Análise da atuação do Vasco contra o Fluminense

O Vasco da Gama fez um bom primeiro tempo no clássico, não consegue manter o ritmo, mas conseguiu virar o jogo e vencer.

Vai entender o futebol: o Vasco faz um ótimo primeiro tempo, pressiona, cria chances e vai para o vestiário perdendo por 1 a 0. Na etapa final, volta pior, perde forças para atacar e, de repente, empata e vira o jogo.

A virada do Vasco não pode ser dissociada das duas expulsões sofridas pelo Fluminense - a primeira, de Digão, quando o Tricolor vencia por 1 a 0, e a segunda, de Frazan, no lance que originou o segundo gol cruz-maltino. Mas, além do resultado simples, é possível ver evolução no desempenho coletivo do time de Vanderlei Luxemburgo.

Sem 10 nem 9; e precisa?

O esquema parece consolidado: é um 4-1-4-1 rígido. A destacar no trabalho do técnico o fato de se virar mesmo sem ter duas peças quase obrigatórias no futebol brasileiro: o camisa 10 centralizado que arma o jogo e o centroavante fazedor de gol.

Sem essas características, Luxemburgo montou um time dinâmico, com bom trabalho coletivo. A forma como o time pressionou a saída de bola do Fluminense foi exaustivamente treinada ao longo da semana. O técnico chegava a parar os treinos para posicionar os jogadores detalhadamente. Apostava que seria ali, numa transição errada tricolor, a forma de ganhar o jogo - sem precisar de um camisa 10.

Mas o camisa 9 ainda é necessário. E por isso o Vasco não saiu vitorioso do primeiro tempo. Valdivia até cumpriu bem o papel de falso nove, mas, na hora de finalizar, não só ele como o restante do time pecou. Ainda falta um predador a esse time - coisa que o Fluminense tem com Pedro, autor do 1 a 0.

O Vasco deveria ter mantido o ritmo no segundo tempo para alcançar o empate. Mas futebol não é ciência exata. O Fluminense voltou melhor, começou a segurar mais a bola e administrava o jogo, mesmo com a expulsão de Digão.

Aí veio a estrela de Luxemburgo. Colocou Bruno César, o camisa 10 que ele quer ver, na verdade, na ponta direita. E o meia foi decisivo nos dois gols, ambos de bola parada. Nada de pressão nem de criação: uma arma básica e bem explorada pelo atleta.

A lição que o Vasco tira desse jogo é de que é possível fazer um campeonato sem sustos com base no coletivo. Com o atual elenco, Luxemburgo administra da melhor maneira as lacunas do plantel. A chegada de um atacante é imperiosa para que o time consiga dar um salto de qualidade.

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