Vitor Roma explica formato de transmissão do Carioca e cita união com Flu e Bota

VP de Marketing do Vasco, Vitor Roma, explicou o novo formato de transmissão do Carioca e citou união com Fluminense e Botafogo.

Vitor Roma, vice-presidente de Marketing do Vasco
Vitor Roma, vice-presidente de Marketing do Vasco (Foto: Arquivo Pessoal)

Numa tentativa de reviver o prestígio do Campeonato Carioca, o estadual iniciou uma nova fase para 2021. Com um formato totalmente diferente de transmissão, a competição agora é transmitida em diferentes plataformas. Além de assinar com a Record TV, o torcedor poderá assistir os jogos pelo pay-per-view e pela internet.

Embora a novidade seja de certa forma atrativa, a competição acaba oferecendo um menor rendimento monetário aos clubes pelo formato e acaba testando o terreno para os cofres das equipes. Agora, o foco é digitalizar o campeonato e, quem sabe, virar uma referência no país.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Vitor Roma, novo Vice-Presidente de Marketing e Novos Negócios do Vasco da Gama explicou a proposta oferecida com a renovação no método de transmissão. Segundo o dirigente, a ideia é propor uma releitura da competição numa linha multiplataforma.

– O que está se propondo para o Campeonato Carioca é uma releitura da competição dentro de uma linha de um oferecimento multiplataforma. Pela primeira vez a gente vai ter um campeonato estadual multiplataforma. Nós vamos ter transmissão TV aberta, via pay-per-view, via TV dos clubes, estamos vendo Tik Tok, Twitch e toda plataforma possível para levar o Campeonato Carioca ao torcedor aonde ele estiver e em que plataforma ele quiser assistir. É a primeira etapa de transformar um campeonato num produto digital. Essa é uma mensagem importante e relevante que fica como atrativo adicional para essa nova releitura do Campeonato Carioca, que é o campeonato mais visto do país – afirmou.

Vitor explicou que a gestão de Jorge Salgado, novo presidente do Vasco que assumiu o clube em janeiro, chegou para negociar quando as tratativas já se encaminhavam para um ponto final. A Record foi a escolhida porque, segundo ele, se mostrou interessada em investir neste novo formato multiplataforma.

– É importante dizer que quando esta gestão (Jorge Salgado) assumiu o Vasco, havia um mandato já assinado pelo antigo presidente Alexandre Campello para a negociação do Carioca e a gente entrou no final da negociação. A Record se mostrou muito interessada em ser o player de valorização do Campeonato Carioca dentro desse conceito de multiplataforma. Eu vejo com muito bons olhos a entrada de um novo player no mercado de TV aberta e espero que outros venham a entrar também, porque quanto mais gente querendo transmitir, quanto mais concorrência é melhor. Estou feliz com a chegada da Record, fomos muito bem recebidos na festa de lançamento e contente com um novo player da TV. A principal mensagem ao público é de fato que este é o primeiro campeonato multiplataforma que a gente tem e é um caminho para transformar o campeonato em um produto digital. Acho que o caminho é muito longo, mas a gente dá o primeiro passo agora – explicou.

O novo acordo se deve à rescisão contratual da Globo com o Carioca em 2020, quando surgiu a MP do Mandante. O Flamengo, que não tinha contrato com a emissora para a competição, optou por transmitir seus jogos em diferentes plataformas. O canal, que tinha uma cláusula de exclusividade da competição no contrato, se sentiu prejudicado e optou por rescindir com todos os clubes. Roma explicou a situação, citou que o clube tinha um “ótimo contrato” que foi implodido pelo rival rubro-negro que, segundo ele, tentou se apropriar da questão da medida provisória.

