Yago Pikachu projeta 5ª temporada pelo Vasco e se declara: 'É a minha casa'

Em sua quinta temporada pelo Vasco da Gama, Yago Pikachu projeta 2020, fala sobre relação com a torcida e situação do Clube.

Camisas em quadros, fotos, desenhos e um controle de videogame personalizado. Tudo com o tema Vasco, tudo de Yago Pikachu. A sala da casa do lateral-direito reúne memórias do jogador, que iniciará, domingo, diante do Bangu, pelo Carioca, a quinta temporada em São Januário. Um ano que promete ser especial.

Desde 2016, quando foi contratado do Paysandu e se mudou de Belém ao Rio, Pikachu atuou em 205 jogos e marcou 38 gols. Virou o lateral com mais bolas na rede do Vasco. Ajudou o time a voltar para a Séria A em 2017. Virou líder do elenco. Foi campeão carioca. Virou referência da torcida.

Insuficiente. Pikachu quer mais. Com 99 gols em jogos oficiais na carreira, projeta o centésimo. De forma inédita no Vasco, clube que ele sonha ajudar a ganhar um título de maior expressão.

- Para ser perfeito mesmo, de falta. No Vasco ainda não consegui fazer. Fiz muitos no Paysandu. Quem sabe o centésimo não sai assim para poder corar e dar uma alegria? O Vasco é a minha casa. Tenho muitas amizades, conheço todo mundo no clube, do porteiro ao presidente. Tenho carinho e respeito por todos, e também sinto que eles têm por mim. Sou muito feliz aqui - projetou o atleta.

Os gols de Pikachu

Carreira: 102 (99 em jogos oficiais, 3 em amistosos)

Por times: Vasco (38, 1 em amistoso) e Paysandu (64, 2 em amistosos)

A conquista em questão é a Sul-Americana. Ao longo da entrevista, o camisa 22 citou algumas vezes o torneio. É, talvez, o principal objetivo dele e do Vasco na temporada:

- O torcedor merece por tudo o que está fazendo. É isso (ser campeão) que marca um jogador.

Ao lado da esposa Cristina e das filhas Giovanna (5 anos) e Luiza (1 ano e 8 meses), Pikachu revelou seu lado paizão, repassou sua trajetória no Rio, e disse que o time pode, sim, fazer frente ao Flamengo, elogiou Abel Braga e a ideia de praticar um futebol mais ofensivo, mostrou esperança em Germán Cano e escolheu os gols mais marcantes da carreira.

Você vai começar a quinta temporada no Vasco. Imaginava isso quando chegou em 2016? Tanto tempo lhe deu representatividade no clube e na torcida...

É raro isso na vida de um jogador, até complicado. Sinceramente, não imaginava isso quando cheguei aqui em 2016. Assinei, na época, por três anos e a ideia era cumprir, como aconteceu. No meio de 2018, teve a renovação até 2021. Estou muito feliz e orgulhoso dessa trajetória com muitos jogos e muitos gols.

Hoje, sim, tenho noção dessa representatividade. Se for falar nos anos anteriores, não tinha. Quando cheguei, o grupo tinha vários jogadores experientes e campeões. Do ano passado para cá, o grupo perdeu muitos atletas, então, sim, sei que sou referência ao lado de outros, como o Castan e Fernando Miguel. Tem muita gente nova, muita gente da base, então, eu posso ajudar, dar conselhos. Isso é uma coisa que antes eu não imaginava, mas com o tempo se vai amadurecendo.

A relação com a torcida, porém, foi igual desde o começo, não?

Foi bom desde o começo. Cheguei aqui com uma expectativa muito boa após ter feito um 2015 com 20 gols no Paysandu. A torcida adorou. Porém, a adaptação foi difícil. Eu não cheguei para jogar, mas para buscar o meu espaço. O grupo, na época, estava fechado. Aos poucos, fui crescendo com muito trabalho. O primeiro gol demorou a sair, mas surgiu no meio da Série B. Fui crescendo a partir dali. E hoje estou indo para a quinta temporada.

