De origem indígena, Barros mostra serviço e tenta se firmar no Vasco

Volante, destaque na Copinha, foi titular do Vasco da Gama nos clássicos contra Fluminense e Botafogo e deu conta do recado.

Cauan Barros durante o jogo contra o Fluminens
Cauan Barros durante jogo contra o Fluminense pelo Carioca 2023 (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

Poucos torcedores vascaínos começaram o ano sabendo quem era Cauan Barros. Agora, as coisas mudaram para o jovem que se destacou na Copinha e foi pedindo passagem nos primeiros meses de 2023. Além dos quatro jogos (e um gol marcado) na Copa São Paulo de Futebol Júnior, Barros estreou entrando no segundo tempo contra o Audax Rio e fez o mesmo diante do Nova Iguaçu. As duas primeiras partidas como titular foram nos clássicos com Fluminense e Botafogo.

Aos 18 anos, não se intimidou contra jogadores experientes, levou a melhor na maioria das disputas e ainda surgiu como boa opção ofensiva. Foi dele, por exemplo, o lançamento para Alex Teixeira que resultou na expulsão de Adryelson, contra o Botafogo. No mesmo jogo acertou um belo chute de fora da área e quase marcou um golaço.

O volante não era dos nomes mais badalados da base, e a primeira chance no time profissional parecia distante. O bom desempenho na Copinha, no entanto, despertou o interesse de Maurício Barbieri, além de impressionar o coordenador técnico Abel Braga e o auxiliar Emílio Faro. Antes dos clássicos, Barros havia jogado por alguns minutos contra Audax e Nova Iguaçu.

O jovem foi pinçado pela comissão técnica, se destacou nos treinos e aproveitou a brecha no time por conta da ausência de Jair nos clássicos. Deve retornar ao banco de reservas contra o Trem-AP, na quinta, mas entrou definitivamente no radar e nos planos da comissão técnica.

– Em relação ao Barros, a gente tem nesse momento tentado trazer todos os meninos que têm destaque para observar. Temos até alternado os jogadores que estão vindo para os jogos. E o Vasco tem uma base muito boa. Vimos o Barros na Copa São Paulo, e ele veio neste processo. Converso muito com Abel Braga e com Emílio Faro, duas pessoas que o acompanharam mais de perto. Ele se destacou e aproveitou a oportunidade com a ausência do Jair. Até falei isso para ele. Talvez se não fosse essa situação do Jair, ele não teria essa oportunidade tão rápida. Papai do Céu o ajudou, mas tem o mérito dele. Ele entrou e deu conta do recado. Fico muito feliz com esse processo dele e tem outros garotos como ele têm um futuro muito grande no Vasco – elogiou Barbieri, após a vitória sobre o Botafogo.

O próprio Barros se surpreendeu com a velocidade que as primeiras oportunidades como titular surgiram.

– Para mim foi uma grande surpresa. Coloquei na minha cabeça que eu tinha que ir bem na Copinha, mas pensava que eu subiria para o profissional mais à frente. Como fomos eliminados na segunda fase da Copinha, achei que seria mais difícil. Geralmente a maioria sobe quando chega numa semifinal. Foi Deus que me ajudou e o Barbieri. Só tenho a agradecer a ele – disse o volante, em entrevista à Vasco TV.

Barros assinou seu primeiro contrato profissional com o Vasco em 2021. Ele tem vínculo até junho de 2025, e o clube possui 70% dos seus direitos econômicos.

Origem indígena

Barros é indígena da etnia dos Pankararus, tribo localizada em Pernambuco, às margens do Rio São Francisco. Em entrevista à Vasco TV, nesta segunda, ele contou como começou a jogar futebol.

– Meu primeiro contato foi com bola de meia, bola de sacola. Juntava as sacolas, queimava e virava uma bolinha. A gente jogava e brincava na terra. Não passava pela minha cabeça virar jogador. Só depois que entrei para escolhinha. Meu pai sempre foi um atleta, jogava bola, mas não tinha condições de ir para clubes maiores, faltava dinheiro. Só passei a sonhar em virar jogador quando entrei para escolhinha, meus pais arrumaram empregos, e as coisas foram melhorando.

Barros chegou ao Vasco no sub-15 após se destacar no Primavera, clube do interior de São Paulo. Por pouco, no entanto, ele não foi parar no Athletico-PR.

– Fiz um teste na cidade. Fui aprovado, mas era para outro time, o Athletico-PR. Só que eu tinha que pagar o alojamento. Eu não tinha condições no momento. Minha família fez de tudo, mas infelizmente não consegui dinheiro para me manter. Eu tinha um amigo que jogava no Primavera. Ele falou com o empresário dele para me ajudar, arrumar um alojamento para mim, pois eu tinha um potencial forte… Ele me deu essa oportunidade. Fui aprovado no Primavera. O Vasco foi olhar outro atleta, mas me viu treinando e me aprovou, graças a Deus. Cheguei ao Vasco para o sub-15, agora é só sucesso (risos) – brincou Barros, aparentemente adaptado e à vontade no elenco profissional do Vasco.

Fonte: Globo Esporte

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1 comentário
  • Responder

    O a base do Vasco é um celeiro em potencial de jovens atletas ,só que muitos deles são jogados na fogueira e, parte da torcida não tem paciência e, começam a perseguir os garotos que acabam si perdendo ,espero que não aconteçam com este Barros e Rodrigo que vem dando conta do recado ,ambos são superiores a todos os que o Vasco contratou nestes dois últimos anos ,tanto Barros como o Rodrigo tem dado mas consistência ao setor defensivo ,protegendo melhor os zagueiros que inclusive ficam com liberdade de apoiar o ataque .

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