Juninho, irmão de Bruno Henrique, exalta Ramon Menezes: 'Muito grato a ele'

Juninho, irmão mais velho de Bruno Henrique, do Flamengo, exaltou e agradeceu Ramon Menezes, novo técnico do Vasco.

Multicampeão por Cruzeiro e Vasco na época de jogador, Ramon Menezes agora é técnico de futebol. Enfim, o sonho alimentado desde antes de pendurar as chuteiras passa a ser realidade. Com a prancheta na mão, sobe no lugar mais alto do pódio logo de cara: sagra-se campeão invicto da terceira divisão do Goiano com a ASEEV em 2015. Só que, no Anápolis, as coisas não engrenam, e em ambas as passagens ele é demitido com poucos meses de trabalho. O Ramon treinador tinha - e certamente ainda tem - muito o que aprender.

A experiência no Guarani da cidade de Divinópolis serviu para consolidar a parceria do técnico com o irmão de um dos jogadores mais badalados do futebol brasileiro no momento. No entanto, a exemplo do que aconteceu no Joinville, clube pelo qual tem um carinho gigantesco, Ramon falhou na tentativa de evitar um rebaixamento. Tudo isso fez com que o comandante criasse casca, e tem gente que jura que viu no comando do Tombense em 2018, seu trabalho mais duradouro até aqui, um Ramon bem mais inquieto na beira do campo.

O GloboEsporte.com conversou com quem acompanhou de perto o início da carreira do comandante Ramon Menezes, novo técnico do Vasco. Essa é a segunda reportagem. A primeira, publicada na terça-feira, você confere no link abaixo:

Ramon adota um xodó

Vocês se lembram do Juninho (pedi para que guardassem esse nome)? Ele foi o autor do gol salvador que garantiu à ASEEV o empate com o Bom Jesus no jogo de ida da semifinal da Série C do Goianão em 2015. Pois bem, Ramon Menezes levou Juninho para o Anápolis e, em seguida, para o Guarani de Divinópolis. A passagem do treinador pelo Bugre no primeiro semestre de 2016 foi o terceiro trabalho dos dois juntos e serviu para selar essa parceria.

Juninho é Wander Nunes Pinto Júnior, irmão mais velho de Bruno Henrique, atacante do Flamengo. Sem o mesmo naipe do melhor jogador da última Libertadores, ele também tem a velocidade a favor e faz os seus golzinhos, embora atualmente se dedique apenas ao futebol de várzea, onde atende pelo nome de Juninho Neymar. Na tentativa de se profissionalizar, conheceu Ramon e virou xodó do treinador.

- Quando ele foi demitido do Anápolis, eu perdi muito espaço - recorda Juninho, aos 30 anos. - Mas ele logo depois assumiu o Guarani e me chamou de novo.

- Sou muito grato a ele, tanto pelo pessoal como pelo profissional. Muitas coisas que sei, eu aprendi com ele. Questão de posicionamento, de velocidade para jogar dentro da área e dos lados... Superação, determinação, garra. Isso tudo. Na época eu estava naquela transição de amador para profissional. E fazer essa transição com alguém como o Ramon, que acreditou no meu potencial... Não tem como agradecer pelo que fez por mim - conta Juninho, que agora, no tom de brincadeira, diz que aguarda sua chance no Vasco: "Quem sabe (risos)".

No Guarani, Ramon foi convocado para apagar uma fogueira. O time ocupava a lanterna do Campeonato Mineiro restando quatro rodadas, e um dos jogos ainda era contra o Cruzeiro. O ex-jogador voltou a trabalhar em Minas Gerais, estado em que nasceu, pela primeira vez desde que saiu do Galo em 2002, para assumir uma missão complicada. "Nesse momento o espírito tem que estar lá em cima, junto com a vontade e a determinação", disse o comandante assim que assumiu.

A estreia contra o Boa Esporte se deu depois de três treinos, mas foi possível enxergar uma melhora no empate por 2 a 2 em casa. O resultado mantinha a equipe viva na briga contra a degola, ainda que o ideal fosse uma vitória. Nos bastidores, o que se via era um Ramon Menezes cada vez mais desvinculado da sua imagem de jogador, como conta Vinícius Morais, atual presidente do clube que ocupava o cargo de VP de Futebol na ocasião.

"Ele não trazia essa imagem para dentro de campo. Por exemplo, uma característica forte que ele tinha como jogador era a cobrança de falta. Aí de vez em quando os torcedores no CT pediam para ele bater falta, e ele não batia. Dizia que era para não criar uma disputa com os próprios atletas. Ele virou a chave para ser treinador", relembra.