– Há três semanas, o Carlos Osório (Vice-Presidente Geral do Vasco) falou uma coisa muito importante. Nós tínhamos um ótimo contrato de TV do Campeonato Carioca com a Rede Globo de Televisão. Ótimo contrato implodido pelo Flamengo, no ano passado, numa tentativa de se apropriar da questão da transmissão do canal próprio (MP do Mandante). Acabou que aquela decisão acabou implodindo o Campeonato Carioca que tinha, repito, um ótimo contrato. Pra gente repetir aqueles valores a gente vai ter que trabalhar muito e desenvolver produtos muito satisfatórios. Não acredito que seja esse ano, não vejo possibilidade até porque é algo muito recente. O Campeonato começou na quarta-feira, a gente começou o atendimento na segunda. Tivemos que fazer tudo em um mês, e um mês caótico que o Vasco estava brigando para não cair e com todas as atenções voltadas ao futebol. A gente teve que criar um produto digital do zero, que começou a ser comercializado na segunda-feira. É muito difícil compensar em tão pouco tempo, mas o que a gente espera nessa história é aprender muito. Todo produto digital é um produto derivado de interação. Interação com o público e com o consumidor – disparou.

Vitor Roma também revelou que Vasco, Fluminense e Botafogo se uniram para trabalhar em conjunto na construção do serviço de streaming via pay-per-view, elogiando a cooperação entre os três rivais. No entanto, o VP de Marketing cita que o Flamengo não foi convidado para as tratativas, já que o clube sempre afirmou que iria priorizar sua própria plataforma de streaming – a FlaTV.

– A gente quer inaugurar uma era diferente entre clubes que queiram, obviamente, estar nessa situação que é uma era de cooperação. Somos rivais, somos adversários dentro do campo, mas não há porquê não cooperar. Felizmente, Vasco, Fluminense e Botafogo tiveram essa visão da cooperação. Negociaram juntos a solução, testaram juntos, as equipes trabalharam juntos para buscar uma solução legal para os seus torcedores. Foi bastante prazeroso, foi muito rico e acho que os três clubes estão de parabéns em buscar essa solução em conjunto. Acho que o conceito é cooperação. É isso que a gente quer trazer, os clubes cooperando para buscar melhores soluções do futebol do Rio de Janeiro e para os seus torcedores. Foi bastante legal, foi uma experiência rica e vamos ver se dá certo. Vamos torcer para dar certo. O Flamengo não foi convidado porque desde o início já tinha declarado que tinha sua plataforma, seu parceiro, seu jeito de fazer e fez sozinho. Aí os três (Vasco, Fluminense e Botafogo) seguiram em frente – revelou.

Confira outros tópicos da entrevista:

O LANCE! apurou que o Carioca estava muito próximo de fechar com o SBT, mas que a Record entrou de última hora e fechou o negócio. Você confirma essa informação?

– Sim, estava encaminhado para fechar com o SBT. A SportMix, em todo momento em que tivemos acesso à eles, desde o início eles falavam que não havia nenhuma proposta fechada com ninguém, nem com a TV aberta e nem com a TV fechada. Isso tudo foi convergindo no final. Não houve uma surpresa efetivamente porque eu entendi que eles (SportMix) estavam discutindo com todas elas, mas o caminho estava aberto ainda. Havia uma expectativa sobre a proposta da Globo, que havia cancelado o contrato no ano passado. A gente tinha algumas informações de que eles queriam retomar a discussão, mas isso aconteceu com a gente já com o contrato assinado. Veio tarde demais. Efetivamente, a gente não tinha a visão ainda da Record como “outsider” e a gente ainda estava testando todo mundo -.

Ainda seguindo nossa apuração, o grande entrave do possível acerto com o SBT seria uma insatisfação de Vasco e Fluminense sobre a divisão de lucro do pay-per-view aos clubes. A informação confere?

– O que eu posso falar sobre isso é que de fato Vasco e Fluminense caminharam juntos em todo o processo da negociação. A gente só tem a elogiar inclusive a condução do Fluminense junto com a gente nesse processo. A primeira impressão que a gente fica da chegada da nossa gestão nessa conversa com o Fluminense e com o presidente Mário (Bittencourt) é muito boa. É uma realidade que caminhamos juntos comercialmente nas discussões. Não tenho tantos detalhes para dar sobre essa discussão no SBT, mas é fato que no final se conseguiu que cada clube tem seu pay-per-view, cada cadastro de pay-per-view vai para o seu clube, não há uma divisão sobre os cadastros de pay-per-view. Cadastrou seu clube como o Vasco, o dinheiro vai para o Vasco. É o que a gente sempre quis e é uma oportunidade que a torcida do Vasco tem de mostrar que a divisão anterior do pay-per-view era uma divisão que não era justa -.

