Filho de Edmundo relata reaproximação com o pai: ‘Tem sido bom conhecê-lo’

Alexandre Mortágua, filho mais velho de Edmundo, lançou autobiografia onde fala, entre outros assuntos, sobre sua reaproximação com o pai.

Alexandre Mortágua e Edmundo
Alexandre Mortágua e Edmundo

Alexandre Mortágua promoveu ontem uma rave de autógrafos, em São Paulo, para lançar seu livro ”Aqui, Agora, Todo Mundo – Como estou me matando & outros venenos que podem me curar”. Escrito ao longo da pandemia, o relato de 102 páginas é forte e traz desde sentimentos duros do isolamento até memórias de uma infância ao lado da mãe depressiva e distante do pai.

Em um dos recortes mais chocantes do livro, o filho de Cristina Mortágua conta que a ex-modelo fez uma espécie de exorcismo gay ao tentar afastar dele o ”demônio da homossexualidade” aos 15 anos. Sobre o pai, o ex-jogador de futebol Edmundo, o cineasta fala bem menos, mas conta que a aproximação definitiva se deu somente no ano passado.

”Há poucos dias do aniversário de cinquenta anos do meu pai, eu e ele dormimos, pela primeira vez, no quarto ao lado um do outro”, diz um dos trechos do livro. Edmundo completou 50 anos em 2 de abril de 2021.

Brutal e visceral

Em entrevista a Splash, Alexandre admite que seu livro é ”brutal e visceral”, tocando em temas delicados como depressão, suicídio, morte e drogas ilícitas. A ideia inicial era fazer um filme, mas dada a duração do isolamento, ele decidiu publicar o relato no papel.

”Era um roteiro, e durante a pandemia não existia a possibilidade de se filmar, fazer uma arte coletiva como o cinema, então virou um livro pela situação”, conta.

Alvo da mídia durante muitos anos – classificado como ”o filho gay e rejeitado de Edmundo com Cristina Mortagua” – Alexandre hoje tenta se afastar de pecha de celebridade.

”Você provavelmente chegou aqui porque leu alguma manchete em algum portal sensacionalista que ‘filho de Edmundo escreve livro autobiográfico’. Eu repito, não é isso. Este livro é sobre um momento bem específico”, trecho de ”Aqui, Agora, Todo Mundo”.

”Me vejo como um artista, uma pessoa que faz arte, e não celebridade. E a arte tem uma obrigação moral de ser um espelho do seu tempo”, diz sobre suas intenções com a obra.

”O livro fala de coisas muito poderosas para a minha geração, o que pessoas parecidas comigo estavam vivenciando durante a pandemia”, continua o autor, que nasceu em novembro de 1994 e está com 27 anos.

Escrito como um desabafo, o livro ajudou Alexandre a lidar com alguns demônios, e com isso ele espera também ajudar outras pessoas. ”Falar abertamente me ajudou a tentar ir de encontro ao equilíbrio que me permitisse realizar mais e amar melhor”, resume.

Mãe exorcista?

Se Alexandre é o personagem principal de ”Aqui, Agora, Todo Mundo”, Cristina Mortágua, sua mãe, poderia ser considerada a ”atriz coadjuvante”. O filho traz muitas memórias principalmente da infância e da adolescência complicada que enfrentou no Rio de Janeiro, antes de se mudar definitivamente para São Paulo aos 18 anos.

”Eu trato o livro como autoficção no sentido que é exclusivamente o meu ponto de vista dessa história”, destaca Alexandre sobre os pontos polêmicos que envolvem outras pessoas.

Após narrar a primeira noite fora de casa com seu primeiro namorado, Alexandre relembra a volta para casa e como foi o encontro com a mãe, que estava desesperada atrás dele após o filho ir sozinho até outra cidade, Petrópolis.

”Eu preferia quando minha mãe gritava, quebrava coisas e eventualmente me sacudia pelos ombros, do que perceber o poço de decepção que se formava dentro dos olhos dela. Resumindo: eu preferia que ela ficasse puta do que chateada”, diz o começo do relato, detalha o ritual de exorcismo ao qual Cristina submeteu o próprio filho por conta de sua sexualidade.

”Depois de muitos minutos conversando com seu deus imaginário, minha mãe se volta a mim, finalmente, e meu corpo inteiro arrepiou […] convicta de sua autoridade espiritual sobre minha vida, minha mãe não desistiu e agora perguntava para o meu demônio se o que me atormentava era o demônio da homossexualidade”.

Procurada por Splash, Cristina nega que tenha exorcizado o filho. ”Não houve exorcismo, e esse foi o grande choque que tive ao ler o livro e me fazer colocá-lo na estante”, conta a mãe, que não conversou pessoalmente com Alexandre sobre o teor do livro e diz que não gostou do que leu.

”Eu não tinha uma rede de apoio como toda mãe é mulher deve ter. Tem se falado muito nisso ultimamente. Contratei uma psicóloga e coach picareta”, diz a ex-modelo sobre a mulher que a influenciou a ”tratar” a homossexualidade do filho.

”O que havia era uma ‘missionária’ de uma igreja que orava por nós e nossa casa, e dizia que o que tinha no Alexandre era demônio e que eu tinha que escolher entre Jesus e o meu filho”, relembra Cristina.

Hoje, Alexandre entende o momento que sua mãe estava vivendo e diz perdoá-la. ”Isso tudo parte de um lugar de fanatismo religioso que acontece muito ainda hoje em dia. Isso tem 12 anos, mas ainda acontece. Tentando buscar algum entendimento ela ficou sob influência de uma pessoa que era uma fanática religiosa”, diz.

”Só escrevi sobre isso no livro para tentar dialogar com pessoas que tenham passado por alguma coisa parecida. Quis transformar o ressentimento em revolta, e revolta é uma força que faz com que a gente consiga mudar as coisas”.

Cristina, que deu à luz Alexandre aos 24 anos, diz que hoje se sente aliviada de saber que o filho conseguiu se aproximar do pai, Edmundo.

”Ele continua sendo o meu filho, o meu cotoco, o meu carequinha, o meu Lelessauro. Mas eu declaro que estou de férias como mãe. Estou orgulhosa por ele ter se aproximado do pai, ficou mais leve para mim não ter que carregar a responsabilidade de amar e educar sozinha”.

O retorno do pai ausente

Ao longo do livro, Alexandre deixa claro que teve um pai ausente. Em um dos trechos, lembra que muitas vezes era o motorista da casa que ia às suas reuniões de escola. A aproximação com Edmundo é muito recente e tem feito bem para a saúde mental dele.

”Tudo começou nesse processo de escrever o livro. No início do livro eu falo um pouco sobre a pandemia, e como ela me colocou em um lugar mental muito esquisito. E surgiu uma disposição de fazer as coisas diferentes, experimentar novidades”, conta.

”Não posso e nem quero falar sobre como se deu essa aproximação, o que ele elaborou sobre isso, mas o que eu posso dizer é que a gente tem se conhecido”.

”Conhecê-lo de verdade é melhor do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar, e não porque ele é perfeito e ideal, mas porque ele é real”, diz Alexandre Mortágua sobre o pai, Edmundo.

Hoje um homem adulto, Alexandre aproveita para dar uma nova chance a Edmundo. ”Ele é um homem real, assim como eu cheio de defeitos, cheio de qualidades, e estou tendo a oportunidade de conhecê-lo e tem sido bom”.

”Aqui, Agora, Todo Mundo – Como estou me matando & outros venenos que podem me curar” é o livro de estreia de Alexandre Mortagua e está em pré-venda no site da revista Philos.

Fonte: Splash – Uol

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