Ramon Menezes é apresentado virtualmente como novo técnico do Vasco

Ramon Menezes foi apresentado oficialmente online como novo técnico do Vasco da Gama e chega com 'sangue nos olhos'.

Eliminar o River Plate, da Argentina, marcou a campanha do título da Libertadores de 1998, fez a torcida criar música até hoje cantada nos estádios e deu início a uma admiração de Ramon a Marcelo Gallardo. Apresentado nesta sexta-feira de forma oficial como novo técnico, o ex-jogador relembrou do duelo, disse que o atual comandante do River Plate é uma referência, se definiu como um representante dos vascaínos e resumiu o sentimento diante do maior desafio da nova carreira: "sangue nos olhos".

Ramon, 47 anos, o substituto do demissionário Abel Braga, foi apresentado de forma inovadora. Por conta da pandemia do novo coronavírus, jornalistas enviaram perguntas em vídeo à assessoria do clube, que fez uma transmissão ao vivo pelo Vasco TV.

- Vou trabalhar muito para sempre colocar no Vasco no melhor lugar possível. É um clube que tenho carinho, respeito, identificação. Sei da grandeza do clube e do torcedor. Sou mais, sou um representante do torcedor. Eles também me enxergam dessa maneira por tudo que tive a oportunidade de fazer como atleta. Estou feliz e louco para começar o mais rápido possível. Tenho um carinho enorme, sei da responsabilidade, mas estou com muita vontade, sangue nos olhos - disse, para completar:

- Gallardo é uma referência, sim, a gente jogou contra naquela Libertadores, aquele confronto foi a nossa final. É bonito de ver a história dele assim como a do Renato Gaúcho no Grêmio. A minha maior referência, porém, estará ao meu lado: o professor Lopes, que tem o DNA vascaíno.

No River desde 2014, Gallardo é o treinador mais vitorioso em atividade na América do Sul. Ganhou duas Libertadores, uma Sul-Americana e três edições da Recopa. Pelo Vasco, Ramon somou três passagens como jogador (268 jogos e 95 gols) e foi campeão brasileiro, da Libertadores, do Rio-São Paulo e Carioca. Assumiu como auxiliar em 2018 e agora terá o seu ex-técnico Antônio Lopes como coordenador.

Um pouco antes do novo técnico começar a falar, o presidente Alexandre Campello anunciou que lançará uma campanha para arrecadar alimentos destinados a comunidades carentes neste período de quarentena. A iniciativa será detalhada no domingo, mas quem quiser ajudar poderá levar as doações a São Januário.

Ramon durante apresentado pelo Vasco

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Trabalhar com Antônio Lopes e Júnior Lopes

Recebi com muita satisfação e orgulho trabalhar com Lopes. Eu aprendi muito com ele, fez parte de uma geração vitoriosa. A gente sabe o quão difícil é. Ele tem o DNA vascaíno. O Junior é qualificado, respira o Vasco há muitos anos e isso será muito importante. A gente tem conversado sobre a formação da CT, vamos chegar a um consenso. Vamos trazer mais um auxiliar e mais um preparador físico. Tenho ótima relação com quem está no clube, vamos ter integração total. O ambiente é fantástico. Os jogadores são guerreiros, tenho orgulho de vê-los trabalhar. A força do trabalho é essa.

O Lopes, então, tem o DNA vascaíno. É uma referência como pessoa, como pai de família e como grande profissional que é. Ele deixou o nome registrado na história do futebol brasileiro. Teve o nome na história do Vasco, e eu tive a felicidade de fazer parte disso. Fico feliz de voltar a trabalhar com ele. O Júnior se preparou muito, vai seguir os passes do pai. Fez as últimas licenças na CBF, fizemos os cursos juntos. Ele trabalhou com grandes treinadores, com Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes. Ele vai agregar muito ao trabalho.

Carinho da torcida

Fiquei muito feliz com as mensagens que eu recebi. Sou um torcedor. Sei o que a torcida deseja, então, estou com a faca nos dentes para começar a trabalhar.

Elenco x resultados

A minha projeção é pautada em cima do meu trabalho e do trabalho dos jogadores. Eles são grande profissionais, temos várias lideranças no grupo. O elenco é bom de trabalhar, eu conheço a característica de todos. Eu tenho certeza de que vamos fazer um grande trabalho, é o meu objetivo.

No Carioca, temos dois jogos e há a obrigação de ganha-los. A classificação não depende só da gente. Respeitamos os rivais, mas tenho de ganhar esses dois jogos. Na Copa do Brasil, uma competição importantíssima ao clube e aos jogadores, perdemos na ida de 1 a 0 ao Goiás. Vamos, com todo o respeito, mas com a força e determinação do grupo reverter o quadro fora de casa. Na Sul-Americana, com a situação do coronavírus, está em aberto, mas eu quero ir longe.

