Diniz vê pressão aumentar em temporada mais ambiciosa no Vasco
Técnico do Vasco da Gama, Fernando Diniz tem convivido com muitas cobranças da torcida neste começo de ano.

As vaias da torcida do Vasco ao elenco e ao técnico Fernando Diniz no empate em 0 a 0 com o Madureira, na segunda-feira, em São Januário, pelo Campeonato Carioca, refletiram um jogo pouco brilhante do Vasco, que criou muito, mas não conseguiu mexer no placar — além de não ter garantido a classificação às quartas de final da competição. Mas também são sintomáticas de uma temporada em que a cobrança interna e externa no clube tende a ser maior.
O trabalho de Diniz completa nove meses na segunda-feira. Diferentemente da temporada passada, o técnico iniciou o ano no comando e teve forte influência nos reforços e na formatação do elenco. Por outro lado, teve tempo muito curto de preparação antes do início das competições, dado o novo calendário e a ida à final da Copa do Brasil em 2025, que só foi decidida no dia 21 de dezembro.
A chegada à decisão contra o Corinthians, marcada por um Vasco resiliente, que superou dois arquirrivais na campanha — Botafogo e Fluminense — foi um dos méritos do trabalho em 2025. Por outro lado, o time não conseguiu repetir o desempenho regular e anímico no Brasileirão. Chegou a vencer seis jogos em uma sequência de sete, mas emendou outra de cinco derrotas consecutivas, que chegaram a causar um leve susto de chances de rebaixamento na reta final.
O fim de ano ruim também fez o aproveitamento do treinador à frente da equipe cair significativamente. Nesta segunda passagem pelo clube, são 48 jogos, com 15 vitórias, 13 empates e 20 derrotas. Um aproveitamento de 40,2% — pior que o dos antecessores, Fábio Carille (50,7%) e Rafael Paiva (46,6%), e acima apenas de Álvaro Pacheco (8,3%) na gestão de Pedrinho. Em 2026, enquanto roda o elenco entre as competições, são 2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Os números dividem opiniões sobre o treinador, que costuma ressaltar contextos quando perguntado sobre o assunto.
Extremos
Em campo, um dos maiores desafios de Diniz tem sido fugir dos extremos. Desde o ano passado, o Vasco é uma equipe que marca muitos gols, mas sofre na mesma medida defensivamente. O desempenho coletivo também costuma variar bruscamente. Num bom momento, o Vasco faz grandes jogos contra adversários complicados e em campos difíceis, como em vitórias sobre São Paulo, Cruzeiro e Santos. Num mau, cede chances e complica partidas em que tinha tudo para ser dominante.
Um exemplo individual dessa gangorra é o lateral-esquerdo Lucas Piton. Muito criticado pelo mau momento técnico e de confiança atual, o jogador entregou, na temporada passada, 7 de suas 11 assistências sob o comando de Diniz.
Internamente, há confiança na evolução do trabalho em 2026. O treinador é muito benquisto por Pedrinho e companhia pela retomada de um futebol vistoso e competitivo no Vasco, bem como pelo desenvolvimento de atletas — Rayan foi o caso de destaque — e pelo trabalho ativo junto à diretoria em contratações, que muitas vezes são facilitadas pelo contato e pela vontade dos atletas de trabalharem com o treinador.
Elenco mais forte
Por outro lado, há uma noção de que o Vasco precisa progredir significativamente em um ano de muito mais ambição. O elenco teve a perda inestimável de Rayan, mas ganhou nomes de peso como Marino Hinestroza e Brenner.
Pedidos e achados do treinador e da diretoria, como o zagueiro Saldivia e o meia Rojas, também chegaram. Os próximos devem ser o lateral-esquerdo Cuiabano e o atacante Claudio Spinelli, que permitirão variações e mais poder físico em seus setores, além, claro, de maior competição por posições.
— Sempre tem que ajustar. Terminamos o ano bem, fizemos bom jogo com o Maricá, tivemos um time modificado com o Nova Iguaçu e um jogo “ok” com o Boavista. Tivemos um jogo horrível com o Flamengo. Contra o Mirassol foi equilibrado. Aos poucos vamos nos adaptar à perda do Rayan. O que ele fazia ano passado, e iria fazer este ano, iria ajudar. Mas vamos nos ajustar, é questão de tempo. Não fomos brilhantes, mas era jogo para vencer pelo menos por 2 a 0 — analisou o treinador após o empate com o Madureira.
A tendência é que o Vasco passe a ter um elenco de qualidade correspondente à parte de cima da tabela, mais capaz de brigar por uma vaga na Libertadores. E que a complexa balança entre os bons trabalhos interno e de mercado e os resultados em campo passe a subir o sarrafo das cobranças interna e externa.
O Vasco volta a campo amanhã, às 20h, quando recebe a Chapecoense, pela segunda rodada do Brasileirão.
Fonte: O Globo