Jorginho e Renato Gaúcho se reencontram em estreias por Grêmio e Vasco no domingo

Amigos de longa data, Jorginho e Renato Gaúcho irão se enfrentar no comando de Vasco e Grêmio neste domingo (11).

Renato e Jorginho
Renato e Jorginho (Foto: Rafael Ribeiro)

O domingo de retorno de Renato Portaluppi no Grêmio também será de novidade na casamata do Vasco da Gama. Jorginho iniciará na Arena sua terceira passagem pelo clube carioca. Com missões de levar grandes equipes de volta para a Série A do Brasileirão, Renato e Jorginho são velhos conhecidos. Como companheiros, foram campeões brasileiros pelo Flamengo, em 1987, e estiveram juntos no grupo da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1990, na Itália.  

As semelhanças entre eles vão além do tempo que dividiram vestiários vestindo rubro-negro e verde e amarelo. Se Renato é o maior ídolo do Grêmio, tendo sua história no Tricolor marcada por conquistas como jogador e treinador, Jorginho também construiu vitórias dentro e fora do campo em São Januário. Já na reta final da carreira, ele foi campeão brasileiro e da Copa Mercosul, em 2000. Como técnico foi, responsável pelo acesso do Cruz-Maltino para a Série A, em 2016, ano em que também ganhou o Campeonato Carioca.  

O futebol aproximou Renato e Jorginho na segunda metade dos anos 1980, quando passaram a jogar juntos por Flamengo e Seleção Brasileira. No Rubro-Negro, os dois ocupavam o setor direito do time comandado por Carlinhos, o Violino. Com Jorginho na lateral e Renato como ponteiro, a equipe carioca conquistou o Módulo Verde da Copa União de 1987, a primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Na Seleção, os dois foram figuras frequentes nas convocações de Sebastião Lazaroni durante as Eliminatórias e amistosos de preparação para a Copa do Mundo de 1990. Na Copa América de 1989, Renato fez parte do elenco campeão no Maracanã sobre o Uruguai. Jorginho esteve na lista inicial de convocados, mas acabou cortado por problemas físicos. Um ano depois, o lateral foi titular no Mundial na Itália, no qual Renato atuou apenas nos minutos finais da eliminação para a Argentina nas oitavas de final, em Turim.

A amizade entre eles perdurou ao longo das últimas três décadas apesar das diferenças de estilos de vida. Renato sempre foi conhecido pelo jeito boêmio e por colecionar polêmicas fora do campo. A mais famosa delas com Telê Santana, que lhe custou o corte da Copa do Mundo de 1986.

Neste mesmo ano, Jorginho, que já havia defendido a seleção olímpica e iniciava a trajetória no Flamengo, se converteu em Atleta de Cristo. O lado religioso sempre esteve presente ao longo da carreira do ex-lateral-direito, o que gerava brincadeiras de alguns companheiros, casos de Renato Portaluppi e Romário, nos tempos de Seleção Brasileira.

— Eu consegui, como a gente diz, evangelizar, falar de Deus para os companheiros, mas sempre com muito respeito, entendendo o momento. É  claro que tive dificuldades, meus amigos tiravam muito sarro. O Renato (Portaluppi), por exemplo, tirava sarro demais, brincava. O Romário, na Seleção, contava um monte de história, falava — relembrou Jorginho, em tom de brincadeira em entrevista ao Uol, no ano passado, quando falou sobre religião no esporte.

Titular daquele Flamengo campeão nacional em 1987, Zinho relembra como era conviver com Renato e Jorginho no vestiário.

— São dois amigos,  duas pessoas especiais na minha carreira apesar de terem características diferentes. O Renato era o cara mais extrovertido, o “bon vivant” no bom sentido,  curtia a vida no Rio, a noite, mas que treinava, que não deixava de cumprir as obrigações. Era um cara que estava junto pelo grupo nos objetivos. O Jorginho mais recatado, mais caseiro. No extracampo eram opostos, mas dentro do grupo, cada um com sua personalidade, exercia seu papel de liderança mesmo com o Jorginho sendo mais novo — rememora.

