Escudero explica saída conturbada do Vasco

Presente de Natal do Vasco da Gama em 2016, o meia Escudero relembra e explica sua saída conturbada do Clube.

Escudero defendeu o Vasco em 2016
Escudero defendeu o Vasco em 2016 (Foto: Matheus Alves/Vasco.com.br)

Ainda sem reforços anunciados para 2025, o Vasco teve um Natal, no mínimo, discreto. Uma atitude bem diferente do ano de 2016, quando o clube abriu o “coração natalino” e fez questão anunciar um presente para os torcedores: o meia argentino Damian Escudero, à época com 29 anos. Foi uma chegada meteórica do primeiro reforço para a temporada 2017.

– Em 24 de dezembro me ligaram do Vasco para ir para lá. No dia 25, arrumei as malas. Foi muito rápido – lembra o ex-jogador do Vasco em entrevista ao ge.

Aposentado há três anos, Escudero virou agente de futebol e tem uma vida bem mais tranquila. Oposta à dos tempos de jogador e, principalmente, de Vasco.

Em campo, o argentino não teve uma passagem de brilho e ainda sofreu uma lesão no pé que o deixou no Departamento Médico na reta final da passagem pelo Rio de Janeiro. No total, disputou 23 jogos e marcou um gol pelo Vasco.

E a relação ainda foi parar na Justiça. Em janeiro de 2018, o argentino conseguiu rescisão contratual devido ao atraso no pagamento de direitos de imagem e FGTS. No ano seguinte, o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro condenou o Cruz-Maltino a pagar verbas trabalhistas ao meia. Na ocasião, o TRT atribuiu R$ 2,2 milhões como base para o clube calcular o recurso.

– Trabalhava e não recebia. Preferi sair e voltar para a Argentina e passar tempo com a família, disse o meia em entrevista ao ge.

Idolatria no Vitória

Se, no Vasco, a relação não terminou da maneira sonhada, no Vitória, a história de Escudero é completamente diferente. No Brasil, não há clube que o jogador tenha despertado maior carinho que no Rubro-Negro.

O início da passagem dele pelo Leão foi em 2013, ano que logo se tornou referência técnica de um time que ficou marcado por goleadas histórias em dois Ba-Vis: 5 a 1 na inauguração da Arena Fonte Nova e 7 a 3 pelo jogo de ida da decisão estadual.

– Impressionante. A gente fazia gol e queria fazer mais um, mais um, essa era a nossa maneira de respeitar o rival, jogando para frente, não brincando ou falando nada demais. Esses valores para mim foram ensinados desde pequeno, mostrar dentro do campo – lembra.

Escudero também esteve na maior campanha do Vitória no Brasileiro de pontos corridos. Em 2013, o Leão terminou em quinto lugar, com 59 pontos, pontuação que só foi superada pelo Fortaleza no Brasileiro 2024.

– A gente sabia que podia vencer qualquer equipe. Fosse com Palmeiras, Corinthians ou Flamengo a gente jogava da mesma maneira. Pode ser considerado arriscado, mas fizemos uma grande campanha – exalta Escudero.

A temporada 2014, porém, foi péssima tanto para Escudero quanto para o Vitória. O meia sofreu uma séria lesão no joelho e passou um longo período em recuperação. Quando voltou a campo, já era tarde: o Vitória terminou rebaixado para a Série B.

– Eu vinha de um 2013 muito bom, mas acabei me machucando em fevereiro, em Pituaçu. Esse foi um ano de muito aprendizado para mim. De me comprometer ao máximo para voltar quanto antes. Foi um ano de muito sacrifício. Acordava às 7h, 8h, já estava no clube e só voltava para casa às 20h — lembrou o ex-jogador.

Mas o 2015 serviu para garantir uma volta por cima em grande estilo. O argentino foi peça-chave do acesso do Vitória para a Série A ao balançar as redes 13 vezes e ser o artilheiro do time. Ele marcou, de falta, o gol que abriu os caminhos no jogo que confirmou a volta para a Série A, no 3 a 0 sobre o Luverdense.

– Não sei se foi o melhor temporada da carreira porque tive um ano muito bom no Vélez, outro no Grêmio, mas 2015 foi maravilhoso, analisa.

No total, Escudero disputou 100 jogos pelo Vitória, marcou 19 gols e deu 11 assistências pelo clube baiano. Como principais feitos, ele tem o Campeonato Baiano de 2013, o acesso de 2015, além de participar da melhor campanha da equipe na Série A por pontos corridos.

– Sou muito grato de jogar no Vitória e fazer a campanha que fizemos em 2013. Se fosse hoje, a gente iria para a Libertadores. Mas naquela época só ingressavam quatro, e a gente ficou na quinta colocação. Idolatria a gente ganha com trabalho, dedicação. Isso para mim foi o mais importante. A torcida reconhece, e quem está dentro, o jogador, é o máximo. É uma idolatria pelo tempo que fiz, três anos, e por tudo que foi feito no campo – afirma.

Na época, Escudero sentia o calor rubro-negro em cada passo que dava por Salvador.

– Não conseguia jantar com a família, demorava muito para sair, todo mundo me conhecia, tirava fotos.

Retorno frustrado

Mas a passagem do argentino pelo Vitória também foi de turbulências. Em 2019, Escudero chegou a treinar no Barradão, mas não houve acordo entre estafe do jogador e diretoria. Na ocasião, o meia disse que houve um certo “amadorismo” por parte do clube.

– Me falaram que eu tinha que fazer um treino para demonstrar que estava apto para jogar ou não. Nesse momento mostrei que estava ótimo para jogar. Depois acabou que as pessoas que me levaram para lá fizeram coisas que não deveriam ter feito, mas não deu certo. Senti que não fui valorizado. Não estava pedindo salário alto, só queria voltar para jogar e ajudar o clube – diz Escudero.

Mas o carinho entre Escudero e torcida rubro-negra permanece até hoje. O ex-jogador, aliás, visita a capital baiana e o Barradão sempre que pode. A última vez foi em 2023.

Fim de carreira e vida de agente

Depois do Vasco, Escudero ainda defendeu o Cuiabá, em 2019, mas já não tinha o mesmo amor à rotina de treinos. Ele ainda sofria com os problemas físicos cada vez mais comuns e a distância da família. Durante a pandemia de Covid-19, o argentino anunciou a aposentadoria e logo começou a carreira como agente de futebol.

Fonte: Globo Esporte

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