Confira detalhes da carreira de Thalles, morto em acidente

O atacante Thalles tinha tudo para ter uma boa carreira, mas a vida extracampo prejudicou o futuro do jogador do Vasco da Gama.

Uma joia. Uma promessa. Um atacante como poucos. Estas eram algumas das definições nos corredores de São Januário. Na seleção brasileira sub-20, Gabigol, hoje estrela do Flamengo, era seu banco. A estreia no profissional? Arrebatadora. Dois gols sobre o Goiás no Maracanã em 2013. Thalles, que morreu na manhã deste sábado (22) em um acidente de moto em São Gonçalo, tinha tudo para ter uma carreira fantástica, mas a vida extracampo acabou interrompendo essa guinada.

O Vasco até que tentou. Ciente de que o foco já não era mais o mesmo, fez de tudo. Até mesmo disponibilizou um "spa" para o jovem em 2017 com o aval do então técnico Milton Mendes.

Por três semanas, Thalles ficou "enclausurado" no hotel onde o Cruzmaltino se concentra sob a rígida vigilância de nutricionistas e fisiologistas. Somente familiares e a namorada tinham acesso a ele. As saídas eram somente para o treino. Tudo para pôr fim a outro de seus problemas: a balança.

A tática forçada até deu certo. O atacante perdeu 4kg e voltou motivado. Ganhou oportunidades, mas depois as coisas desandaram novamente.

A solução encontrada, então, foi emprestá-lo. De preferência para bem longe de tudo que o rodeava. Pintou, então, o Albirex Niigata, do Japão. Ficou por lá 2018 inteiro. Disputou 41 jogos e fez seis gols.

Retornou e queria muito voltar ao Vasco, mas o clube em que chegou aos 11 anos, já havia se cansado. Seu contrato com o Cruzmaltino se encerraria em dezembro deste ano, e a equipe de São Januário resolveu emprestá-lo para a Ponte Preta com o vínculo contendo o mesmo vencimento. Não deu tempo deste círculo se encerrar.

No auge, Vasco recebeu proposta de 8 mi de euros

Quando Thalles estourou, gigantes europeus passaram a monitorá-lo. Camisa 9 da seleção brasileira sub-20, ele foi motivo de uma proposta ao Vasco no valor de 8 milhões de euros de um clube turco. Não houve, porém, um entendimento e o Cruzmaltino também imaginava que o atacante fosse alçar voos mais altos.

Gigantes europeus o monitoravam e chegaram a sondá-lo, mas sem apresentar uma oferta concreta.

Vida extracampo preocupava treinadores

O estilo de vida extracampo de Thalles preocupava seus treinadores. Entre os que tinham maior cuidado com o jovem recentemente, estavam Milton Mendes e Jorginho, seu técnico tanto no Vasco quanto na Ponte Preta.

Natural de São Gonçalo (RJ), era por lá que o atacante costumava curtir seus momentos de lazer, mesmo tendo comprado uma confortável residência na praia de Itacoatiara, região nobre de Niterói (RJ), cidade vizinha.

As andanças de moto eram motivos de alerta por parte de pessoas do Vasco, principalmente Jorginho, que já havia pedido para que ele não fizesse isso.

Fã de pagode e funk, Thalles era figurinha carimbada nos bailes da região. A rotina noturna agitada comprometeu algumas vezes seu dia a dia de treinos no Vasco.

Responsável pelo acesso de 2016

Na dramática campanha da Série B de 2016, Thalles acabou se tornando protagonista na derradeira última rodada, onde o Vasco precisava da vitória para subir. Diante de um Maracanã lotado, o Cruzmaltino iniciou a partida perdendo, mas em uma tarde iluminada, ele fez dois gols, chorou e colocou seu clube de coração na elite do futebol brasileiro novamente.

Estudou no colégio Vasco da Gama

Thalles, assim como diversos jogadores como Philippe Coutinho, Alex Teixeira, entre outros, estudaram no colégio Vasco da Gama, que fica situado dentro de São Januário.

O atacante chegou em São Januário aos 11 anos de idade e teve uma trajetória marcada por muitos gols nas categorias de base. Principal nome da equipe campeã da Taça Belo Horizonte em 2013, subiu para o time principal no mesmo ano e não demorou muito para se firmar. Na temporada seguinte, em virtude do seu bom desempenho, foi convocado para a Seleção Brasileira sub-20.

Em cinco temporadas na equipe principal do Gigante da Colina, Thalles disputou 157 partidas, marcou 36 gols e conquistou quatro títulos: Campeonato Carioca 2015, Taça Guanabara 2016, Campeonato Carioca 2016 e Taça Rio 2017.

Com a morte, o atacante deixa quatro filhos.

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