Vasco reage com mudanças e vive noite de alívio em São Januário

O Vasco da Gama goleou o Internacional, deu fim à pior sequência de derrotas e espantou de vez o fantasma do Z4.

Jogadores do Vasco em jogo contra o Internacional
Jogadores do Vasco em jogo contra o Internacional (Foto: Jorge Rodrigues/AGIF)

O Vasco voltou aos trilhos das vitórias com uma goleada com autoridade por 5 a 1 sobre o Internacional, nesta sexta-feira, em São Januário, espantou de vez o fantasma do rebaixamento e deu fim à pior sequência de derrotas da equipe no Brasileirão.

O time comandado por Fernando Diniz mudou algumas estratégias e, principalmente, a postura para um jogo com contexto de luta direta contra o Z-4. A volta do senso de urgência foi fundamental para que o torcedor pudesse aproveitar o dilúvio que pairou o céu de São Januário para verdadeiramente lavar a alma e espantar de vez qualquer resquício de dúvida em relação a um possível descenso.

Uma das mudanças feitas por Fernando Diniz teve impacto direto logo no primeiro lance de jogo, que, evidentemente, condicionou o roteiro da partida e serviu para aliviar o turbilhão de um time pressionado pela sequência de cinco derrotas consecutivas no Brasileirão.

O treinador começou a partida com Andrés Gómez e Nuno Moreira invertidos no posicionamento em campo, dessa vez com o colombiano iniciando pelo lado esquerdo. O objetivo, como o próprio treinador explicou em coletiva de imprensa, era dar mais amplitude às subidas no corredor com Paulo Henrique pela direita e ter uma alternativa mais aguda com Gómez pelo outro lado, com Nuno flutuando mais da direita para o meio, ao lado de Coutinho.

E deu certo. Pela esquerda, o atacante roubou a bola de Aguirre, fez bonita jogada individual e anotou um golaço para abrir o placar, com menos de dois minutos de jogo.

Dessa maneira, o Vasco dava um recado claro de que a partida contra o Internacional seria diferente em relação à competitividade e à combatitividade, longe do tom passivo que permeou grande parte dos minutos de cada uma das cinco derrotas que a equipe carregava em sequência.

A equipe voltou a ser agressiva sem a bola — algo que havia sido um ponto de destaque positivo quando a equipe viveu seu melhor momento no campeonato, com as quatro vitórias consecutivas. E , assim, foi dominante em grande parte do jogo.

O segundo gol também evidenciou mais uma mudança na estratégia de Diniz para o confronto decisivo: a bola longa. O técnico, inclusive, já cobrava, nos minutos iniciais, uma movimentação de Paulo Henrique mais à frente justamente para receber esse tipo de oportunidade. Barros deu ótimo lançamento, e o lateral serviu Rayan para ampliar.

“Filme repetido” evitado em grande estilo

Nos minutos finais do primeiro tempo, o Vasco deu a bola para o Internacional e recuou bastante até ser finalmente vazado, com gol de Ricardo Mathias, no último lance do primeiro tempo. Um balde de água fria no estado anímico da arquibancada, que ensaiou uma pequena vaia ao time na descida para o intervalo.

Diniz confessou, também na coletiva, que ali passou por um breve momento a possibilidade de “filme repetido” dos últimos jogos, quando o Vasco sofreu gols nos minutos finais da etapa inicial que comprometeram a estratégia e terminaram em duras derrotas. Contra São Paulo, Botafogo e Juventude, o time foi vazado nos acréscimos do primeiro tempo e terminou com o revés.

— Passa um pouco um filme, mesmo que seja de relance, de tudo que aconteceu recentemente. Contra o São Paulo, contra o Botafogo e teve mais um que tomou pouquinho antes de ir para o intervalo. Mas, hoje, só passou rapidamente. A gente soube trabalhar muito bem o intervalo — revelou Diniz.

