Desgaste com a torcida e defesa sólida: resumo do 2022 de Zé Ricardo no Vasco

Apesar de ter acertado o sistema defensivo e colocado o Vasco da Gama no G4 da Série B, relação entre Zé e os cruzmaltinos jamais foi de paz.

Zé Ricardo durante clássico contra o Flamengo
Zé Ricardo durante clássico contra o Flamengo (Foto: Jorge Rodrigues/AGIF)

Qual Zé Ricardo o torcedor do Vasco tem que se lembrar? O de 2017, que assumiu um time desacreditado e classificou para a Copa Libertadores? Ou o deste ano, que após um início desanimador mostra poder de reação e se segura como pode no G-4 da Série B?

No que depender do treinador, as duas opções são válidas. E talvez seja para se poupar de um desgaste ainda maior com os vascaínos e uma hipotética demissão após a chegada da 777 Partners que veio a decisão de pedir demissão e com isso acertar sua ida para o Shimizu S-Pulse, do Japão, onde terá um contrato de dois anos com opção de renovação e gordas luvas à disposição.

A verdade é que o capítulo final de Zé Ricardo em sua segunda passagem pelo futebol profissional do Vasco – já havia sido técnico do futsal nos anos 1990 – é bom tanto para o clube quanto ao treinador.

Existe, claro, a ponderação pela interrupção de um trabalho a dois dias do início de (mais) uma semana intensa na Série B, com duelos ante Náutico e o líder Cruzeiro na sequência, quando justamente a equipe parecia ter encontrado um alinhamento.

Mas – e sempre existem os mas -, a verdade é que o Vasco 2022 estava longe de empolgar uma torcida que parece de novo dar demonstrações de amor a seu time muito mais por puro sentimento de compaixão do que pela satisfação por um trabalho de excelência. E isso é muito válido, importante ressaltar.

Zé Ricardo aceitou o retorno ao Vasco ainda no ano passado, quando o clube vivia o inédito limbo de um fracasso na Segundona, sem sequer ter a sombra da 777 cogitada para assombrá-lo com uma demissão. Como é de praxe com o presidente Jorge Salgado, lhe foi entregue a chave do departamento de futebol. E passou a trabalhar. Indicou Carlos Brazil para ser o gerente, ajudou a montar uma comissão técnica fixa, apontou reforços, reestruturou departamentos e colaborou com outras áreas do clube.

Tudo isso é muito válido. Mas dentro das quatro linhas, o Vasco 2022 não engrenou. Passou um Estadual sem empolgar e sem conseguir fazer frente a seus rivais. Foi eliminado precocemente pela Juazeirense na segunda fase da Copa do Brasil. E vinha somando vitórias magras na Série B.

A lua de mel atual entre clube e equipe passa à margem de Zé Ricardo, que ao mesmo tempo em que era cobrado pelas organizadas em aeroporto, entrava em atritos com Nenê, principal líder do elenco e era xingado nos jogos em São Januário, via a torcida empolgada e esperançosa com a chegada da 777.

Enquanto mantinha o Vasco a duras penas no almejado G-4 do acesso, sem nenhum brilho, lembrou dos rivais que já desfrutam das SAFs. Enderson Moreira levou o Botafogo de volta à elite e acabou demitido por John Textor ostentando aproveitamento superior a 70%. Ronaldo assumiu o Cruzeiro e não poupou Vanderlei Luxemburgo, até então o guia da reformulação celeste após dois anos de fiasco na Segundona.

Com uma torcida fria quanto a seu trabalho e um aproveitamento pouco impressionante de 58,6% – 12 vitórias e oito empates em 25 jogos – qual a segurança de que a 777 o manteria tão logo coloque suas mãos no controle do futebol cruz-maltino? Qual apoio viria das arquibancadas ao treinador que todos pedem a saída?

Não havia segurança alguma para Zé Ricardo. E a melhor defesa da Série B e a invencibilidade, seu cartão de visitas até aqui são muito poucos para sustentar a quarta colocação vascaína na classificação, com 18 pontos, mais frágil que sólida.

Pode-se discutir o ‘timming’. Mas não a causa. Que Zé Ricardo seja feliz no Japão. Que o Vasco seja feliz na Série B. O casamento conturbado que prometia por parte dos dirigentes ser duradouro, acabou. Para o bem de ambos.

Fonte: Lance!

Mais sobre:Zé Ricardo
2 comentários
  • Responder

    Sacanagem deixar o clube as vésperas de 2 jogos importantes.

  • Responder

    Fraco desempenho e traidor.
    Diretoria o manteve contra a vontade da torcida e foi traída.
    Se o time não subir (que é obrigação) novamente a culpa será da Diretoria e Presidente Salgado.

Comente

Veja também
Pedrinho apoia Matheus França e manda recado à torcida do Vasco

O meia Matheus França teve a primeira oportunidade com Renato Gaúcho e tenta dar a volta por cima no Vasco.

Veja as opções de Renato para substituir Andrés Gómez contra o Coritiba

O Vasco não terá Andrés Gómez à disposição para o jogo contra o Coritiba, pois cumprirá suspensão automática.

SAF: Vasco prepara mudança radical nos bastidores

A diretoria do Vasco planeja recuperar 100% das ações da SAF para vender 90% ao empresário Marcos Lamacchia.

Como Alan Saldivia conquistou a titularidade no Vasco

Contratado nesta temporada, Alan Saldivia é um dos grandes destaques do Vasco da Gama e ganhou a titularidade.

Ex-Vasco brilha em equipe que disputou o Mundial de Clubes

Ex-Vasco da Gama, Arthur Sales é um dos destaques do Mamelodi Sundowns, equipe que garantiu vaga na semifinal da CAF Champions League.

Sequência do Vasco vai definir futuro de reservas no elenco

Com o calendário apertado após a Data Fifa, com três competições, reservas do Vasco da Gama devem ter oportunidades.

Campeões da Libertadores pelo Vasco revelam histórias inéditas de Eurico

Sorato, Mauro Galvão e Carlos Germano revelam detalhes sobre Eurico Miranda durante campanha do Vasco da Gama na Libertadores 98.

Thiago Mendes alcança marca importante e se consolida no Vasco

Com três gols nos últimos três jogos, o volante Thiago Mendes se consolida no meio de campo do Vasco da Gama.

Saiba detalhes da situação de Cuesta no Vasco em 2026

O zagueiro Carlos Cuesta busca espaço no Vasco após se recuperar de lesão, mas continua bem visto em São Januário.

Ramon aponta que Vasco pode ter novo nome na Seleção Brasileira

Ramon teceu elogios ao desempenho de Cuiabano, e projetou o atleta em uma futura convocação para a Seleção Brasileira.