André Ribeiro relembra passagem pelo Vasco

O zagueiro André Ribeiro, hoje no Persipura Jayapura, relembrou sua passagem pelo vasco da Gama e cita dívida do Clube.

Com passagens por Internacional, Grêmio e Vasco, o zagueiro André Ribeiro, atualmente com 31 anos, está tendo sua primeira oportunidade fora do Brasil. No momento, o jogador defende o Persipura Jayapura, da Indonésia. Em entrevista ao Esporte 24 Horas, o atleta contou como surgiu a possibilidade de jogar no futebol indonésio, onde a modalidade não tem tanta repercussão.

"Recentemente conversei com o meu empresário e disse que gostaria de atuar fora do Brasil. Antes de acertar com o Persipura, recebei boas propostas para seguir jogando no Brasil, mas tinha a sensação de que algo melhor iria aparecer no momento certo. No começo de dezembro do ano passado, uma equipe aqui da Indonésia demonstrou interesse. Na época chegamos a fechar valores e todos os detalhes contratuais. Mas, na última hora, eles desistiram do acordo e fecharam com outro estrangeiro. Fiquei um pouco triste, porque já havia recusado propostas de algumas equipes no Brasil. Os estaduais estavam perto de começar e eu acabei perdendo uns dia de pré-temporada. Até que em janeiro, meu empresário me liga e diz: "Você quer ir pra Indonésia?". Eu respondi: "É claro que sim!". Dias depois o técnico Luciano Leandro, que tinha assumido o Persipura, entrou em contato comigo e tudo deu certo."

Expectativa

André Ribeiro falou sobre sua expectativa para a primeira temporada no futebol da Indonésia. O zagueiro mostrou otimismo e espera ajudar o clube a chegar aos seus objetivos.

"A expectativa é melhor possível nesta nova fase da minha carreira. Fiquei muito feliz por ser bem recebido aqui no Persipura. O clube é conhecido aqui por ser muito receptivo com os jogadores estrangeiros. Espero ter oportunidade, colher belos frutos e poder fazer o Persipura alcançar todos os seus objetivos nesta temporada."

Status

O atleta foi apresentado pelo clube com status de grande estrela brasileira. O jogador se disse surpreso com a recepção da torcida e a repercussão junto à mídia local.

"Fiquei muito surpreso com a recepção. Mas ainda é só o começo da minha trajetória no Persipura e tenho muito a apresentar ainda, e se Deus quiser, cada vez mais conquistar o carinho e admiração de todos no clube. Os torcedores esperam muito dos jogadores estrangeiros. É normal que a cobrança seja maior em cima de quem vem de fora por causa da técnica, habilidade e experiência. Então temos que nos doar ao máximo para atender às expectativas do clube."

Companheiro

Além de André Ribeiro, o Persipura Jayapura também contratou o meia Wallacer, ex-Criciúma. O defensor destacou que a cobrança dos dirigentes sobre os estrangeiros é muito grande e que os mesmos esperam resultados imediatos.

"Aqui na Indonésia, os dirigentes são bem claros quando investem na contratação de jogadores estrangeiros. Eles querem, de imediato, um retorno a curto prazo com boas atuações. Por isso, é um fator que preocupa a todos logo de cara. Até porque, todos os dias tem pelo menos uns 10 ou 15 jogadores de outros países se oferecendo para ocupar o seu lugar. Então temos que mostrar dentro de campo o porquê de estarmos aqui. Por outro lado, é um elemento que serve para não nos deixar acomodados no dia a dia."

Informações e adaptação

André afirmou não ter pensado duas vezes antes de aceitar o desafio de jogar na Indonésia. O atleta procurou se informar sobre o país antes de chegar e disse que a adaptação está sendo mais fácil do que ele imaginava.