Estilo de jogo

Cada um tem uma metodologia, cada um pensa de uma maneira. As experiências que eu trago foram positivas e importantes para eu chegar aqui. Eu enxergo futebol como um jogo bonito e voltado pela organização. É a organização defensiva, ofensiva e nas bolas paradas. Eu acho que o jogador tem de ter função dentro de campo. Eu conheço os jogadores, isso está a meu favor. Vamos trabalhar muito, esse é o nosso objetivo.

Primeira chance em time grande

A capacidade passa pela oportunidade. É uma grande oportunidade na minha vida e na minha carreira. Eu não sou o primeiro e tampouco o último a começar desta maneira. Desde que me entendo por gente, respiro futebol. Meu pai jogava futebol, meus tios também. Aos 11 anos, fui para o Cruzeiro. Em sete anos cheguei ao profissional, que durou até 2012. Foram 22 anos de atleta, o que me traz bagagem muito grande. E muito tempo na Série A. Eu vivi grandes momentos, joguei com grandes jogadores e trabalhei com grandes treinadores. Quando parei de jogar, tem a parte didática. Eu fiz todos os cursos da CBF nos últimos cinco anos. Eu estudo e respiro futebol 24 horas por dia. Confio muito nisso. O momento interno é bom, de confiança nos atletas e no trabalho.

Formação do grupo

Vamos planejar. No elenco, temos 37 ou 38 jogadores. Destes, 24 oriundos da base. O Vasco tem por característica revelar os jogadores. Edmundo, Felipe, Carlos Germano, Pedrinho... Mais atrás tem Romário, Yan, Gyan, Mauricinho... O Vasco sempre teve facilidade em revelar. Agora, temos de tomar cuidado para não queimar etapas. Hoje é tudo muito precoce. Se ele não fizer tudo o que se espera, o jogador pode se perder. Então, temos de ter cuidado.

Esquema de jogo

Todo treinador tem o seu, mas ele tem de e adaptar ao que tem nas mãos. Eu sou estudioso, gosto de ver jogos. Já falei aqui que me pauto em cima de organização, função e equilíbrio nos setores. Vou sempre estudar muito o adversário, afinal, ele também te estuda. Ele avalia como você ataca, como você marca, como você sai da defesa, se você marca adiantado ou recuado. Então, eu conheço o elenco e afirmo que o elenco gosta de trabalhar. Vamos conversar muito a respeito disso e tenho certeza de que teremos entendimento legal.

Cobrança de faltas

Pode ser talento nato e pode ser trabalho. Às vezes, o jogador tem talento e peca pela disciplina. E tem o jogador que tem menos talento e consegue se desenvolver com o treinamento. Em 2019, o Vasco foi o time que mais fez gol de falta. Neste ano, ainda não marcamos. Vamos trabalhar muito isso. Fico feliz pois depois que cheguei ao clube houve um consenso de fazer esse tipo de treino. Hoje isso faz parte da metodologia do clube. A falta é um estímulo ao atleta. A bola para decide jogos, então, temos de treinar.

A demanda física hoje é muito grande. Em jogo e treino, o atleta percorre uma distância muito maior do que no passado. Agora, em uma semana cheia, se tem condições sim de treinar cobrança de faltas. Eu falo aos jogadores que vai ter, no máximo, três chances em um jogo. Então, tem de estar o máximo concentrado para fazer o gol.

Conversa com jogadores após anúncio

Eu fiquei feliz demais. Recebi ligação de jogador, mensagens e comentários em rede social. Tenho carinho e respeito muito grande por eles. A gente tem muita liberdade. Eu volto a falar: vivo o meu melhor momento no clube de confiança de trabalho e de conhecimento dos atletas. Vejo ambiente propício para, junto com eles, fazer um ótimo trabalho. É bonito de ver a dedicação deles

Torcida terá mais paciência por você ser ídolo?

Eu sou um representante do torcedor, que me vê como vascaíno e um cara que vai dar a vida ali. Como foi na minha época de jogador. Eu sempre vesti a camisa de verdade, em todas as passagens. Isso tudo ajuda no processo de construção do trabalho. O torcedor é fundamental, a gente precisa da energia fantástica dele.

Sub-20

O Vasco tem por característica usar a base. Todo mundo é muito importante, a juventude tem espaço. O trabalho na base é bem feito, temos jogadores com muita condição. E eles precisam continuar evoluindo. Temos lideranças que ajudam, como Castan e Fernando Miguel. Eu já fui jovem, subi ao profissional com 17 anos do Cruzeiro e sei o que é assumir responsabilidade cedo. Então, temos de ter cuidado.

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