Fluminense vai à Justiça por lado direito do Maracanã na final da TG

O Fluminense acusa o Vasco da Gama e o Consórcio que administra o Maracanã de burlar o contrato existente a favor deles.

No mesmo dia em que o Vasco anunciou que sua torcida ficará no setor Sul do Maracanã - à direita das cabines de rádio - na final da Taça Guanabara, Pedro Abad se posicionou sobre o assunto. O presidente do Fluminense acusou o rival de domingo de tentar burlar o contrato do Tricolor com o estádio e prometeu ir à Justiça para fazer valer o direito do clube.

Abad, em entrevista ao GloboEsporte.com, chamou de "absurdo" o anúncio feito pelo Vasco e afirmou que o Fluminense vai "até as últimas consequências". Aliás, revelou que não recebeu um representante do Cruz-Maltino que foi às Laranjeiras nesta sexta-feira para combinar a venda de ingressos. O jogo acontece no próximo domingo, às 17h.

- O Fluminense vai até o último recurso judicial para impedir isso. Inclusive com responsabilização ao Maracanã e ao Vasco. Isso gera uma confusão enorme inclusive com risco de encontro de torcedores no mesmo setor do estádio. O Vasco será responsável se houver alguma confusão - disse o presidente, para completar:

- Outras vezes, essa discussão aconteceu e foi respeitado o contrato. Agora, por motivos que a gente não sabe, o Maracanã quer descumprir atendendo a uma posição do Vasco. O Vasco também sabe do contrato e quer burlar o contrato.

Nesta sexta-feira, em reunião na Ferj, o mando de campo do clássico foi sorteado. Ganhou o Vasco. Abad revelou ter comparecido ao encontro e logo depois ter ido ao Maracanã.

O debate sobre o lado da torcida vem desde 2013, quando o Maracanã foi reaberto após obras para a Copa. O Fluminense fez um acordo com a administração do estádio e passou a alocar sua torcida no Setor Sul. O Vasco alega que o local é usado tradicionalmente pelo clube desde a inauguração do Maracanã, em 1950.

Veja o que disse Pedro Abad, em entrevista ao GloboEsporte.com:

- Começaram a aparecer mensagens no Twitter desconectadas da realidade, informando que o Vasco iria vender ingressos para a sua torcida no setor Sul. Eu me surpreendi. Pessoalmente, notifiquei o Maracanã. Fui até lá. Entreguei pessoalmente a notificação ao Amilcar Barbosa, o substituto do Mauro Darzé, presidente do Consórcio. Dizendo que o Fluminense tem um contrato que determina que qualquer time que enfrente o Fluminense como mandante lá tem de respeitar o lado da torcida.

- Eu liguei ainda ao Darzé e comuniquei isso. Aliás, não é só o contrato. É uma decisão judicial, a liminar dada no processo que discute o contrato. Ela determinou que o aditivo quatro rege a relação. Há uma cláusula que diz que o Fluminense, mesmo como visitante, tem o direito de ter o seu torcedor no Setor Sul. Isso tem de ser cumprido.

- O Maracanã está descumprindo uma determinação deliberadamente. Existe uma alegação deles de que não cabe ao estádio regular isso. Mas a questão está no contrato. É um absurdo.

- O Maracanã diz que não vai interferir, afinal, o mando é do Vasco e a decisão seria do Vasco. Coloquei claramente que não é assim. Ninguém pode fazer o que quiser. Não se pode ter contrato entre Maracanã e Vasco que tire o torcedor do Fluminense do Setor Sul.
- Houve a reunião de praxe de véspera de jogo na Ferj hoje e se sorteou o mando de campo. O presidente do Vasco não compareceu. Saí de lá e fui diretamente ao Maracanã para fazer a notificação. O regulamento não fala nada sobre o lado da torcida. O Vasco tem direito de escolher o campo que ele quiser jogar. E cabe ao Maracanã impedir que o Vasco faça a venda de ingressos do setor que cabe ao Fluminense.

- O Vasco pode mandar o jogo em outros estádios ou pegar o Setor Norte do Maracanã. O que não pode é desrespeitar o contrato do Fluminense. O Vasco tenta forçar isso. Nós vamos brigar judicialmente quanto a isso e será uma briga ferrada. Até as últimas consequências.
- Estamos elaborando a situação de ir à Justiça. Hoje veio um representante do Vasco aqui em Laranjeiras para montar a venda de ingressos. Não permitimos. Não vamos permitir que seja assim. O Fluminense não aceita. A ação judicial visa impedir que o nosso contrato com o Maracanã seja descumprido.

Após a publicação desta reportagem, o Fluminense divulgou uma nota oficial sobre o assunto:

O Fluminense Football Club notificou o Complexo Maracanã Entretenimento (CME), na manhã desta sexta-feira (15/02), para que cumpra o contrato prévio existente entre as partes, que garante o uso do Setor Sul pela torcida tricolor. Em documento enviado ao CME, o Flu alerta para as consequências do descumprimento do Termo Aditivo ao Contrato – em pleno vigor por força de decisão judicial, em caráter liminar, proferida pelo Desembargador Eduardo Gusmão Alves de Brito Neto nos autos do Agravo de Instrumento nº 0015955-76.2017.8.19.0000 – e solicita que seja estabelecido o posicionamento de sua torcida no Setor Sul do Estádio Mario Filho na partida contra o Club de Regatas Vasco da Gama, a ser realizada no próximo domingo (17/02), válida pela final da Taça Guanabara, do Campeonato Estadual de Futebol Profissional do Rio de Janeiro.

O CRVG também foi notificado. Desde 2013, no novo modelo do Maracanã, foram nove confrontos entre as equipes no estádio, independente do mandante, todos com os tricolores no Setor Sul. O Fluminense vai lutar para ter seus direitos mantidos, inclusive, indo à Justiça para garanti-los, e espera que Mauro Darzé, em nome do Consórcio Maracanã, se manifeste em relação ao possível não cumprimento do contrato.

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