O torcedor deseja que eu fique o máximo do tempo possível. Eles pedem para representar bem dentro de campo. Hoje em dia é difícil um atleta ficar dois ou três anos no mesmo clube. Então, tenho essa identificação na rua. E não é só o torcedor do Vasco. O dos rivais mostram admiração, então, acho que isso mostra que o trabalho e a entrega em campo traz reconhecimento.

Um mudança é o comando técnico do time. Após a saída de Vanderlei Luxemburgo, Abel Braga assumiu. O que vai mudar?

Neste começo, o físico tem sido muito forte. É normal, pré-temporada tem de ser assim mesmo. Os treinos com bola dele são muito intensos. O torcedor verá na estreia que o nosso time terá a bola no pé, vai ditar o ritmo do jogo e vai pressionar lá em cima. Vamos jogar no ataque mesmo. Claro que, em alguns momentos da partida, vamos recuar para dar uma respirada. Agora, pelo o que eu vejo dos treinos, vamos ficar mais com a posse de bola. No ano passado, o nosso estilo era ficar esperando um pouco atrás e sair no contragolpe. Era a característica dos jogadores. Essa é a diferença que eu vejo no momento.

A sua posição muda: Abel deixou claro que será lateral ou tem chance de atuar como meia?

Claro não deixou, mas eu acredito que vou permanecer como lateral. É onde me sinto bem, joguei assim durante toda a minha carreira. Se for para ajudar o time, posso atuar no meio sem problemas. Em 2017 e 2018 foi assim. Vou estar à disposição sempre. Vou continuar trabalhando para diminuir a chance de erro e ir bem em toda a temporada.

Como lateral, entretanto, fica mais longo do gol adversário...

Sim, fico mais longe do gol. Mas me sinto à vontade para tentar ser um elemento surpresa. É tentar aproveitar o espaço entre volantes e zagueiro para fazer o gol. Na frente, é mais fácil ser marcado. Então, realmente, chego menos no gol, mas posso surpreender. Nunca foi meu objetivo ser artilheiro da equipe até porque agora temos o Cano. Há ainda o Talles Magno e o Marrony.

Mesmo sem objetivo, nos dois últimos anos, foi artilheiro do time.

A tática de não querer ser artilheiro deu certo. Sem pressão, consegui ser. Fui em 2018 e 2019. No primeiro, era ponta e depois, com Vanderlei, como lateral. Aí, fiz mais gols de bola parada. São números importantes. Vou trabalhar para isso, mas sem aquela responsabilidade para tal.

E quais foram os mais importantes para você?

Vou colocar um pelo Vasco e um pelo Paysandu, por tudo que o clube fez por mim. O meu primeiro gol como profissional foi muito importante porque foi o início de tudo (derrota para o Água Santa, pelo Paraense de 2012, por 2 a 1). E meu gol na Libertadores de 2018 com o Vasco contra o Jorge Wilstermann, em São Januário, porque era um objetivo jogar essa competição. Foi um gol bonito, cruzado. Coloco esses dois gols entre os mais importantes.

Yago Pikachu com as filhas Luiza e Giovanna

Lembranças de cada ano.

2016: coloco dois momentos bons. O título carioca e o acesso à Série A. Em 2017, a vaga na Libertadores. O 2018 foi a própria Libertadores. Há muito tempo o Vasco não participava. Foi um dos meus melhores anos no clube, tive participação muito efetiva. No ano passado, a vaga na Sul-Americana não era o que queríamos. Mas quando o Vanderlei chegou, muita gente falava de rebaixamento, conseguimos uma arrancada muito boa no campeonato, brigamos por uma vaga na Libertadores e nos classificamos para a Sul-Americana.

Espero que 2020 possa ser um ano de conquistas. Qualquer título é importante, tem a Sul-Americana, que acredito que possa ser o principal objetivo no ano. É um campeonato de mata-mata. Acredito que nesse tipo de campeonato, especialmente nos jogos em São Januário, possamos fazer a diferença. Quem sabe a gente não consiga esse título da Sul-Americana e volte à Libertadores novamente?

