Empate com o Defensa Y Justicia retrata o que o Vasco tem de virtudes e defeitos

O Vasco da Gama mostrou algumas virtudes no empate contra o Defensa y Justicia, mas tem alguns desafios a superar.

França Fernandes
Por França Fernandes
-  27 de novembro de 2020 às 10:48-  Atualizada em 27 de novembro de 2020 às 10:48
Gustavo Torres em ação contra o Defensa y Justicia
Gustavo Torres em ação contra o Defensa y Justicia (Foto: Conmebol/Divulgação)
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Em sua tentativa de evoluir no sistema de jogo de Ricardo Sá Pinto, o Vasco, ontem dirigido por Alexandre Grasseli, tem alguns desafios. É fundamental que a linha de cinco defensores se mostre segura, e isto o time tem conseguido na maior parte dos jogos. É também preciso que a transição para o ataque, com o avanço dos alas, aconteça com mais frequência e de forma mais coordenada, como no gol de Cano. E é preciso que o time consiga fazer o jogo acontecer por menos tempo ao redor de sua área, para reduzir a probabilidade de gols como o sofrido ontem. O 1 a 1 em Buenos Aires, contra o Defensa Y Justicia, retratou tudo o que o Vasco atual tem de virtudes e de defeitos.

Seria natural que um jogo na capital argentina acontecesse sob impacto da comoção causada pela morte de Maradona. Além da homenagem dos donos da casa na arquibancada, o vascaíno Cano dedicou seu gol a Maradona: “É para você, Diego”, disse ele, ao correr para as câmeras.

Com o resultado, o Vasco passará às quartas de final da Copa Sul-Americana caso empate sem gols na partida de volta, em São Januário, na próxima quinta-feira.

O primeiro tempo teve pouca ação nas áreas. O Vasco tinha dificuldade de sair de trás e o Defensa Y Justicia, sempre que encontrava a defesa vascaína posicionada, acumulava posse de bola mas tinha pouca penetração. O curioso foi que, mesmo num primeiro tempo em que passou quase 45 minutos sem agredir, o Vasco teve a melhor chance, numa escapada de Gustavo Torres que parou no goleiro Unsain.

Embora se cobre que o Vasco tente construir um pouco mais de jogadas – e os desfalques por Covid, que na Argentina incluíam Sá Pinto e seu auxiliar direto, devem ser pesados -, o time tropeçou nas tentativas que fez de sair jogando com toques curtos no primeiro tempo. Em três bolas perdidas, duas delas no campo defensivo, deu ao Defensa Y Justicia as melhores sensações de gol. Os lances terminaram em gols anulados dos argentinos, todos eles corretamente.

O outro susto que o Vasco tomou veio do lateral Léo Matos, que duas vezes seguidas levou o braço ao rosto de um adversário. Acertou apenas a primeira tentativa, mas o VAR não recomendou a expulsão após uma revisão da jogada.

Para o segundo tempo, Grasseli tentou inverter os lados de Torres e Yago Pikachu, que não dava alternativas de contragolpe. Mas o Vasco mostrou que é com a projeção de seus alas e saídas rápidas de trás que consegue agredir os adversários. A jogada do gol, aliás, começa em belo passe de Miranda para Léo Matos, autor do cruzamento para a bonita finalização de Cano.

O jogo parecia à feição e Grasseli tirou Pikachu e colocou Carlinhos. A questão do escape para os contra-ataques através dos pontas não melhorou, nem mesmo quando Lucas Santos substituiu Gustavo Torres. Embora o Vasco parecesse seguro atrás, por ser um time que se defende bem, o jogo passou a acontecer todo ele ao redor da área defendida por Lucão, que começou a aparecer demais no jogo. Tanto é verdade que os vascaínos terminaram o jogo com apenas três finalizações.

Lucão fez uma defesa de reflexo após um córner e, em seguida, defendeu com dificuldade uma cabeçada de Martínez. Ele não pode fazer nada após o chute de Braian Romero, que empatou a 12 minutos do final. O lance teve uma curiosidade: foi dos raros momentos em que o Vasco caiu numa armadilha do Defensa. Miranda, vital ao iniciar a jogada do gol de Cano, foi atraído pelo atacante Hachen, que acabara de entrar, e deixou a linha defensiva ao persegui-lo. Foi no espaço criado entre Castán e Léo Matos que Romero penetrou e arrematou.

Fonte: Agência O Globo

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