Embalado! Vasco encontra o equilíbrio ideal com Renato Gaúcho
Vasco da Gama vence Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, mostra equilíbrio na formação e segue invicto com Renato Gaúcho.

Os mais de 80% de aproveitamento de pontos em quatro rodadas sob o comando de Renato Portaluppi não deixam mentir. O Vasco engrenou! E o somatório do que foi visto nas últimas partidas, junto ao bom desempenho na vitória por 2×1 sobre o Grêmio, na tarde deste domingo, em São Januário, revelam um perfil de equipe totalmente diferente do que era buscado anteriormente.
Virar essa chave não é fácil. O Vasco deixou de ser o time das longas e – muitas vezes – infertéis posses de bola, para se transformar em um coletivo agudo. Rápido e agressivo para atacar os espaços deixados pelos adversários. Esta foi a tônica das principais jogadas produzidas diante do Tricolor, que criou pouco e está acossado pelo próprio Cruzmaltino na tabela de classificação.
Escalações
Renato Gaúcho surpreendeu ao manter Hugo Moura no time, mesmo com o retorno de Barros, que começou no banco. Foi a mesma escalação que iniciou contra o Fluminense. Luis Castro teve a volta de Arthur e montou um meio mais robusto com ele, Leonel Pérez e Nardoni. Willian foi para o banco, assim como Enamorado, que deu lugar a Tetê na ponta-direita. Caio Paulista foi o lateral-esquerdo.
O jogo
O Vasco aproveitou a atmosfera favorável de São Januário lotado para rapidamente colocar em prática aquilo que tem feito de melhor. Ser agressivo e vertical! E encontrou o cenário ideal para isso. Um Grêmio disposto a construir mais pausadamente, ter a bola nos pés para se instalar no campo de ataque, além de apresentar muitos problemas de recomposição, principalmente em seu meio-campo.
Leonel Pérez, Nardoni e Arthur sofreram para brecar o ímpeto de Thiago Mendes e Tchê Tchê em contragolpes, sem contar a volúpia de Andrés Gómez e David para cima da defesa gaúcha, que demorou apenas seis minutos para ver uma bola entrar na meta de Weverton.
Gómez ganhou de Leonel Pérez um rebote ainda no campo de defesa e deixou para Thiago Mendes acelerar a transição. David recebeu do volante e fez bela jogada pela esquerda, deixou Pavón para trás, caído, antes de cruzar para Cuiabano abrir o placar. O Vasco poderia ter ampliado a vantagem rapidamente caso tivesse mais precisão para terminar os muitos contragolpes encaixados.
Andrés Gómez teve duas ótimas oportunidades para finalizar, mas hesitou. Acabou escolhendo as piores opções na hora da definição. Nuno Moreira e David também assustaram. O volume, no entanto, seria contemplado logo depois da parada para hidratação. Balbuena errou mais um passe na linha média. Cuiabano recebeu de Gómez antes de cruzar rasteiro e David completar para a rede.
O Grêmio tinha em Arthur um centralizador da articulação ofensiva. Ele tentava ditar o ritmo e achar rotas para as proximidades da área, mas encontrava uma boa oposição de Tchê Tchê, e a maioria dos passes que dava eram laterais. Amuzu buscava se mover entre Saldívia e Paulo Henrique, deixava o corredor externo para os avanços de Caio Paulista. Dinâmica que pouco funcionou.
Pela direita, Tetê era sonolento, e Pavón pouco passava da linha da bola. Alguns passes forçados foram tentados para Carlos Vinícius. Saldívia e Robert Renan vinham reagindo bem até um erro do quarto-zagueiro cruzmaltino aos 38′. Ele foi desarmado por Nardoni na entrada da área. Cuiabano ainda tentou afastar, mas a bola sobrou nos pés de Carlos Vinícius, que bateu de virada e diminuiu.
A partir daí o jogo mudou. O que parecia estar perto de se transformar em um 3×0, virou 2×1, com a equipe visitante mais animada e, enfim, encaixando melhores ações no ataque. Pavón começou a gerar mais profundidade na direita e quase criou a jogada do gol de empate. Léo Jardim foi bem no lance e Nardoni finalizou mal no rebote.
Uma pisada em falso de Thiago Mendes, um dos melhores em campo, contribuiu para a reta final de 1ª etapa ainda mais tensa para o Gigante da Colina. Luis Castro fez duas mudanças no intervalo. Gustavo Martins e Enamorado substituíram Balbuena e Tetê. O Vasco voltou com o mesmo time, mas buscando ficar um pouco mais com a bola. Não atacou somente em contragolpes, como no 1º tempo.
Luis Castro esperou apenas dez minutos para fazer sua terceira mexida. Willian entrou no lugar de Nardoni. Pouco depois sacou o apagado Amuzu para pôr o jovem Gabriel Mec. Já Renato trocou o seu lado direito. Paulo Henrique e Nuno Moreira cederam espaço a Puma Rodriguez e Marino Hinestroza.
Apesar da busca por um estilo diferente, a principal arma criativa dos donos da casa seguiu sendo as transições rápidas. Andrés Gómez quase marcou um golaço em uma delas. O colombiano foi um dos destaques da equipe mais uma vez com seu jogo agressivo e constante.
Thiago Mendes e David saíram exaustos na metade do 2º tempo. Matheus França e Jhojan Rojas receberam nova chance. França jogou enfiado entre os zagueiros. Rojas compôs o meio-campo. O Grêmio voltou a assustar em boa trama entre Willian e Caio Paulista pela esquerda. O lateral cruzou e Enamorado bateu de chapa com perigo.
O dinamarquês Braithwaite voltou a atuar depois de mais seis meses. Ele foi o último a entrar no Imortal. Carlos Vinícius saiu. Já nos donos da casa, Cuiabano, o melhor em campo, foi o último a sair. Lucas Piton entrou aos 36′. O Vasco voltou a se retrair na reta final da partida, tentando negar os acessos do Grêmio para a sua grande área.
O ritmo da troca de passes visitante era lento. Tinha Arthur e Willian buscando algum protagonismo, mas sem conseguir efetividade e regularidade nas ações buscadas no campo de ataque. Mesmo assim, rondar a área vascaína quase rendeu o gol de empate aos 44 minutos. Saldívia hesitou em uma bola rebatida pelo Grêmio, foi driblado por Braithwaite, mas acabou salvo pelo goleiro Léo Jardim.
Apesar da tensão dos instantes finais, com direito ao goleiro Weverton dentro da área ofensiva, a torcida cruzmaltina pôde comemorar mais um resultado positivo e a subida para a momentânea nona posição no Brasileirão.
Fonte: Globo Esporte