Futebol Feminino: Pimentinha fala sobre os desafios para ser jogadora de futebol

Pimentinha, de 18 anos, do Vasco da Gama, falou das dificuldades que enfrentou para realizar o sonho de ser jogadora profissional.

Pimentinha, jogadora do Vasco
Pimentinha, jogadora do Vasco (Foto: Bruna Teixeira/Vasco)

Nayra Marceli, mais conhecida como Pimentinha, tem 18 anos e joga pelo Vasco desde o ano passado. Natural da Ilha de Trambioca, no Pará, a atleta deixou família e amigos para jogar no Rio de Janeiro e dar continuidade ao sonho de fazer do futebol a sua profissão. Pimentinha começou a jogar ainda criança, e sua primeira oportunidade surgiu em um time criado pela própria família.

– Minha família viu que eu tinha talento e eles sempre me disseram para treinar. O tamanho não me favorecia tanto, sou bem baixinha, tenho 1,45m, mas mesmo assim minha família sempre me deu forças. Meu pai e meu primo montaram um time chamado Atlético, lá na Ilha de Trambioca. Tinha até um campeonato, e eles me colocaram para jogar. Foi o primeiro time em que eu joguei na minha vida. Desde então, fui me apaixonando cada vez mais pelo futebol – conta a jogadora.

O talento da Pimentinha também foi notado no colégio em que estudava. Ao ser vista jogando futebol nas aulas de Educação Física, foi convidada para jogar pelo time da escola. Em seguida, passou na seletiva do time de Bacarena, município do Pará. Foi a partir deste momento que os treinos ficaram mais frequentes e a preparação mais séria. Segundo ela, essa etapa foi essencial no seu desenvolvimento profissional, pois o treinador do time a ajudou a superar alguns desafios.

– Foi no time de Bacarena que conheci o treinador Raimundo, que eu considero um pai para mim. Foi uma das pessoas que mais me ajudaram na minha trajetória. Quando ele me viu jogando, viu que eu tinha talento, mas que precisava melhorar algumas coisas. Quando eu comecei, eu chutava a bola e caía. Eu fazia tudo certo, mas na hora de chutar eu caía. Ele começou a me treinar, comecei a ganhar massa muscular. No final do campeonato, eu fiz um gol de fora da área. Foi então que vimos que o trabalho deu resultado.

Ainda no Pará, Pimentinha passou em outra seletiva, dessa vez de uma empresa, e teve a oportunidade de jogar durante um mês na Noruega, onde ficou em terceiro lugar com o time e foi a artilheira da disputa. De volta ao Brasil, teve passagens pelo Paysandu, Remo e Pinheirense, pelo qual disputou o Campeonato Brasileiro sub-18 em 2019. Logo depois, foi convidada pelo Iranduba e, por fim, pelo Vasco.

No Rio de Janeiro, Pimentinha relembra os momentos de dificuldade que passou para chegar até aqui:

– Quando eu jogava no Remo, tomava mingau de farinha quando acordava para segurar a fome, porque eu acordava 3h da madrugada e só chegava no treino às 8h. Depois, ia direto para a escola, e só almoçava às 14h. Chegava em casa às 19h e só tinha tempo de lavar a roupa para o dia seguinte e ia dormir.

– Meu pai era pescador, às vezes conseguia bastante peixe, às vezes não conseguia nem para o almoço. Ele nunca desistiu, nem ele nem minha mãe. Já enfrentamos muitas dificuldades. No Remo, eu ganhava R$ 10,00 para jogar. No Pará, com R$ 10,00 eu pago uma passagem e compro uma coxinha.

Apesar das dificuldades, Pimentinha nunca desistiu do futebol. Ao se inspirar nas jogadoras Formiga e Renata Costa, a atleta sempre acreditou que conseguiria superar as adversidade e realizar os seus sonhos. Ao relembrar sua trajetória, a jogadora aconselha meninas que tem o mesmo sonho a não desistirem.

– O futebol sempre foi um sonho para mim. Eu via o futebol como uma ponte para conquistar outros objetivos. As coisas são muito difíceis, você vai pensar em desistir. Não vai ser uma, nem duas, nem três vezes. Mas confia, trabalha, tenha determinação. Desistir não é o melhor caminho. Quanto mais você cai, mais forte você levanta.

O Vasco entra em campo nesta terça-feira contra o América, às 15h, em partida pela 8ª rodada do Campeonato Carioca Feminino.

Fonte: Globo Esporte

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