O curioso é que, contra a Caldense, no segundo jogo com Ramon no comando, o Bugre venceu por 1 a 0 justamente com um gol de falta de Romarinho, marcado aos 43 minutos do segundo tempo.

O problema é que Ramon e seus comandados nada puderam fazer no jogo seguinte, quando foram derrotados por 2 a 0 para o Cruzeiro, com gols marcados por Alisson e Juan Sánchez Miño ainda no primeiro tempo. Na última rodada, o Guarani precisava vencer o seu jogo e torcer para a combinação de outros resultados. Venceu: 2 a 1 sobre o Villa Nova. Mas teve sua queda decretada graças à vitória do Tombense sobre o Uberlândia. Ramon não conseguiu evitar o rebaixamento para o Módulo II do Campeonato Mineiro.

Ramon Menezes busca melhorar o Vasco

Uma relação de carinho com o Joinville

De volta a 2011, quando amadurecia os planos de se tornar treinador enquanto postergava a aposentadoria dos gramados como pudesse, Ramon passou pelo Joinville. Nada de muito importante aconteceu entre aquele punhado de jogos pelo Catarinense, pela Série B do Brasileirão e Copa Santa Catarina. Mas, como descreve Gabriel Fronzi, repórter da Rádio FM89 responsável pela cobertura diária do JEC, o ex-jogador iniciou ali "um relacionamento com o clube e com a cidade".

Pouco após pendurar as chuteiras e certo de que já havia absorvido bastante conhecimento com o estágio no Botafogo, isso já no fim de 2013, ele retornou. Ocupou o cargo de auxiliar fixo da comissão técnica do Joinville e, no início, prestou serviços ao treinador uruguaio Sérgio Ramírez. Mas foi ao lado de Hemerson Maria em 2014 que o trabalho fluiu a ponto de se refletir em resultados que ficaram na história do clube.

- A gente teve um entrosamento perfeito porque eu também sou perfeccionista - acredita Hemerson, que acabou de assumir o Brasil de Pelotas. - O Ramon é um cara muito organizado, trabalhador. Ele fazia os trabalhos de complemento com os atacantes. O Edigar Junio e o Jael, na época, foram jogadores que evoluíram muito com ele no trabalho de finalização, passaram a ser mais decisivos no momento de finalizar.

De fato, 2014 é até hoje a temporada mais artilheira dos dois atacantes: Jael fez 19 gols, e Edigar, 16. Os dois, que por coincidência estão atualmente no futebol japonês, também ficaram entre os goleadores (cada um com 12) da Série B do Brasileirão daquele ano, conquistada pelo Joinville. Edigar diz que aprendeu muito com o "Ramonzinho".

"A gente fazia várias situações de finalização, de todo jeito, simulando como se estivesse numa partida mesmo. O Ramonzinho foi bastante importante na minha carreira. Além de ser um grande profissional, é uma grande pessoa, um cara do bem. Digo isso porque, além dos trabalhos que a gente fazia depois dos treinos, ele me dava muitos conselhos. Isso foi fundamental para o prosseguimento da minha carreira", afirma o atacante Yokohama F-Marinos.

Ramon deixou o clube catarinense depois do título para ser técnico da Associação Esportiva Evangélica, em Goiás: "Ser treinador é o meu objetivo de vida". E a partir daí vocês conhecem a história.

Eis que em 2016 Ramon foi convidado para lidar com uma situação completamente diferente: livrar o Joinville da queda para a Série C. O time ocupava a vice-lanterna. Sete pontos atrás da primeira equipe fora da zona de rebaixamento. A 12 rodadas do fim. "O JEC estava mal à beça", recorda o repórter Gabriel Fronzi, que conta também que a primeira grande mudança com a chegada do treinador foi espiritual: os jogadores passaram a se reunir todos os dias antes do início dos treinamentos para rezar.

Um spoiler: não, Ramon não conseguiu, e o Joinville caiu para a Série C naquele ano. Mas ele fez com que a equipe levasse essa briga até o último jogo. Na verdade, o rebaixamento se deu de forma dramática graças a uma vitória do Oeste (que na ocasião não vencia há 16 rodadas) sobre o Náutico em Pernambuco na rodada derradeira do campeonato. Fronzi acredita que o destino da queda foi traçado muito antes da contratação do técnico.

