Conheça Phill Jonathan, lutador que dá a vida pelo Vasco

O lutador vascaíno Phill Jonathan, tem suporte do Vasco para participar de competições, mas ainda não treina em São Januário.

Os torcedores mais fanáticos costumam dizer que dariam a vida pelo time. Sairiam brigando se precisasse. Mas, calma, violência não é a solução e precisa ser evitada a todo custo no futebol. Quer lutar pelo clube que torce? Existe uma maneira melhor. O LANCE! conta a história do vascaíno Phill Jonathan, que tentou a carreira como jogador mas só conseguiu realizar o sonho como lutador de Kickboxing, hoje aos 28 anos. E dá a cara a bater.

- Eu me sinto privilegiado demais, nunca tinha visto ou escutado que alguém tinha sido ajudado pelo Vasco como lutador. Como toda criança tentei jogar futebol, mas infelizmente não consegui quando machuquei o joelho - conta Phill ao LANCE!, que questiona se era bom de bola mesmo.

- (Risos) Jogava, jogava bem... Fui até treinar no CFZ, mas parei por sentir muitas dores no joelho.

Assim como grande parte dos jovens brasileiros, o futebol era um sonho na vida de Phil. Vascaíno e amante dos esportes, foi até onde conseguiu e desistiu antes dos 20 anos. Depois de entrar no exército, tentou se encaixar em outra atividade para manter-se em forma e se divertir. Já havia praticado tae-kwon-do na infância e até tentou voltar. Sem sucesso. A luta, porém, era um dos planos. Pulou de galho em galho: tentou o boxe, o jiu-jitsu, até que...

- Não gosto de brutalidade, gosto de técnica. Fui me encontrando e quando conheci o Kickboxing e virou uma paixão. Comecei a praticar tarde, foi em 2012. Com três meses de prática, participei do meu primeiro campeonato e fui vice-campeão contra um atleta duríssimo. Consegui me classificar pro Brasileiro e conquistei minha vaga na seleção. Com quatro, cinco meses, foi quando comecei a me graduar no esporte que comecei a ter noção da habilidade que tinha. Sei que tem gente mais preparada, não sou o melhor. Mas vi que levava jeito e com sonho de me tornar um atleta profissional. Comecei a me focar mesmo já com 22 anos.

Hoje, seis anos depois de dar os primeiros passos no esporte, Phill Jonathan é atleta do Vasco. Patrocinado pelo clube, recebe o suporte que precisa para as competições, além de uniformes e materiais. Ele ainda não treina em São Januário, apenas nas academias de sua equipe (FX-KB). A possibilidade de praticar o esporte na Colina ainda está sendo estudada.

E como você chegou ao clube de coração pouco tempo depois de iniciar no esporte?

Então você teve que correr bastante atrás do seu sonho...

- Sim, corri muito atrás. Tem que ser, porque se ficar esperando não ia conseguir, nada cai do céu. No Kickboxing a gente tem que batalhar bastante porque não tem quem batalhe pela gente. A Federação do Estado do Rio de Janeiro não tem esse suporte, esse investimento pra patrocinar os atletas em competições internacionais. Tem que se bancar, correr atrás de patrocínios. Sempre pedi ao Vasco, que eu queria ser atleta do cube por ser vascaíno e estar ligado a marca que iria me dar mais visibilidade para conquistar patrocinadores com mais facilidade.

Phil ainda não consegue se bancar apenas com a ajuda do Vasco. Depende de patrocínios e apoios para disputar campeonatos internacionais. Mas, para ele, vestir a camisa do clube de coração está ótimo.

- Eu já estou disputando com a camisa do Vasco. Então ser dependente financeiramente nunca pensei, ainda mais pela situação atual. Pelo esporte não ter tanta força como o futebol. Esse tipo de pensamento eu nunca tive, mas é claro, a ajuda e suporte que têm me dado já está sendo de uma coisa de grande valor pra mim e de realização. Independente de receber salário, não tive essa pretensão. Sempre quis mesmo que o Vasco me ajudasse e eu pudesse representar o clube.

É diferente lutar vestindo a camisa do Vasco, então? Dá mais vontade de entrar na briga por conta do peso que carrega?

- Ah, dá sim. A primeira vez que eu fui pra uma competição internacional como atleta do Vasco, fui disputar o Chile Open. Quando saiu a matéria, já tinha um monte de vascaíno mandando mensagem nas redes sociais, falando que tinha que representar bem o clube. Umas 50 pessoas me mandaram mensagens. Já senti o clima, foi diferente a competição pra mim. Senti um frio na barriga. Estava acostumado e quando recebi as mensagens vi que tinha uma responsabilidade grande. Já sou zoado pra caramba por conta do futebol e agora como atleta se eu perder vou ser zoado. É uma motivação a mais. Fui pra disputar uma modalidade, fiz lutas duríssimas e vi que não ia voltar com medalha. Liguei pro VP do Vasco e expliquei que perdi nas quartas, numa chave difícil, apanhei muito. Fiquei em 5º. O organizador do evento me chamou pra participar de outra modalidade e fiquei em 2º. Recebi os parabéns dos meus amigos, algumas páginas do Vasco me adicionaram e mandaram mensagens. Fiquei muito feliz.

Você já veste a camisa do Vasco e sente o carinho da torcida como se fosse jogador. Não deu certo no futebol, mas começa a sentir o gostinho. Qual seu sonho agora?

- Sonho? Eu já estou mais do que realizado, cara. Só de saber que faço parte da história do clube, estou mais do que realizado. O que eu pretendo é fazer conquistar títulos para o clube, trazer maior quantidade de conquistas possíveis. Com essa minha participação hoje no clube possa deixar um legado e que o clube realmente olhe pra modalidade e se interesse em montar uma seleção vascaína.

E se tivesse uma seleção flamenguista?

- Acho que teria uma disposição a mais para bater no Flamengo (risos)

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