"Não pensei duas vezes antes de aceitar esse desafio. Era o que eu mais desejava nos últimos anos, e quando chegou a oportunidade, já estava pronto para jogar no exterior. Pesquisei muito sobre a língua falada aqui, alimentação e assisti alguns vídeos de jogos do Persipura. A minha adaptação por aqui está sendo muito mais fácil do que eu esperava."

Outros mercados

Perguntado se o Persipura Jayapura será uma boa porta de entrada para conseguir uma oportunidade de atuar em países como Qatar, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Japão, China ou Coréia do Sul, onde as ligas são mais fortes tecnicamente e financeiramente, o defensor pontuou que uma transferência dependerá de como ele irá produzir na Indonésia. No entanto, o atleta frisou que não está pensado nisto no momento.

"Na verdade, vim para a Indonésia com o pensamento de fazer história aqui. Frutos maiores vão depender do que for produzido por aqui. É claro que pretendo buscar o melhor sempre. Mas, hoje, o melhor é aqui. Então estou 100% pensando só no Persipura."

Internacional e Grêmio

Em 2007, André Ribeiro surgiu como promessa do Internacional, formando dupla de zaga com Titi. No ano seguinte, defendeu o Grêmio, onde ficou por apenas uma temporada. O atleta explicou o motivo de não ter vingado nos gigantes do Rio Grande do Sul.

"Cheguei a ficar alguns anos no Internacional, mas era uma safra grande de jogadores bons. Analisando por outro lado, talvez 10% dos jogadores da minha geração, no Internacional e no Grêmio, conseguiram chegar ao time profissional ou tiveram longa carreira. Sempre fui muito tímido e isso talvez tenha atrapalhado um pouco a minha carreira."

Vasco

Após rodar por clubes de menor investimento do Rio Grande do Sul, o zagueiro chegou ao Vasco em 2013. Na época, desembarcou em São Januário como aposta para compor o elenco. O atleta recordou que o acerto com o Gigante da Colina aconteceu de forma muito rápida.

"Tudo aconteceu muito rápido. Um dia estava negociando com o Grêmio, mas as conversas não avançaram e fiquei sem clube. Dois dias depois, eu estava me apresentando no Vasco. Foi bom demais isso ter acontecido naquele momento. Mas, infelizmente, foi uma passagem curta."

Em 2013, por causa de problemas políticos, financeiros, troca de técnicos e elenco inchado, o Vasco viveu um momento complicado ao longo da temporada. André acredita que a confusão nos bastidores foi decisiva para segundo rebaixamento do clube em menos de cinco anos.

"Olha, tenho certeza que todos esses elementos atrapalharam o Vasco. Nesse período, tive a impressão de que o clima lá é sempre pesado. Todo o dia surgia um episódio nos bastidores e isso atrapalhava demais o ambiente."

O defensor disputou seis partidas pelo e fez um gol durante sua passagem pelo Cruz-Maltino. Nesse período, teve atuações seguras no Campeonato Carioca. No entanto, não conseguiu ter uma boa sequência de jogos. O atleta não consegue ter uma explicação para isso.

"Até hoje não tenho uma explicação para a minha saída do time. Eu perdi duas das seis partidas que fiz como titular. Pouco tempo depois, fui parar em um grupo de jogadores que treinavam em período diferente dos demais. Mais uma vez minha timidez me atrapalhou um pouco. Uma vez, em uma entrevista, o Dedé brincou dizendo que eu estava há meses ali e não sabia como era minha voz. Não posso falar algumas coisas abertamente em relação ao que acontecia lá no Vasco. A causa do meu afastamento tem só um responsável, mas prefiro parar esse assunto por aqui."

André Ribeiro revelou que o Vasco ainda lhe deve. O atleta contou que chegou a entrar na justiça contra o clube, ganhou a ação, mas até agora não recebeu. O atleta não poupou criticas e afirmou que os atrasos salariais foram constantes durante toda sua passagem por São Januário.

