Éder Luís relembra título da Copa do Brasil de 2011 e destaca Ricardo Gomes

O atacante Éder Luís relembrou o título da Copa do Brasil pelo Vasco em 2011 e disse que Ricardo Gomes foi a grande estrela.

Na última reportagem da série especial “Vasco do Brasil: 9 anos”, conversamos com Éder Luís, autor do gol que garantiu a conquista inédita do Gigante da Colina. O atacante empatou para o Cruz-Maltino, aos 12 minutos do segundo tempo, mas o Coritiba voltou a liderar o placar, 8 minutos depois, com Willian Farias.

Apesar da grande pressão, o vascaíno comemorou após o apito final, soltando o grito de campeão, alegria que completa na noite desta segunda-feira, 9 anos. Dos 20 gols marcados na campanha vascaína, aquele foi o segundo marcado por Éder Luís, que o classifica como o mais importante da carreira.

— Sem dúvida, não só é o mais importante, mas quando é de título, é diferente. Pode ser o mais simples, mas ele se torna o mais importante. Sem dúvida é o mais importante porque o Vasco vinha de um jejum muito grande de títulos. Então se torna um título muito mais importante.

Além do gol, Éder Luis também foi o responsável pela assistência para Alecsandro, que abriu o placar na decisão, que terminou em 3 a 2 para o Coritiba. Apesar do grande destaque, o atacante não se considera o herói do título. Para ele, o grande responsável pela conquista estava à beira do campo.

— Com toda sinceridade, pode ser muita humildade, mas vou pegar do mais velho que era o Felipe, e o mais novo, que era o Allan ou Romulo. Todos foram importantes. Quem estava lá, sabe do que eu estou falando. Não vencemos por acaso. A união era muito grande. A gente tinha prazer de estar no vestiário, de treinar, de jogar. Então quando se tem isso, não tem o individual, mas sim o grupo, mas principalmente, o Ricardo Gomes. Se for falar de uma estrela, um responsável por essa conquista, para mim, foi o Ricardo — disse Éder Luís, que ressaltou.

— No momento que ele chegou, vínhamos muito mal. Ele foi um cara muito inteligente, respeitador, que conseguiu unir o grupo de tal forma, que a gente conseguiu vencer jogos difíceis. Para mim, sem dúvida, a grande estrela foi o Ricardo Gomes. Ele foi o diferencial.

Tranquilidade, confiança…

Por ter vencido em São Januário por 1 a 0 – gol de Alecsandro em assistência de Allan – o Vasco chegou ao Couto Pereira com a vantagem do empate, podendo até perder por um gol de diferença, desde que marque na casa do adversário. O Cruz-Maltino abriu o placar com o próprio Alecgol – artilheiro da competição com 5 gols – mas o Coritiba virou ainda no primeiro tempo, aumentando ainda mais a pressão que seria a etapa final.

No vestiário vascaíno, em vez de preocupação por se tratar de uma final, toda serenidade de um comandante que sabia muito bem para onde iria conduzir a nau Cruz-Maltina. Palavras que acalmam e confortam foram fundamentais para o título do Vasco, como nos conta Éder Luís.

— Quando descemos para o vestiário com 2 a 1 contra nós, muitos treinadores poderiam ter perdido a cabeça e teriam colocado ainda mais pressão pelo tempo de jejum de títulos e tal. O Ricardo Gomes simplesmente pediu “calma”. A palavra dele foi “calma” e depois foi “não tem nada perdido”. Pronto. Chegamos no vestiário cansados, tensos, mas não preocupados. Pois quando ele disse, “calma, vamos vencer”, ali foi o diferencial, ninguém falou mais nada e voltamos para dentro de campo para sermos campeões.

… Emoção

Mesmo com toda a tranquilidade passada por Ricardo Gomes, a etapa final foi marcada por grandes emoções, principalmente para o torcedor vascaíno, que roeu as unhas desde o golaço de Willian Farias até o apito final de Sálvio Spínola, tempo que durou 29 minutos. Éder Luís comentou o nervosismo de Felipe e Diego Souza, que na ocasião, ao serem substituídos, não viram o jogo no banco de reservas.

— O Felipe e o Diego Souza, do lado de fora, não podem fazer mais nada. Então o nervosismo é normal e estávamos perto de uma conquista.Você imagina o que estava passando pela cabeça do Felipe. Estar marcando de novo o nome na história do Vasco. Ele é um dos personagens, que até hoje no futebol, é o diferente, tanto tecnicamente, como pessoa e vencedor. O Felipe tem todas essas características — revelou Éder, que também fez elogios ao Coritiba.