- O trabalho dele no Joinville foi evoluindo. O que atrapalhou foi o fato do clube ter contratado 35 jogadores na temporada, ou seja, era um trabalho sem eira nem beira. Teve um jogo, por exemplo, contra o Bragantino em casa que empataram em 1 a 1, e o Jael perdeu dois pênaltis, aos 37 e 41. E aí f*** o trabalho do Ramon - relembra o repórter, referindo-se ao duelo da rodada 35.

Ramon saiu do clube ao fim da temporada. Mas não sem antes deixar um recado:

"Conviver com todos esses problemas e manter a concentração da equipe em alta não é fácil. Mas demos o nosso melhor, sou grato e, mesmo sem me sentir culpado, peço desculpas aos torcedores e a todos que ficam. Essa seria minha vontade, permanecer. Não vim com planejamento de ficar apenas doze jogos, mas cumpro ordens e, infelizmente, não posso dar sequência ao trabalho".

Chega a Tombos um Ramon mais "sanguíneo"

O convite para dirigir o Tombense veio no final de 2017, depois de mais uma passagem frustrada de Ramon pelo Anapólis. De volta a Minas Gerais, o treinador teve no clube da cidade de Tombos a oportunidade de participar do planejamento por inteiro, indicar reforços e se armar para a temporada que teria, além do Campeonato Mineiro, a Série C do Brasileirão. A escolha por Ramon se deu pela "experiência" que o ex-jogador carrega consigo, segundo o presidente Lane Gaviolle explicou ao GloboEsporte.com.

O Tombense é um clube de conhecida tradição no estado, mas não mede forças com o trio Cruzeiro, Atlético e América. De modo que seu objetivo no estadual é sempre chegar entre os quatro primeiros. Gaviolle conta que Ramon entendeu bem os planos do clube e tentou corresponder pondo a cara no trabalho e nos estudos. De maneira até exagerada.

- Tem hora que tem que tirar ele. Ele sai do jogo, já senta no ônibus e vai estudar. Tem que falar: "Ramon, vamos tomar uma cerveja, vamos jantar" (risos) - se diverte o presidente ao recordar.

Dentro de campo, Ramon Menezes teve o trabalho muito bem avaliado pela diretoria naquele estadual, embora a campanha do time em termos de resultado tenha sido apenas razoável. O Tombense não conseguiu tirar um ponto sequer dos três grandes e todas as vitórias foram conquistadas em casa. Classificou-se para as quartas de final para enfrentar o Tupi, empatou em 0 a 0 em Juiz de Fora no tempo regulamentar, mas acabou eliminado nos pênaltis: 4 a 2. Na classificação final, ficou em quinto, uma colocação abaixo da meta.

Com a notícia de que seria mantido para a Série C, Ramon recebeu pela primeira vez a chance de disputar duas competições com a mesma equipe no ano. E o início no torneio nacional parecia promissor: nas oito primeiras rodadas, sofreu duas derrotas fora de casa (para Tupi e Luverdense), venceu quatro e chegou a liderar o Grupo B. Dentre as vítimas, estava o Joinville. O amadurecimento tático e principalmente a postura de Ramon fora de campo surpreenderam quem o conhecia dos tempos do clube catarinense.

- Aquele Ramon que eu vi era um Ramon mais pronto, mais participativo - descreve o repórter Gabriel Fronzi, que trabalhou na derrota do JEC. - Vou dar um exemplo: a imagem do início do trabalho dele no Joinville é a mesma imagem do Ramon jogador na reta final no Vasco, que é a de um jogador mais cerebral e pouco sanguíneo. Não que o técnico precise ser sanguíneo. Mas o fato de ter um treinador de um pouco mais de vigor às vezes se faz valer.

Contudo, por algum motivo a bola parou de entrar, e os resultados estagnaram. O Tombense de Ramon Menezes entrou numa sequência de seis jogos sem vencer, sendo cinco derrotas. Até que, depois de perder para o Operário no Paraná, na metade de julho, a diretoria decidiu demiti-lo, colocando um ponto final no trabalho que havia começado em novembro do ano anterior. Oito meses, portanto. É o trabalho mais duradouro da carreira do treinador até aqui.

Em três anos, de 2015 a 2018, Ramon passou por ASEEV, Anápolis (duas vezes), Guarani de Divinópolis, Joinville e Tombense. Era hora de parar um pouco para retomar fôlego e finalizar os estudos. Era hora de aceitar o refúgio no lugar em que ele jamais deixou de ser bem-vindo. Era hora de voltar ao Vasco da Gama.

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