Anderson Barros fala sobre situação de Éder Luís no Vasco

O gerente de futebol do Vasco, Anderson Barros, afirmou que a intenção do Vasco é negociar o atacante Éder Luís.

O árbitro Sálvio Spinola encerrou o jogo aos 49 minutos e 48 segundos. Seu último apito no Estádio Couto Pereira naquele 8 de junho de 2011 levou a torcida vascaína ao delírio em todo o país e exorcizou alguns fantasmas. Depois de vários dissabores em algumas edições da Copa do Brasil, o Vasco, enfim, conquistava o torneio (apesar da derrota de 3 a 2 para o Coritiba na decisão). Hoje, seis anos após marcar o gol daquele título, Eder Luis tem futuro incerto na Colina e dificilmente voltará a atuar pelo Cruz-Maltino - a própria diretoria do clube admite que a prioridade é negociar o jogador.

Em janeiro, Eder Luis disputou torneio amistoso nos Estados Unidos e até marcou um golaço na vitória do Corinthians (4 a 1). Na derrota de 3 a 0 para o Fluminense, o primeiro jogo oficial na temporada, o atacante foi titular e, desde aquele clássico, nunca mais voltou a ser relacionado. Vale destacar que ele não sofreu nenhuma lesão séria em 2017 e vem treinando normalmente durante todo o ano com o elenco principal, ou seja, está apto para jogar. Mas ver Eder atuar de novo pelo Vasco é improvável. O gerente de futebol, Anderson Barros, falou sobre a intenção do clube.

- A prioridade é negociar o Eder Luis. Isso já foi deixado claro para ele e seu empresário. Há um respeito muito grande pelo jogador, que tem uma história no Vasco. Na época que Luís Fabiano foi inscrito no Estadual no lugar do Eder, por exemplo, eu conversei com ele. Se alguma proposta chegar, vamos conversar com todas as partes envolvidas e tudo será tratado com transparência, como sempre foi. Qualquer decisão sobre ele será tomada em conjunto - explicou o dirigente.

Em fevereiro, o Goiás tentou a contratação de Eder Luis, mas não chegou a um acordo com o Vasco - que à época ainda tinha Cristóvão Borges como treinador. O atacante está com 32 anos, tem 206 jogos pelo Cruz-Maltino e seu contrato se encerrará no fim de 2017. Ele chegou na Colina na metade de 2010, terminou o Brasileirão como artilheiro do time e foi eleito pela CBF para a seleção de bronze do campeonato. Em 2011, fazendo dobradinha com Allan ou Fagner, Eder jogou bem durante toda a temporada e contribuiu decisivamente para tornar o lado direito do campo um dos pontos fortes da equipe. Depois daquele ano, o atacante não conseguiu emplacar uma sequência de boas atuações com a camisa vascaína - vale lembrar que ele foi emprestado ao Al Nasr, dos Emirados Árabes, entre 2013 e 2015.
Voltando ao título da Copa do Brasil de 2011, que também é tema deste post, é preciso lembrar que o Vasco foi motivo de piada para os torcedores rivais no começo daquele ano. O time perdeu os quatro primeiros jogos da Taça Guanabara: Resende, Nova Iguaçu, Boavista e Flamengo. Ricardo Gomes entrou no lugar de PC Gusmão e a caravela vascaína começou a navegar por mares menos agitados. Brigar pelo primeiro turno era impossível, mas na Taça Rio a equipe foi até a decisão, fez jogo duro com o Flamengo, empatou sem gols e perdeu nos pênaltis. O Cruz-Maltino melhorava sensivelmente e avançava na Copa do Brasil, torneio que até então era sinônimo de fracasso para o clube.

O maior trauma foi o vice para o Flamengo em 2006. Mas eliminações para Remo, CSA, XV de Novembro-RS, Baraúnas e Gama também eram inesquecíveis. E esse fantasma passeou por São Januário já na segunda fase da Copa do Brasil de 2011. Após empate sem gols em Natal, o Vasco saiu perdendo para o ABC na Colina no primeiro tempo e precisava virar (na primeira fase, goleou o Comercial-MS por 6 a 1 e eliminou o jogo de volta). Com certa dose de drama, o Cruz-Maltino conseguiu a virada sobre o time potiguar com gols de Alecsandro e do reserva Bernardo na etapa final. A terceira fase foi tranquila: 3 a 0 sobre o Náutico em Recife e 0 a 0 no Rio.

Tranquilidade que passou longe nas quartas. Depois de um 2 a 2 em Curitiba, o Vasco jogava mal contra o Atlético-PR em São Januário. Tentava se garantir no fato de poder empatar sem gols para avançar. O castigo para a atuação apática veio aos 28 minutos do segundo tempo com o gol do Furacão. Parecia o fim. Mas aos 34 veio a prova de que o Cruz-Maltino não tinha só um time, mas também um elenco forte. Cruzamento de Fagner, cabeçada de Elton, e os reservas garantiram a vaga (1 a 1).

No jogo de ida da semifinal, também na Colina, a atuação vascaína mais uma vez não foi boa e o novamente o adversário abriu o placar. O empate veio nos acréscimos: de pênalti, Diego Souza decretou o 1 a 1 e minimizou a vantagem do Avaí. Em Florianópolis, o Cruz-Maltino se classificou de forma categórica - garantiu a vitória de 2 a 0 já na etapa inicial. Em São Januário, na primeira partida da final contra o Coritiba, poucas chances de gol e triunfo por 1 a 0, gol de Alecsandro.

Em Curitiba, logo no início do jogo de volta, Eder Luis avançou pela direita e cruzou para Alecsandro abrir o placar. Muita gente pensou que o título estava decidido, pois o Coritiba precisava marcar três gols. Mas o que veio a seguir foi uma das decisões mais emocionantes da história recente do futebol brasileiro. O Coxa virou ainda na etapa inicial. No segundo tempo, aos 12, Eder empatou. O Vasco só deixaria a taça escapar se levasse dois. Levou um aos 21 e foi muito pressionado até o apito final. A pressão era tão intensa que, no banco de reservas, os substituídos Diego Souza e Felipe nem olhavam para o campo. Mas a partida terminou 3 a 2 e, pela primeira vez, os vascaínos celebraram a conquista da Copa do Brasil.

A equipe titular do Vasco em grande parte do torneio foi a que iniciou o jogo em Curitiba: Fernando Prass; Allan, Dedé, Anderson Martins e Ramon; Rômulo, Eduardo Costa, Felipe e Diego Souza; Eder Luis e Alecsandro.

Eder Luis lembra com muito carinho da conquista da Copa do Brasil, do elenco vascaíno da época e da noite de 8 de junho de 2011 no Estádio Couto Pereira.

- Com certeza a chegada de Ricardo Gomes foi muito importante para o título. Fui para Curitiba pensando que seria o jogo da minha vida, o momento para eu fazer história no Vasco. Se eu assistir ao jogo hoje vou ficar nervoso. O gol marcou a minha história e sem dúvida é o mais importante da minha carreira. Quem faz gol em decisão será sempre lembrado. Todo lugar que eu vou os torcedores falam comigo sobre esse gol, dizem que o gol mudou a vida deles. O ponto principal para a conquista foi o elenco, que era muito forte. E o time era muito bom. Tínhamos prazer de estar juntos. Esse grupo ficou marcado. Pena que se desfez rápido. E não tem como esquecer do trem-bala, que virou símbolo e até hoje é lembrado - disse o atacante a este blogueiro em junho do ano passado, quando a coluna era hospedada no site "lance.com.br".

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