"O Vasco me deve, igual a muitos clubes do futebol brasileiro. Na verdade, o Vasco me deve desde o dia que cheguei no Rio de Janeiro. Lembro que cheguei no clube no dia 2 de janeiro e meu primeiro salário foi só no fim de abril. Foi assim durante todo o período em que fiquei no Vasco. Infelizmente, acabei optando em acionar o clube na justiça. Cheguei a ganhar a ação, mas até agora não vi a cor do dinheiro. Mas, às vezes, tenho a impressão de que o Vasco tem uma força nos bastidores, porque eles só pagam quando querem."

Dedé

No Vasco, André Ribeiro teve a oportunidade de formar dupla de zaga ao lado de Dedé, hoje considerado um dos melhores defensores do futebol brasileiro. O atleta rasgou elogios ao ex-companheiro e pontuou que o mesmo só não é reconhecido como um dos grandes zagueiros do futebol mundial, pois optou em fazer carreira no Brasil.

"Jogar ao lado do Dedé foi umas das melhores coisas da minha carreira. No Sul me chamavam de "Dedé do Sul". Tudo porque fazia gols e jogadas semelhantes às que o "Dedé de verdade" fazia no Vasco. O Dedé é uma excelente pessoa e um dos profissionais mais fantásticos que conheci no futebol. Ele não é reconhecido como um dos melhores do mundo porque preferiu não seguir carreira fora do Brasil. Para quem o acompanha no dia a dia, sabe que o Dedé é um zagueiro fora de série."

Pós-Vasco

Após passar pelo Vasco, o jogador rodou por clubes de menor investimento do futebol brasileiro. O atleta acredita que faltou a presença de um empresário forte nos bastidores para alavancar a sua carreira.

"Acredito que ter um empresário forte é a chave de tudo. Quando fui pro Vasco, estava sem empresário após rescindir contrato com o Roberto Assis Moreira. Até me arrependo desta decisão. Querendo ou não, conseguir chegar no Vasco, joguei como titular em um time que tinha Dedé, Renato Silva e Luan. Quando fui afastado pelo Vasco, pedi ao empresário que fez a negociação para me colocar em algum clube da Série A ou B. Mas isso não aconteceu e eu fiquei sete meses só treinando no Vasco. Quando meu contrato encerrou, achei que a passagem pelo Vasco iria me abrir portas no futebol brasileiro. Na época, queria um salário perto que eu recebia no Vasco, que era um bom valor para a época. Infelizmente o tempo passou e as coisas não aconteceram da forma como imaginei, até que surgiu a possibilidade de ir jogar no Grêmio Barueri. Pessoalmente falando, foi o pior ano da minha vida, porque minha mãe morreu naquele ano. Muitos empresários se colocaram à disposição querendo me agenciar e dizendo que eu era jogador de clube grande. Mas nada estava dando certo naquele momento da minha vida", disse, completando:

"Hoje, se você não tiver um empresário forte, não consegue chegar a um clube grande. Muitos empresários te colocam em clubes médios, esperam os 10% de comissão e depois somem. Isso é muito chato no futebol. Vejo muitos empresários fazendo campanha por aí. Até porque, com o fim dos estaduais, muitos jogadores ficaram desempregados. Às vezes me pergunto: "Será que eles estão preocupados com jogadores e suas famílias ou com 10% que deixarão de receber em uma futura negociação?". Se está preocupado mesmo com jogador, por que fica postando fotos, comprando carros, viajando, enquanto seu jogador está em casa desolado sem clube? Mas isso é o futebol."

Retorno

André Ribeiro tem contrato com o Persipura Jayapura até o final deste ano. O atleta confessou que não pretende retornar ao futebol brasileiro. O desejo do defensor é seguir no exterior e garantir um futuro tranquilo financeiramente.

"Meu vínculo vai até dezembro deste ano. Meu desejo é voltar ao Brasil só de férias. Quero jogar por anos pelo exterior e poder garantir futuro a minha família. Tenho muita lenha pra queimar ainda e quero aproveitar ao máximo", encerrou.

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