A relação com a torcida ao fim do ano motiva mais?

Foi uma motivação a mais. A campanha do sócio-torcedor foi fantástica. O clube conseguiu mais de 100 mil sócios em poucos dias. O Abel, quando chegou, disse que ficou impressionado com isso. O torcedor abraçou a causa e espero que continue e esteja ao nosso lado. O torcedor merece, por tudo o que está fazendo, uma conquista de Sul-Americana, uma Copa do Brasil. Seria uma forma de retribuirmos por tudo isso que o torcedor vem fazendo.

É possível bater o Flamengo, um rival histórico e campeão brasileiro e da Libertadores em 2019, logo agora no Carioca e nas demais competições?

Mostramos no jogo do Brasileiro do ano passado (4 a 4), que podemos jogar de igual para igual com qualquer adversário. É claro que cada jogo é um jogo, cada ano é um ano. Muitos jogadores que estavam conosco saíram, mas aquele jogo ficou marcado para todos nós. Acho que foi o melhor jogo do Brasileiro e temos aquilo como parâmetro.

É claro que o Flamengo conquistou tudo o que conquistou por méritos. E temos que fazer por merecer, trabalhar muito desde o Carioca, temos uma Copa do Brasil batendo na porta, a Sul-Americana começa em fevereiro. Temos que entrar fortes em todas competições. Temos muito a crescer, temos que nos adaptar rápido ao novo treinador (Abel) e dar 100%.

O argentino Cano é a única contratação e, pelo o que mostrou na Colômbia, onde marcou 41 gols no ano passado, dá esperança ao torcedor. Como ele é nos treinos?

O cara tem números impressionantes nos últimos dois anos. Foi artilheiro na Colômbia. É claro que o início é um pouco complicado para todos que trocam de país, cultura diferente. Estamos tentando entrosá-lo o mais rápido o possível com o grupo, procurando conhecer as características dele, a movimentação em campo. É um cara que vai nos ajudar bastante e temos total confiança nele. Que ele possa ser o artilheiro, junto com Marrony e com Talles. Os números mostram que ele é artilheiro. Eu, como lateral, tenho que fazer com que a bola chegue na frente para ele com qualidade para que ele balance a rede para nós.

Como superar as dificuldades financeiras que faz o clube atrasar salários?

Acreditamos na diretoria e no presidente. A partir do momento que ele nos deu a palavra, temos que acreditar. Sabemos que não é fácil, hoje poucos clubes honram com seus compromissos em dia, vivemos uma situação bem complicada. Mas a partir do momento que entramos em campo para treinar, esquecemos os problemas. Temos que fazer nosso papel em campo e tenho certeza que a diretoria está correndo atrás. Temos que acreditar, porque estamos no mesmo barco. Não podemos duvidar, porque será ruim para todos. Esperamos que esse ano seja diferente e que, dentro de campo, possamos fazer nosso papel e a diretoria faça a parte dela.

Estamos falando aqui e dá para perceber que você é um paizão mesmo.

Tenho amigos que em um ano jogam em dois clubes. Isso fica complicado para a família, com deslocamento e estudo. Quando se cria uma amizade, tem de mudar de cidade. E aí começa tudo de novo. Consegui me estabilizar aqui com a minha família. Isso é bom para as filhas na escola. Conseguimos fazer boas amizades, então, isso é importante. Somos só nós aqui. A família fica em Belém, o pessoal vem duas vezes por ano.

As minhas filhas olham as fotos de quando eu jogava no Paysandu e algumas camisas. A menor só fala em Vasco. A maior é mais esperta, entende melhor as coisas. Já contei algumas histórias de quando ela com dois meses entrou comigo no estádio. Ela entende isso. As duas torcem muito. A menor quando vê qualquer jogo na televisão acha que sou eu que estou jogando. Fala Pikachu, até porque tenho boneco no carro. Com o tempo, ela vai entender tudo. Tenho a tatuagem também. A mais velha ouve sobre futebol na escola e associa tudo também.

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