— Para quem está dentro e para quem está fora de campo, é totalmente diferente. Dentro você tenta controlar o que acontece. Realmente foi um jogo muito difícil. O Coritiba valorizou muito o nosso título, porque se eles tivessem vencido, seria também merecido. Eles tinham uma equipe muito qualificada, muito competente.

Éder Luís quando atuava pelo Vasco

Tabelando com Éder Luís

Muitos consideram que o goleiro Edson Bastos “frangou” no seu gol na decisão da Copa do Brasil. O que você tem a dizer sobre isso?

— Ter sido frango, até hoje o pensamento é esse. Eu peguei bem na bola e para quem vê de trás, a bola toma uma direção e vai para outra. Eu acredito sim que ele se precipitou, mas a curva foi ao contrário. Realmente fica difícil até mesmo quando se recebe um passe e você sai para um outro lado. Não chega, o corpo está em outro movimento. Então a falha dele foi ter se precipitado. Foi um jogo que era para sermos campeões mesmo, porque realmente era uma bola que poderia ser defendida. O Coritiba acabou fazendo um gol, mas enfim. O título tinha que ser e foi nosso.

O Rodrigo Caetano destacou a classificação diante do Avaí como ponto-chave para o título. Você pensa da mesma forma?

— Realmente ali deu mais confiança para a equipe. A gente se comunicava sem se falar e isso foi sendo adquirido nos jogos. Contra o Avaí teve algumas declarações infelizes que nos fortaleceram no jogo na Ressacada. O jogo dentro de casa foi muito difícil, mas fomos para lá com o pensamento do que eles falaram e isso mexeu com o grupo de tão forma, que fomos para lá para fazer um grande jogo e se possível, fazer o maior número de gols. Se analisar, foi uma partida perfeita. Mostramos que queríamos ser campeão.

Após a sua última partida pelo Vasco, em 2017, no gramado de São Januário, você desabafou, demonstrando grande insatisfação com o técnico Milton Mendes por ter te utilizado como lateral em alguns treinos. Ficou alguma mágoa com o Vasco ou com ele?

— Para mim, o mais importante é a torcida. O clube se resume no torcedor. Eu fico feliz em retribuir o que o Vasco fez por mim e o torcedor tem um carinho por mim. O torcedor é eterno. Então eu não saí do clube com qualquer mágoa, apesar dos que estavam na época. Não me tiraram por conta da história que eu tinha. A verdade é essa. É triste porque ninguém espera passar pelo que eu passei. Mas o futebol segue, a vida segue. Confesso que não sei porque aconteceu, porque foram pessoas que eu jamais desrespeitei, seja com treino, indisciplina, nada. Enfim, são coisas que acontecem. A gente fica chateado, mas depois passa. Hoje quem está dando entrevista, falando de coisas grandes, sou eu e tem pessoas que não vão conseguir fazer isso. Eu fico feliz de ter marcado meu nome no Vasco e isso é o mais importante.

O Vasco é o clube com qual você se considera mais identificado?

— Quando se conquista algo e vivencia o clube, como eu vivi por 7 anos, isso marca. Mas eu também coloco os outros clubes que passei, como o Atlético-MG, que me revelou e me deu a oportunidade de poder vencer em outras equipes, como São Paulo, Benfica. Então é um clube que eu tenho um grande carinho. Mas o Vasco, sem dúvida, é o clube que quando falam do Éder Luís, é o Éder Luís do Vasco. Fico muito feliz por isso. Sem dúvido me identifico muito mais com o Vasco do que com os outros clubes.

O Vasco lhe deve algum dinheiro? Como você enxerga o momento que o clube está passando?

— A gente já resolveu todas as pendências. Sobre o momento difícil, a gente fica triste porque briga facilmente entre os quatros maiores clubes do país. Infelizmente existe uma pressão financeira muito grande. Isso acaba chegando nos jogadores e não é fácil.

Qual é o recado que você deixa para o torcedor vascaíno?

— Peço que o torcedor abrace os jogadores que estão lá. São eles que estão batalhando e lutando pelo clube, mas que também precisam do sustento da família. Fico na torcida e quem sabe eu volto para o Vascão. Não parei e se for da vontade de Deus uma volta para o clube, sem dúvida será um privilégio grande.

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