As fortíssimas chuvas que atingiram o Rio de Janeiro na noite desta sexta-feira impediram o reinício do segundo tempo depois dos tradicionais 15 minutos de intervalo. A paralisação de 1h30 até o gramado de São Januário recuperar as condições para a prática do futebol parece ter feito bem ao Vasco, que voltou em rotação completamente acima do Internacional e carimbou sua maior goleada no confronto contra o time gaúcho na história, com mais três gols na etapa final.

Dos três gols do segundo tempo, um destaque merecido para o primeiro. Não só por dar novo recado ao torcedor de que o Vasco tinha plena consciência da urgência que o jogo contra o Internacional representava, mas por Thiago Mendes, responsável pelo bonito lançamento de trivela para Andrés Gómez dar a assistência para Rayan marcar pela segunda vez no jogo e igualar Vegetti como artilheiro do Vasco no Brasileirão, com 14 gols.

O volante foi mais uma das mudanças de estratégias de Diniz para o jogo. O comandante optou por deixar Hugo Moura no banco de reservas e iniciar com Thiago Mendes, ao lado de Barros. O jogador de 33 anos teve boa atuação, em São Januário. Foi a segunda partida como titular em quatro meses desde sua chegada ao Vasco:

— Esses meses que ficou aqui foi ganhando muita condição. Fomos tentando colocar, nos treinos foi se destacando, tentamos colocar sequencialmente sem ir ao departamento médico, teve uma lesão. Teve que resolver problemas do Catar. Teve esse tempo para chegar no nível que jogou hoje. E mesmo assim teve cãibra hoje. Ele dá muita qualidade técnica, experiência e é um jogador grande no campo. O time melhora com ele — comentou Diniz.

Assim, toda a conturbação das últimas três semanas ficou para trás. A pressão das cinco derrotas seguidas, com direito até a protestos da principal organizada do clube no CT, deu lugar ao alívio de uma goleada por 5 a 1, e o fim de qualquer fantasma sobre rebaixamento.

Alma lavada e a ironia do destino

Com as cinco derrotas consecutivas, o cenário era, claro, de tensão. O “jogo da vida”, como tantos outros que o torcedor vascaíno precisou suportar nos últimos anos de lutas incansáveis contra a zona de rebaixamento. Porém, o jogo com o Internacional — para além de ser um confronto direto — contava com um toque a mais de ironia do roteiro do destino: a volta da família Díaz a São Januário pela primeira vez após a saída conturbada do Vasco, no início de 2024.

Ramón e Emiliano Díaz deixaram o comando técnico do Vasco, após goleada para o Criciúma, em abril do ano passado. Foram 14 minutos desde o apito final até o anúncio da saída da dupla pelas redes sociais. Tempo suficiente para surgir o problema: a dupla pediu para sair ou foi demitida? As versões divergem até hoje, e a questão foi parar na Fifa.

O reencontro com São Januário evidenciou em alto e bom som a relação desgastada com o clube. A dupla foi recebida com xingamentos na entrada em campo, assim como na saída para o vestiário após a goleada. Com a corda do pescoço na tabela, Ramón e Emiliano foram para a coletiva de imprensa para assumir responsabilidade pelos resultados e a postura da equipe colorada na goleada contra seu ex-clube.

Depois, pelas coincidências da bola, ouviram o presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, conceder nova coletiva de imprensa, ainda em São Januário, e bater com os punhos na mesa da sala de imprensa do Vasco e afirmar: “O Inter não vai cair”. Uma imagem que, certamente, acende uma memória quase viva para o torcedor vascaíno com a família Díaz.

E, no confronto direto, deu Vasco. Para espantar de vez o fantasma da zona de rebaixamento, alcançar o “número mágico” dos 45 pontos e pensar na reta final da temporada ainda com a esperança de um título para o torcedor. O time recuperou o senso de urgência a tempo de encarar de frente as semifinais contra o Fluminense e olhar para a taça da Copa do Brasil como algo, de fato, alcançável.

Fonte: Globo Esporte

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