Raul festeja boa fase, explica negociação com o São Paulo e almeja Seleção

O volante Raul, que foi o maior ladrão de bolas no 1º turno do Brasileiro, comemorou boa fase e espera seguir ajudando o Vasco.

Certamente o jogador que mais evoluiu no Vasco desde que Vanderlei Luxemburgo assumiu o comando técnico da equipe. O volante Raul chegou ao Cruz-Maltino no ano passado, com a temporada em andamento e viu o técnico Zé Ricardo, que havia lhe recomendado, pedir demissão pouco após ele pisar em São Januário. São alguns dos percalços da carreira do meio-campista de 23 anos, que foi o maior ladrão de bolas da equipe no primeiro turno do Campeonato Brasileiro (30 desarmes) e vem se destacando também nos números ofensivos. Uma mudança tática foi fundamental neste crescimento e ele conversou sobre este e outros temas nesta entrevista exclusiva ao LANCE!.

- Eu sou um cara muito família. Deus me deu uma família muito unida, casei, tenho um filho de um ano que é uma das melhores coisas que já aconteceu na minha vida, a minha família. E fazendo um bom trabalho aqui no Vasco, penso em chegar na Seleção. Sabemos que aqui no Brasil tem grandes jogadores. Mas não se paga para sonhar. Temos que sonhar. É o objetivo de todo jogador chegar na Seleção e eu penso, sim, em chegar na Seleção Brasileira - disse Raul.

Veja a entrevista na íntegra:

Como é trabalhar com o Vanderlei Luxemburgo?

É diferente. Sabemos que ele já treinou grandes clubes do Brasil e da Europa. Se você vir, ele procura ajudar todo mundo. Do mais novo ao mais velho ele tenta passar a experiência dele. E isso vem nos ajudando na competição. Nos momentos difíceis, ele falou para que continuássemos trabalhando porque os resultados viriam. Infelizmente oscilamos em jogos que poderíamos ter vencido, mas não conseguimos. A gente vem tendo um bom desempenho. Acredito que vamos brigar por coisas maiores nesse campeonato.

Como foi a mudança tática de primeiro para segundo volante?

Essa mudança foi válida, pelo desempenho que venho tendo, estou chegando mais na frente. Alguns jogos como primeiro volante eu quase não apareci. Para o grupo eu tinha importância, vinha fazendo meu papel e correspondendo à parte tática, que é o mais importante. E quando passei a jogar um pouco mais na frente, tive chances mais claras de gol. Venho ajudando a equipe com passes, ajudando na marcação também. Cheguei a jogar alguns jogos (Ceará) e como ponta também, com o Lisca. Eram três volantes e eu fazia pelo lado (como o Rossi no Vasco). Fiz aqui, na partida contra o São Paulo. O Zé Ricardo que me trouxe, mas ele pediu demissão dias depois. De todo modo eu sou grato a ele por ter reconhecido meu trabalho, ele que me deu a oportunidade de vir para cá.

Você admitiu que torcia pelo Vasco na infância. Como é essa relação?

Meus pais são vascaínos. Comparavam roupinhas do Vasco e eu sempre fui apaixonado por futebol. Quando comecei, em outros clubes, viramos profissionais, começamos a torcer pelo clube que jogamos. Mas quando recebi o convite do Vasco eu fiquei meio sem acreditar e não pensei duas vezes. Era o clube que eu torcia na infância, então era uma honra jogar. Aceitei o desafio. Cheguei e fiquei admirado, a ficha demorou a cair. Graças a Deus venho fazendo bom papel em campo. Família toda feliz. Minha esposa é vascaína também, meu filho tem um ano, já foi em jogos. Sou muito feliz.

Raul, volante do Vasco

Como foi a negociação com o São Paulo e por que não deu certo?