Quais são os prós e contras dessa nova experiência de transmissão para o torcedor?

– É muito importante você começar a tentar interagir com o consumidor do que tentar acertar tudo na primeira tentativa. É assim que se constrói um produto digital: lançar o mais rápido possível para poder inteirar toda essa informação. O que a gente espera esse ano é fazer um produto muito legal para o vascaíno, que ele tenha prazer de acompanhar via Vasco TV e gerar uma expectativa para os próximos. A gente está cuidando disso com muito carinho e eu tenho certeza que o vascaíno vai gostar pra caramba de participar da transmissão da Vasco TV. Vamos torcer para ser um campeonato atrativo. Os Campeonatos Cariocas ultimamente tem tido problemas de atratividade por várias razões, inúmeras razões. Vamos torcer para isso não acontecer esse ano. Porque aí abre-se um leque por ser multiplataforma que você pode monetizar várias propriedades diferentes, você tem os direitos internacionais que ainda não foram vendidos e estão negociando, você tem preços diferentes para públicos diferentes, lugares e formas diferentes. Acho que transfere muita responsabilidade para as áreas de negócio dos clubes fazerem bons negócios. Você tinha uma grana garantida mais fácil e agora você tem que trabalhar melhor. Para esse ano, vai todo mundo tentar tirar um pouco dessa grana, dessa diferença. No futuro, a gente vai ter que fazer um produto cada vez melhor, não tenho a menor dúvida disso –

Alguns torcedores reclamaram dos preços estipulados pelos clubes para o serviço de pay-per-view. Existe a possibilidade dos preços serem reajustados?

– O preço foi definido em contrato e todo mundo vai vender pelo mesmo preço. Isso foi definido em contrato e foi assinado pelo Vasco antes da gente (nova gestão de Jorge Salgado) entrar. Só para ficar claro, nós não tivemos gerência sobre a discussão do preço, que estava pré-definido. Além disso, tem outro problema nessa negociação que é que eu não posso dar nenhum desconto para sócio, o que é uma pena. Eu lamento muito porque eu queria migrar todas as minhas categorias de sócio que já têm direito a ingresso e não estão podendo assistir aos jogos por causa da pandemia, eu queria migrar todo mundo para dentro do app e não vou poder por força de contrato. Isso é importante que fique bem claro. Dito isso, cada jogo vai custar menos de R$ 10,00. Acho que é até um preço adequado para a quantidade de partidas que você vai ter do seu time. Acho razoável. O maior problema que a gente vai ter que enfrentar é que a gente não conseguiu infelizmente, até pela falta de tempo e pelo fato do contrato ter sido assinado antes, casado algum tipo de benefício para o sócio torcedor que foi tão parceiro nesse ano de pandemia sem a torcida nos estádios. Essa é uma parte que eu lamento muito da construção comercial do campeonato -.

Vocês acham que, caso dê certo, o formato de transmissão pode inspirar outros campeonatos no Brasil?

– Eu não tenho a menor dúvida disso. Como eu falei no início, o Campeonato Carioca dá o seu primeiro passo para se tornar um produto digital e o futuro é que todos os campeonatos sejam um produto digital. Acho que é um processo de inovação rico que a gente traz para o futebol brasileiro, uma marca fortíssima que dá um primeiro passo inovador como sempre foi o Campeonato Carioca, que sempre foi um futebol inovador e esteve à frente dos demais e a gente agora dá mais um passo. Isso é o que mais me entusiasma nesse processo novo desse campeonato. Vamos esperar que tudo funcione muito bem, que a parte que vem da FERJ funcione bem, que também tivemos problemas com arbitragem e com tabelas complexas nos últimos anos e vamos torcer para isso ser também corrigido para ter um campeonato legal, limpo, claro, divertido e competitivo, que eu acho que é o mais importante -.

Fonte: Lancenet

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