinha mais a bola (62%), ocupava o campo de ataque e tinha finalizado uma vez, com Alex Teixeira. Nas duas primeiras finalizações, o Rubro-Negro abre 2 a 0.

O time vascaíno termina o primeiro tempo entregue. Sofre mais dois gols depois dos 40 minutos e deixam o Flamengo jogar como quer. O nome disso é inexperiência e falta de confiança. Aconteceu o mesmo contra Santos e São Paulo. Jogos em que o Vasco não foi tão mal, mas não teve casca e recurso para aproveitar o que se criou.

A inexperiência é explicada pelas brechas no elenco. É algo que já foi falado inúmeras vezes, eu sei, mas não tem como analisar o momento do time sem passar pelas peças à disposição do treinador.

O Vasco terminou o jogo com Zé Gabriel em campo. A última vez em que havia sido relacionado foi em 30 de janeiro, contra o Volta Redonda, pelo Carioca. Desde então, o volante vinha treinando com o grupo, mas ficava fora por opção técnica. Na segunda-feira, entrou em campo no segundo tempo.

O meio-campo é o gargalo do time. Fora Jair, todas as opções para Barbieri no setor têm menos de 25 anos. Zé Gabriel, pouco utilizado, tem 24. Os titulares mais recentes, Galarza e Barros, têm 21 e 19, respectivamente. No ataque, o Vasco segue repleto de jogadores da base.

O Vasco é hoje um time que pouco produz e que pouco finaliza. Falta repertório ofensivo. Ainda assim, teve chances de incomodar o Flamengo. Pedro Raul acertou a trave no primeiro tempo e perdeu chances pelo alto em outros momentos. Assim como Alex Teixeira também desperdiçou. Os dois times erraram e deram espaços, mas só o rival soube aproveitar. Não dá para ignorar as diferenças de elenco.

O que esperar da sequência?

Ainda não está definido se Maurício Barbieri permanecerá no cargo. Reuniões acontecerão no CT Moacyr Barbosa, e a 777 participará da decisão. O treinador, no entanto, ganhou respaldo interno nos últimos dias. O grupo de jogadores o abraçou após a derrota no clássico.

Quem acompanha o trabalho no dia a dia vê o empenho do técnico na busca por soluções. A execução do que se tem treinado, no entanto, deixa a desejar. E, nesse momento, fica difícil prever o que Barbieri fará no jogo contra o Inter, no próximo domingo, caso siga no comando. O Vasco vai a campo com três zagueiros? Ou volta ao esquema com três volantes? Novos testes serão feitos?

O momento é de incertezas.

Fonte: Globo Esporte

1 comentário
  • Responder

    O técnico já demostrou que não tem nenhum respeito pelo Vasco ,em todas as entrevistas ele debocha do clube .
    Diante do comportamento dele não parece ser o técnico,parece ter alguém mandando no lugar dele .
    Parece um bucha .

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