Esteve perto. Fiquei muito feliz pelo reconhecimento no começo da temporada. Eu tive muito perto de ir para o São Paulo, mas o presidente sentou comigo, falou que tinha um projeto muito bom de brigar por coisas boas na competição deste ano. E eu quero fazer parte dessa retomada do Vasco. Antes de a competição começar, muito se falava que o Vasco era um rebaixado. Esse grupo merece coisas melhores, até pelos que falaram antes. Estamos mostrando e temos muito mais a mostrar a todos que falaram mal que esse grupo é merecedor de tudo que vem fazendo. Então eu, o presidente (do Vasco, Alexandre Campello) e o meu empresário conversamos, e sabíamos que havia o interesse do São Paulo, mas não foi uma coisa tão boa para mim. Aqui eu já estava adaptado e sabia que poderia ajudar muito meus companheiros. Optei por ficar e espero ajudar mais ainda no decorrer da competição.

Houve polêmicas na época... o que aconteceu na sua saída do Ceará?

Nunca me pronunciei sobre essa relação com o presidente do Ceará. Hoje tenho grandes amigos lá no clube. Jogadores que subimos da Série B para a Série A. Éramos uma família. Amigos, irmãos. Não tínhamos vaidade com nada. Na minha saída, meu contrato terminava em maio e ele me chamou para uma reunião. Não chegamos nem em valores nem em tempo de contrato. Achavam que eu ficaria desempregado. Quando chegou a proposta do Vasco e souberam que eu vinha para o Vasco, muitos não acreditaram. Jogaram muitas coisas em mim que não são verdade, alguns amigos sabem que o que foi falado não é verdade. Mas entrego tudo na mão de Deus. Trabalho no meu dia a dia pensando no amanhã. Sei que trabalhando forte hoje, coisas boas virão com o decorrer do tempo. Atiraram muitas pedras em mim, fui construindo meu caminho e, graças a Deus, está dando tudo certo.

Como foi a emoção de jogar em São Januário pela primeira vez?

Minha estreia foi Vasco x Sport. Começamos vencendo o jogo, depois o Sport empatou, a gente fez 2 a 1, era o Jorginho o treinador. Quando ele me chamou eu fiquei meio sem acreditar. Mas depois do primeiro toque a gente fica mais tranquilo. Graças a Deus conquistamos uma vitória sobre o Sport que, se não me engano, era o vice-líder da competição. Depois teve a parada para a Copa do Mundo, depois tive sequência boa de jogos. Este ano, graças a Deus, venho me firmando como titular e estou bem feliz.

Já existe conversa para renovação do contrato (o atual vence em 12/2020)?

Sempre sou bem focado nos jogos. Essa parte de contratos eu deixo com meu empresário, que cuida. Sabemos a importância de nos mantermos na Série A para começar, ano que vem, do zero com o Luxemburgo. Ele pegou o campeonato começando, conquistamos algumas vitórias antes da parada para a Copa América, quando ele implementou o trabalho dele, mas não é a mesma coisa de dar o trabalho desde o começo da temporada. Espero que a gente consiga fazer o nosso papel esse ano para, no ano que vem, conquistarmos coisas melhores.

Como foi a conversa para a mudança de função?

Nos jogos contra o Internacional e Ceará, e contra o Fortaleza, eu joguei de primeiro volante. Com a chegada do Richard, durante a parada para a Copa América, ele (Luxa) perguntou se eu fazia essa função um pouco mais na frente. Porque eu tinha força e ajudava na marcação. Eu falei que fazia porque independentemente da posição eu quero ajudar meus companheiros e a equipe. Seja qual for a posição, primeiro ou segundo volante, pelos lados, quero ajudar meus companheiros da melhor forma possível.

Qual a projeção que você faz para o Vasco para o fim do Brasileiro?

Vendo meus companheiros, o grupo que temos, a força que temos, eu acredito que vamos lutar por coisas boas. Passamos por muitas dificuldades e nunca deixamos de trabalhar. Passo a passo vamos brigar por G6 ou Sul-Americana. Acho que temos grupo para chegar lá.

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