Família relembra gols de Thalles contra o Goiás na Copa do Brasil de 2013

Familiares do saudoso atacante do Vasco da Gama, Thalles, relembraram gols dele contra o Goiás na Copa do Brasil de 2013.

Cruzamento da direita, domínio no peito com estilo, chute seco para estufar a rede. Condução pelo meio, finalização de fora da área e golaço. Foi em uma noite de Vasco x Goiás, pela Copa do Brasil, que Thalles fez seus primeiros gols na carreira. Uma trajetória promissora, com altos e baixos, que foi interrompida de forma precoce por um fatal acidente automobilístico. No dia em que Vasco e Goiás voltam a se enfrentar pela Copa do Brasil, a família de Thalles abriu as portas de seu apartamento, em Niterói, para lembrar a memória do atacante.

Por todos os cantos, é possível sentir o quão especial ele era para a família. Pela estante, fotos, lembranças e homenagens. Ao longo do corredor, pôsteres do título que conquistou com a camisa do Vasco. Na parede da sala, a camisa usada na noite em que fez seus primeiros gols na carreira. Emocionado ao falar do filho, Seu Ubiracy lembrou da noite em que Thalles apareceu para o mundo do futebol. Enquanto ele via o filme brilhar pela televisão, a mãe, Dona Guiomar, tentava chegar ao Maracanã.

– Elas estavam no engarrafamento e o jogo já estava começando. Só que eu estava vendo aqui em casa. Aí liguei para ela quando ele fez o primeiro gol e disse: ‘Guiomar, ele fez o primeiro. Primeiro gol dele'. E ela: ‘Ainda estou aqui no engarrafamento, não consegui entrar no Maracanã'. Logo depois, ele fez o segundo e liguei de novo: ‘Olha, ele já fez mais um'. E ela: ‘Estou chegando aqui, já na porta'. Ainda quase fez o terceiro. Se tivesse feito, o Vasco teria se classificado. Chorei muito, era o primeiro jogo dele como titular, minha mãe me ligando – recordou Ubiracy.

Desde pequeno, Thalles já demonstrava sua paixão pelo futebol. Quando criança, muitas vezes deixava de ir à aula para jogar bola com os amigos. A família fazia sua parte, mas o relacionamento de Thalles com o futebol falava mais forte. Apesar do esforço dos pais e do rigor para que mantivesse o foco nos estudos, o menino não conseguia se separar da bola, sua melhor amiga. Foi assim que chamou a atenção do Vasco da Gama, que lhe ofereceu a chance de realizar um sonho de infância.

De sangue cruzmaltino, o atacante nasceu em uma família cheia de vascaínos. Isso afastou qualquer possibilidade dele defender qualquer outro clube do Rio de Janeiro. Se fosse para ser jogador, que fosse com a camisa do Vasco.

– Minha família toda é vascaína. Meu pai era vascaíno fanático, minha mãe também, meus irmãos. Dava (orgulho), porque quando ele começou veio gente do Botafogo, do Flamengo, queriam dar carro, pagar táxi para levar o Thalles. E ele: ‘Não, quero Vasco. Sou vascaíno. Pai, um dia o Vasco vai chegar até a mim'. Aí foi e aconteceu, dele ser chamado e jogar no Vasco – contou o pai.

O talento de Thalles o fez chegar até mesmo à Seleção Brasileira nas categorias de base. Com a Amarelinha, o atacante foi campeão do Torneio de Toulon, na França, e do Torneio de Cotif, na Espanha. As camisas utilizadas por ele nessas competições também ganharam espaço na decoração do apartamento em Niterói, comprado pelo próprio Thalles como presente aos pais. Para homenagear o atacante, a CBF entregou à família um uniforme atual da Seleção Brasileira, com nome e número de Thalles.

Muito mais do que os gols e as grandes jogadas, que ficam na memória de torcedores e familiares, Thalles deixou um legado muito maior para quem o conheceu: o amor com o que lidava com todas as pessoas. Diamante bruto, de coração grande e jeito calado, o atacante não pensava duas vezes antes de estender a mão ao próximo. E isso é o que realmente enche Dona Guiomar de orgulho.

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Thalles comemorando gol

– Eu, como mãe, só vejo pessoas daqui falando bem do Thalles. Não vejo ninguém falar alguma coisa de mal dele. Nem alguém chegando para mim e falando, não vejo. Fico muito grata. Claro que a gente sofre muito pela perda dele. Mas também tem muitas coisas boas que a gente vê falando as pessoas falando dele, isso nos alegra muito, graças a Deus. Sei que é difícil, meu filho significava tudo, tudo para mim. Eu era apaixonada pelo meu filho. Isso aí não tenho dúvidas. Meu filho era tudo para mim. Não tenho o que falar dele – desabafou Guiomar.

Thalles faleceu em junho de 2019, aos 24 anos de idade, para imensa saudade de seus pais, Ubiracy e Guiomar, de seus filhos, Thaylon, Emilly, Lívia e Pedro, de 5, 4, 3 e 2 anos de idade, respectivamente. Sua memória será sempre de um menino humilde, capaz de ajudar e de fazer tanta gente feliz, como foi na noite daquele Vasco e Goiás pela Copa do Brasil.

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