Diniz analisa empate do Vasco contra o Madureira; veja a entrevista coletiva
O técnico Fernando Diniz analisou o desempenho do Vasco da Gama contra o Madureira e opinou sobre críticas da torcida.

O Vasco empatou sem gols com o Madureira em duelo na noite desta segunda-feira (2), em São Januário, pela 5ª rodada do Campeonato Carioca. O resultado desagradou o torcedor e o técnico Fernando Diniz, que também foi alvo de críticas vindas da arquibancada.
— Para recuperar a confiança tem que ganhar o jogo. A torcida está no direito de vaiar. De mim eles só vão receber elogios, vaiaram merecidamente. Não é que fizemos uma partida péssima, tivemos bola na trave, pênalti, mas não foi o suficiente. Tínhamos que ter mais inspiração e vencer o jogo.
Questionado sobre a forma como trata os jogadores, depois do episódio ocorrido contra o Mirassol, na estreia do Brasileirão, no qual teve cobrança flagrada por câmeras, Diniz deu exemplos de recuperação de atletas e justificou sua forma de abordá-los. Ele ainda revelou agradecimento da família de Rayan.
— Um dos pilares é a maneira como eu abordo o jogador. Que eu não tenho receio, não tenho medo de abordar o jogador, que o jogador sabe que aquilo é para o bem dele. É um papel difícil, não é para qualquer um. Eu me exponho em favor do jogador. Eu não vou trocar uma crítica das pessoas fazerem, muitas vezes com malícia, por receber um carinho como eu recebi do Rayan, como foi com o Brenner quando chegou aqui, Bruno Guimarães… o meu temperamento é esse. Ele pode ajustar, pode melhorar. Repito, se eu tivesse percebido a presença da câmera, ali eu teria segurado e não teria sido tão enérgico na cobrança.
— A minha maneira de tratar o jogador é aquilo, com muita conversa, muita amorosidade. Eu sei da vida dos jogadores, eu sei da vida particular, eu sei do filho, eu sei da mulher, eu sei como é que tá, como que não tá. Porque a vida do jogador é difícil. E a minha cobrança é uma cobrança pra proteger, pra fazer o cara jogar mais. E, se perceber, naquele jogo do Mirassol mesmo, o time depois da cobrança voltou melhor naquele etapa. O meu interesse é no ambiente interno. A justiça ela é feita internamente.
No duelo de hoje, Diniz promoveu a estreia dos atacantes Brenner, que iniciou o jogo, e Marino Hinestroza, que entrou no decorrer do segundo tempo. O técnico analisou as atuações nos últimos jogos e lamentou a perda de Rayan, que, segundo ele, “iria ajudar” em 2026:
— Sempre tem que ajustar. Terminamos o ano bem, fizemos um bom jogo com o Maricá, tivemos um time modificado com o Nova Iguaçu e um jogo ok com o Boavista, mas tivemos um jogo horrível com o Flamengo. Contra o Mirassol foi equilibrado, o time teve postura decente. Hoje vimos o Brenner, o Hinestroza, o Rojas… Aos poucos vamos nos adaptar à perda do Rayan. O que ele fazia ano passado, e iria fazer esse ano, iria ajudar. Mas a gente vai se ajustar, é questão de tempo. Hoje não fomos brilhante, mas era jogo para vencer pelo menos por 2 a 0.
Outras respostas de Diniz
Entrada de David
— David, na realidade nos treinamentos, ele começou a mostrar melhora. É um jogador, já falei mais de uma vez, que eu gosto, e de fato ele entrou muito bem hoje. E o Rojas, era um dos jogadores que estavam também um tempo sem jogar, e foi uma questão física mesmo. A gente não sabe se ele vai jogar ou não na quinta-feira, mas então a gente tem que pensar no jogo da Chapecoense também.
Posicionamento de Puma Rodríguez
— Acho que terminou mais desorganizado pela fome de fazer o gol, tem a ver com as mudanças. Uma das chances claras que tivemos foi quando o Andrés estava de lateral e fez o gol. Onde tem problema em mexer são nos volantes. Tivemos gols que fizemos com cruzamento de zagueiros, quando enfrentamos adversários com linhas baixas isso acontece. Ficamos mais desorganizados mais no final do jogo. A gente podia ter ficado mais vulnerável pela esquerda com o Piton, mas o Andrés conseguiu cumprir bem a função.
Contratações
— Eu não vou comentar sobre os nomes no mercado, mas a gente está trabalhando internamente para reforçar de maneira pontual e com bastante critério.
Estreias de Brenner e Hinestroza
— Era esperado, o Brenner e o Hinestroza, tanto um quanto o outro, já faz tempo que não jogam, eles chegaram e se colocaram à disposição. No treinamento, achei que tava ok. E eu acho que são jogadores que tem muita qualidade, e a gente espera que rapidamente eles consigam entrar na melhor forma, mas de qualquer jeito foi bom, eles poderem ter estreado, sentir essa atmosfera de São Januário, o gramado que eles vão jogar muitas vezes, e a tendência é de melhora para os dois.
Prioridade no início da temporada
— Neste começo de temporada temos conseguido rodar os jogadores que achamos necessário, mas não estamos priorizando. E o que está faltando para melhorar é ser mais assertivo, os jogos têm histórias diferentes. Hoje faltou mais inspiração.
Muitas opções na lateral esquerda e possível chegada de Cuiabano
— Eles vão disputar posição e vai jogar o melhor, é sempre bom ter jogador de qualidade. Se confirmar a vinda do Cuiabano é um ganho muito grande para o Vasco.
