Antônio Lopes dá dicas para o Vasco montar time competitivo para a Série B

Antônio Lopes afirmou que é preciso fazer uma mescla entre jogadores novos e experientes para montar um time competitivo.

França Fernandes
Por França Fernandes
-  3 de março de 2021 às 13:18-  Atualizada em 3 de março de 2021 às 13:18
Antônio Lopes
Antônio Lopes (Foto: Vítor Silva/Divulgação)
data-full-width-responsive="true"

Rebaixados à Série B, Botafogo e Vasco iniciam o Carioca nesta quarta-feira já com a cabeça na luta pelo acesso nacional. Qualquer minuto em campo neste início de temporada será avaliado pelas comissões técnicas, que buscam uma fórmula para voltar à elite: o Botafogo recebe o Boavista às 18h, no Nilton Santos, e o Vasco tem pela frente a Portuguesa, às 21h, em São Januário. Enquanto o alvinegro terá boa parte do time considerado titular, o cruz-maltino usará o início para testar jovens.

A Série B de 2021 terá uma inédita competitividade com cinco campeões nacionais: Cruzeiro, Coritiba, Guarani e a dupla carioca. Um cenário que não dá margem para erros em campo, muito menos na montagem do elenco. Em crise financeira, ambos terão que usar a criatividade para montar o time ideal. Se a base é um ponto de apoio em um cenário de reformulação, os números mostram que só juventude não é garantia de acesso. Na Série B de 2020, por exemplo, a campeã Chapecoense terminou a temporada com média de idade de 24,5 em seu elenco, semelhante às das outras equipes que subiram — a equipe mais velha que subiu era o América-MG (26,47). O Cruzeiro, que apostou fortemente nos jovens (terminou o ano com média de 23,9), ficou longe do acesso.

— Você pode fazer uma mescla. Uns 60% de jogadores experientes e 40% de bons jogadores que você tenha na base — afirma Antônio Lopes, que era o gerente de futebol do Botafogo em 2015, na queda anterior do clube à Série B.

As contas fazem sentido ao se analisar a Chape de 2020: apesar da média de idade baixa, os jogadores que terminaram a campanha com mais jogos foram os mais experientes, como o goleiro João Ricardo (32 anos), o lateral Alan Ruschel (31) e o atacante Anselmo Ramon (32).

Mas a fórmula — se é que há uma — para ter sucesso na segundona não é tão simples. A montagem do elenco, explica Lopes, deve ser baseada em jogadores experientes na competição, que conheçam o estilo de jogo da principal divisão de acesso à elite.

— É diferente de montar um time de Série A. A Série B requer time muito competitivo, com jogadores que, de preferência, já tenham jogado a competição. O mesmo para a comissão técnica, o treinador. Tem que ter quem chegue junto, dê porrada. Não pode ser um time que joga só com categoria, técnica.

Força e velocidade

O perfil da competição é fator importante na escolha do elenco. Alex Brasil, executivo de futebol da Ponte Preta na última segundona, aponta duas características a se observar nos contratados:

— A Série B é uma competição muito diferente da A, assim como é diferente da C. Antes da parceria com o Bragantino, o Red Bull Brasil trouxe jogadores da Série A para jogar a D, e a coisa não andou. Na B, o fundamental é ter jogadores de força e velocidade. Não adianta ser só técnico, é uma competição muito disputada na força.

Brasil ressalta as boas oportunidades de contratar, por empréstimo, atletas de clubes da Série A que precisem de tempo de jogo, se possível envolvendo o pagamento de salários no período, mantendo as finanças em dia.

— Sem grandes recursos, a única maneira é manter uma “espinha” que tenha, pelo menos um goleiro, um zagueiro, um meia e um atacante, e complementar com jogadores desconhecidos que querem vencer. Além de valorizar a base.

Em campo, os grandes do Rio precisarão voltar a se adaptar à realidade da segundona : as longas viagens. Garantir pontos fora de casa, deve ser vital.

— É importante fazer um planejamento sabendo que a logística é importante. Você vai jogar em lugares que não são fáceis — diz Antônio Lopes.

Na última temporada, o CSA foi o único entre os quatro melhores mandantes que não conseguiu subir. A quarta vaga ficou com o América-MG, melhor visitante do campeonato, com nove vitórias e oito empates em 19 jogos.

Caras novas

Sob o comando de Marcelo Chamusca, contratado após a queda, o Botafogo vai usar o Estadual como uma espécie de pré-temporada. Por isso, o time principal praticamente não teve descanso — nas rodadas finais do Brasileiro, os mais jovens jogaram. Por isso, o Botafogo terá seus principais atletas hoje. Chamusca também poderá contar com caras novas, como o meia Pedro Castro e o atacante Ronald.

No Vasco, o técnico Marcelo Cabo foi apresentando ontem, mas quem estará no comando hoje é Diogo Siston, do sub-20, que vai dirigir um time cheio de jovens.

Fonte: O Globo Online

Leia Mais Sobre