— Eu tinha de 19 para 20 anos. Estava começando e o Jorginho sempre foi um exemplo fora do campo para mim, mas o Renato também servia de espelho pela postura no grupo. Todo mundo achava que ele era “bad boy”, mas dentro do grupo a gente via outro lado. Renato sempre foi o cara de cobrar o dirigente quando o bicho atrasava, de defender o companheiro criticado, de ficar ao lado do funcionário do clube que passava por algum problema. Renato sempre foi o cara de tomar a frente nessas situações — completa.

Com o Grêmio em terceiro lugar e o Vasco em quarto, Renato e Jorginho têm o mesmo desafio nas dez rodadas finais da Série B: manter seus clubes dentro do G-4. A situação gremista é um pouco melhor porque a vantagem para o quinto colocado Londrina é de seis pontos, dos cariocas de quatro. No entanto, o Tricolor não pode pensar em perder o confronto do domingo.

Renato falou a GZH sobre o reencontro com o amigo. Lembrou a boa relação entre eles e ressaltou que torce sempre para Jorginho, menos no jogo de domingo, claro.

 — O Jorginho é um amigo de muito tempo, jogamos juntos no Flamengo, na Seleção Brasileira. Fomos campeões juntos no Flamengo em um timaço. Torço muito por ele como treinador, a gente sempre se fala, principalmente no fim de ano, que tem a “pelada” do Zico. Ele é uma pessoa que eu gosto muito, torço por ele, mas não no domingo — declarou.  

Em sua chegada ao Vasco, Jorginho projetou o confronto com o Grêmio, de Renato. O treinador sabe que vai enfrentar um torcida empolgada na Arena com a volta do ídolo e ressaltou a necessidade de o Vasco se mostrar organizado defensivamente em campo.

— Renato teve um período maravilhoso lá, situação um pouco diferente agora. Sei que vai estar um clima favorável com a torcida. Precisamos ter coragem. Primeira coisa que quero dos meus jogadores é justamente essa confiança, coragem de jogar. Torcida não vai entrar em campo, vai empurrar, gritar. A gente tem que estar defensivamente mais organizado para não sofrer muito. É isso, temos que acreditar o Vasco é grande em casa, grande fora de casa e precisa ser grande em todos os lugares — projetou.

Em 2021, Renato e Jorginho se enfrentaram no Brasileirão. No Maracanã, o Cuiabá do ex-lateral conseguiu segurar o 0 a 0 diante do Flamengo do ex-atacante, resultado que complicou a ambição do Rubro-Negro de tentar encurtar a distância para o então líder Atlético-MG. Esse foi um dos dois confrontos entre eles sem que Renato estivesse no Grêmio. O outro foi em 2006, quando o América-RJ de Jorginho levou a melhor sobre o Vasco no Campeonato Carioca.

Pelo Grêmio, Renato enfrentou Jorginho comandando Ponte Preta (duas vezes), Bahia, Ceará, Vasco e Coritiba. O ídolo tricolor venceu quatro dessas partidas, houve um empate e um triunfo de Jorginho.  

Renato contra Jorginho

  • 8 jogos
  • 4 vitórias
  • 2 empates
  • 2 derrotas

Pelo Grêmio

  • 6 jogos
  • 4 vitórias
  • 1 empate
  • 1 derrota

Os jogos com Renato no Grêmio

  • Grêmio 1 x 0 Ponte Preta (2013)
  • Ponte Preta 1 x 1 Grêmio (2013)
  • Grêmio 1 x 0 Bahia (2017)
  • Ceará 0 x 1 Grêmio (2018)
  • Vasco 1 x 0 Grêmio (2018)
  • Grêmio 2 x 1 Coritiba (2020)

Outros confrontos

2006

  • America-RJ (Jorginho) 2 x 1 Vasco (Renato)

2021  

  • Flamengo (Renato) 0 x 0 Cuiabá (Jorginho)

* Fonte: Ogol

Renato e Jorginho como companheiros

  • Flamengo
    Título da Copa União de 1987

Fonte: GZH

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