Campello critica individualismo do Flamengo: ‘Deveria se colocar de maneira coletiva’

O presidente do Vasco da Gama, Alexandre Campello, diz que o Flamengo deveria se colocar de maneira coletiva em algumas posições.

Alexandre Campello
Alexandre Campello (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Flamengo e Vasco se aproximaram fora de campo nos últimos meses e defenderam, juntos, várias bandeiras.

Entre elas, a volta dos treinos e jogos de futebol no Rio de Janeiro em junho, três meses após a paralisação pela pandemia de Covid-19, e a medida provisória que concedia os direitos de transmissão da partida ao clube mandante —o texto perdeu validade na semana passada.

Os esforços de união entre os rivais, porém, foram abalados no fim de setembro, quando o Flamengo decidiu insistir na volta do público aos estádios no Campeonato Brasileiro, em oposição aos outros 19 times da Série A naquele momento.

Na sequência, o clube rubro-negro, que vivia um surto de coronavírus no elenco, tentou suspender a realização de seu jogo contra o Palmeiras, contrariando o protocolo estabelecido pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Para o presidente do Vasco, Alexandre Campello, a postura rubro-negra nesses casos não contribuiu e irritou os demais dirigentes.

“O Flamengo, muitas vezes, se coloca numa posição de maneira individual quando deveria se colocar de maneira coletiva. Pensa em seus resultados, sem pensar na coletividade. Isso não constrói”, afirmou Campello em entrevista à Folha. “Sempre que isso acontecer e for contra o interesse do Vasco, vamos discordar e brigar.”

O vascaíno disse que cultiva um bom relacionamento com o presidente flamenguista, Rodolfo Landim: “Não acho que seja o presidente Landim, é uma filosofia do Flamengo. Eles têm desagradado muitos quando buscam soluções para si. Isso, como disse, tem irritado muito a maioria dos clubes, inclusive o Vasco.”

Campello atendeu a reportagem em sua sala, no estádio São Januário, no último dia 5, entre as derrotas da equipe cruz-maltina para Atlético-MG (4 a 1) e Bahia (3 a 0), que precederam a demissão do técnico Ramon Menezes e a contratação do português Ricardo Sá Pinto.

Antes de começar a entrevista, o presidente fez uma pausa para despachar com um colaborador do departamento de finanças do clube e definir quais os pagamentos deveriam ser realizados naquela tarde de segunda-feira. Um boleto, vencido desde 10 de setembro, o tirou do sério. O dirigente pediu mais atenção de seus funcionários para que o atraso não se repetisse.

Desde quando assumiu, em janeiro de 2018, o médico ortopedista é desafiado a sanar o passivo do clube. Para isso, terá de ser cirúrgico. O Vasco possui um endividamento líquido de quase R$ 640 milhões, ao mesmo tempo que enfrenta dificuldades para diversificar e ampliar suas receitas, de R$ 215 milhões em 2019.

Desse montante arrecadado, segundo balanço do ano passado, 55% são referentes aos contratos que cedem direitos de transmissão para emissoras de TV.

Campello continua sendo um dos entusiastas da chamada MP do Mandante, que caducou no último dia 16 sem tramitar no Congresso, e acredita que ela tenha deixado um legado para discussões sobre o tema.

“[A MP] conseguiu mostrar que os clubes passam a ter mais força na negociação quando quem tem o direito de transmitir é o mandante. Quando não tem, negocia numa condição de inferioridade. Mas a gente não viu o interesse de alguns pela tramitação”, disse o cruz-maltino.

O presidente da Câmara dos Deputados, o botafoguense Rodrigo Maia (DEM-RJ), se opôs ao texto desde o seu primeiro dia e questionou a urgência e a relevância do assunto, situações que o governo federal deveria levar em conta ao editar uma medida provisória.

“O presidente [Bolsonaro] fez o papel dele, assinou a medida provisória. Talvez tenham outros interesses que motivem a não colocação do projeto para votação. A gente sabe que tem o lobby daqui e ali, e nossos políticos são sensíveis à força”, afirmou Campello.

O Vasco tem contrato com a Globo até 2024 para a exibição de seus jogos do Campeonato Brasileiro em TV aberta, fechada (Sportv) e no PPV (Premiere).

A emissora carioca rescindiu, em julho deste ano, o acordo válido para o Estadual do Rio, pelo qual o Vasco receberia R$ 18 milhões anuais até 2022.

No dia 2 de julho, com a MP em vigor e anúncio no dia anterior da Globo sobre a rescisão, o Vasco transmitiu o duelo com o Madureira em suas redes sociais.

“Uma das coisas boas dessa medida provisória é que ela abriu janela de oportunidade. Primeiro para entender que [o clube] pode, sim, gerar conteúdo. Em relação ao rompimento [com a Globo], há uma tendência de se criar soluções no momento de dificuldade. A gente sempre fala que a falta de concorrência não é legal e, agora será possível testar outros mecanismos”, afirmou.

Os quatro grandes times cariocas tentam uma composição para oferecer os direitos do Estadual de 2021, segundo Campello. O plano é obter um percentual do lucro das emissoras ou canais de streaming com seus anunciantes.

Enquanto observa o Flamengo acumulando receita de R$ 950 milhões e conquistando títulos, o torcedor vascaíno divide suas aflições entre as finanças do clube e a perspectiva de uma recuperação no Brasileiro. Após um bom início com Ramon no comando, o time caiu para a 15ª posição e acumula quatro derrotas consecutivas. Nesta quarta (21), recebe o Corinthians em São Januário.

Campello tentará ser reeleito no pleito do próximo dia 7, sob o argumento de que precisa de mais três anos para sanar as finanças, investir na montagem de um time competitivo e concluir obras dos centros de treinamento em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio, para categorias de base e equipe feminina, e em Jacarepaguá, zona oeste da cidade, para o time profissional.

Desde a conquista do Campeonato Brasileiro de 2000, o Vasco já amargou três rebaixamentos à Série B e a sua melhor campanha foi o vice-campeonato em 2011.

“Assumimos em 2018, quando o Vasco já perdia com o valor da sua marca, acumulando dívidas e com uma gestão ultrapassada. O prejuízo da imagem não é só pelas campanhas ruins”, disse o cartola. “A imagem vinha sendo desgastada por uma série de problemas, pela relação com os veículos de comunicação, com o próprio torcedor e o sócio.”

Essa será a primeira eleição vascaína sem a presença de Eurico Miranda, morto em março de 2019, após 40 anos. O conhecido cartola chegou ao poder pela primeira vez como assessor especial do presidente Alberto Pires Ribeiro, em 1980, e desde 1967 tinha cargo na diretoria.

Fonte: Folha de S. Paulo

1 comentário
  • Esquemenosfrelbe da Silva - 22 de outubro de 2020

    É só comparar o momento dos dois clubes e ver que está se dando bem fazendo o que faz, o Flamengo se preocupa só com os interesses dele, e está se dando bem, acho que se cada clube se preocupa-se só com sigo, ao invés de se preocupar com os adversários fazem, seja ele quem for, se sairia melhor dentro e fora de campo, o Vasco não vai sair da situação que está, se preocupando com o que os outros fazem, se o Vasco não fizer pelo Vasco, duvido que algum outro clube fará ou se no mínimo se importará.

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