Mudanças, desfalques
— O Saldivia, na verdade, teve um problema estomacal, ele ficou sem treinar. O Robert, também. O Léo Jardim teve contra o Boavista, o Piton também sentiu contra o Boavista, e a gente achou melhor não arriscar, porque a gente já trouxe o Robert nessa situação e o Robert jogou só meio tempo. Próximo jogo o Saldivia provavelmente vai estar ok.
Bronca em Nuno e cobranças aos jogadores
— Em relação aquilo que aconteceu (bronca no Nuno), eu vou falar para vocês o seguinte. Eu tenho já de treinador 16 anos, e a minha vida, foi uma vida que eu joguei futebol para aprender a ser técnico, eu costumo dizer isso. E eu sou um cara que me entrego completamente pra ajudar os jogadores. Então, da minha parte, não tem falta de respeito. De maneira alguma. Tanto é que os jogadores que trabalham comigo, quase todos querem trabalhar de novo. E até aqueles que não trabalharam, quando eu ligo, tem vontade de trabalhar. A notícia verdadeira corre entre os jogadores. E eles melhoram, quase que na sua maioria. É uma vida de entrega. Depois eu vi o lance… Se eu pudesse, com a presença das câmeras ter percebido aquilo… Se eu tivesse uma esperteza de perceber aquilo, talvez eu não tivesse feito. Esse foi o meu erro ali, mas das coisas que eu falei, de como eu trato jogador. A maneira que eu tenho de ajudar os jogadores, a cobrança que eu faço é um dos pilares de eu conseguir ajudá-los. E eles sabem disso. Uma coisa amorosa, muito diferente das pessoas que fazem a crítica, que não têm interesse nenhum de ajudar o jogador. Exemplos são fartos. Então as pessoas querem criar uma situação, e criar um monstro, uma mentira, porque é uma mentira. O que é respeitar o jogador? Respeitar o jogador… Um exemplo aqui do Vasco, que aconteceu com o Rayan. Contra o Corinthians tentaram fazer a mesma coisa com o Rayan, que eu cobrei ele de uma maneira mais enérgica, mas cobrei muitas vezes o Rayan de maneira enérgica. Quando ganha, quando foi contra o Fortaleza, não tem questionamentos. As pessoas estão focadas no resultado do jogo. O meu foco não é no resultado do jogo, é fazer as coisas direito e procurar ajudar os jogadores. Aí o Rayan foi questionado e falou assim: “Ele é igual um pai pra mim”. O Rayan, quando saiu daqui, estive no casamento dele. A mãe e o pai me encontraram, e a mãe chorando falou assim: “Eu agradeço que você mudou a vida da nossa família”. E um dos pilares é a maneira como eu abordo o jogador. Que eu não tenho receio, não tenho medo de abordar o jogador, que o jogador sabe que aquilo é para o bem dele. É um papel difícil, não é para qualquer um. Eu me exponho em favor do jogador. Eu não vou trocar uma crítica das pessoas, muitas vezes com malícia, por receber um carinho como eu recebi do Rayan, como foi com o Brenner quando chegou aqui, Bruno Guimarães… O meu temperamento é esse. Ele pode ajustar, pode melhorar. Repito, se eu tivesse percebido a presença da câmera, ali eu teria segurado e não teria sido tão enérgico na cobrança, mas por conta das coisas de fora. Mas, internamente, a minha maneira de tratar o jogador é aquilo, com muita conversa, muita amorosidade. Eu sei da vida dos jogadores, eu sei da vida particular, eu sei do filho, eu sei da mulher, eu sei como é que tá, como que não tá. Porque a vida do jogador é difícil. E a minha cobrança é uma cobrança pra proteger, pra fazer o cara jogar mais. E se perceber naquele jogo do Mirassol mesmo, o time depois da cobrança voltou melhor naquele etapa. O meu interesse é no ambiente interno. A justiça ela é feita internamente. Agora, o que as pessoas imaginam, e a maneira como elas fazem as críticas tem mais a ver com elas do que aquilo que está acontecendo internamente, e principalmente sobre aquilo que é o respeito com o jogador. Respeito com o jogador eu tenho no máximo, no nível máximo. Eu trato jogadores igual se fosse meu filho, eu cobraria do jeito que eu cobrei. Esse é o maior elogio que eu posso dar aos jogadores, eu cobro os jogadores como eu cobro meus próprios filhos, e eu me entrego para que os jogadores consigam ter uma vida melhor como eu ofereço para os meus próprios filhos. E por isso que os jogadores respondem bem. Se você pegar do ano passado pra cá, esses jogadores que vieram, todos melhoraram. Paulo Henrique com cinco meses foi pra Seleção; o Rayan valia dez milhões e foi vendido por quase quarenta; o Cuesta estava esquecido lá na Turquia, voltou pra cá e retornou a Seleção; o Andrés Gómez não jogava na França, quando jogava era cinco, dez minutos, hoje é um jogador protagonista no Vasco, conhecido nacionalmente; o Barros estava no América, jogou no Amazonas e virou titular do Vasco; o Nuno fez 11 gols na temporada. Todos eles melhoraram. O Léo Jardim é um goleiro que sai mais do gol, um goleiro que melhorou com os pés, melhorou nas antecipações, nas coberturas do zagueiro, todo mundo melhorou. As pessoas têm liberdade, mas uma má vontade de perceber o todo. Perceber a verdade, de investigar a verdade, isso aí é a matriz central do meu trabalho, ajudar os jogadores, de gostar, de amar aquilo que é o jogador. Poder se entregar para que eles tenham uma boa vida, e eu tenho consciência plena disso. Ajuste a gente sempre tem que fazer, mas eu sou um cara que me dedico integralmente para que os jogadores consigam ter uma vida digna e um futuro positivo.
Veja à entrevista
Fonte: Globo Esporte