Amor de Pelé pelo Vasco o ajudou a chegar à Seleção

Pelé declarou recentemente seu amor pelo Vasco da Gama, Clube que o ajudou a chegar à Seleção e aparecer para o mundo.

Pelé fez uma declaração de amor ao Vasco dias atrás, dizendo que o clube cruzmaltino lhe deu a oportunidade de chegar à seleção e aparecer para o mundo. O depoimento chamou à atenção. Afinal, foi pelo Santos, onde jogou 18 anos consecutivos e clube que também declarou amor, que ele conquistou tudo, foi consagrado como o Rei do Futebol e visitou cinco dos seis continentes.

Não foi a primeira vez que Pelé declarou amor ao Vasco. Em 1967, quando ainda estava com 26 anos e em plena forma no Santos, chegou a falar que seu time de coração era o cruzmaltino. A declaração foi em entrevista para o Museu da Imagem e do Som.

“Sempre gostei do Vasco, tinha simpatia pelo Vasco. Gostei do Flamengo também porque minha família falava do Flamengo, mas o time de coração era o Vasco”, disse o camisa 10 santista.

Em 1977, ano em que se aposentou profissionalmente, voltou a falar do Vasco. Estava com 36 anos e deu o depoimento para o “Vox Populi”, programa exibido pela TV Cultura.

“O time do meu coração sempre foi o Vasco. Gosto muito do Vasco. Não tenho nada contra o Corinthians, mas não era [meu time]. O meu irmão [Zoca], quando a gente jogava botão, sempre pegava o Palmeiras, ele era palmeirense. Às vezes, eu jogava com o Corinthians, mas se tivesse que escolher [quem é o meu time de coração] escolheria Vasco”, disse Pelé.

Já em 1987 Eurico Miranda, vice-presidente do Vasco e homem forte na gestão de Antônio Soares Calçada, chamou Pelé para acompanhar a Copa Pelé, um torneio entre times de base. Foi uma forma de homenagear o Rei do Futebol.

“Este campo é muito especial para mim. Foi aqui que comecei, jogando num combinado Santos e Vasco. Fui muito bem recebido aqui”, disse, em frase reproduzida do "Jornal do Brasil", de 15 de agosto daquele ano.

Depois recebeu a faixa pelo título do Campeonato Carioca de 1987, conquistado cinco dias antes, e celebrou. “Meu Vasquinho foi campeão e fiquei muito feliz, mas nem por isso posso fechar os olhos para tanta desorganização e insegurança [no futebol]".

Depois, em 2007, deu uma entrevista para o canal de TV do “Diário Lance!” relembrando o combinado Santos/Vasco (leia mais abaixo) de 1957.

“Praticamente minha carreira começou com a camisa do Vasco. Para os mais jovens, que não se lembram, teve um combinado Santos e Vasco, em 1957, no Maracanã, e eu joguei com a camisa do Vasco. Foi o time que me abriu as portas para a seleção brasileira”, disse Pelé.

A equipe carioca também está nas lembranças de Pelé por motivos especiais. Foi contra o cruzmaltino que o Rei marcou o milésimo gol da carreira, em 19 de novembro de 1969. Até ganhou uma camisa do Vasco com o número 1.000 para desfilar pelo Maracanã.

A origem dessa relação de amor, no entanto, foi um clube mineiro, homônimo do carioca.

Vasco de Minas

Segundo duas biografias publicadas por Pelé, a primeira referência que teve sobre futebol foi aos quatro anos, quando acompanhava o pai, Dondinho, treinar e jogar pelo Vasco da Gama de São Lourenço, cidade de Minas Gerais, próxima de Três Corações, onde nasceu.

O time era idêntico à equipe carioca. Usava uma camisa preta com uma faixa branca diagonal branca e uma cruz vermelha na altura do coração.

O que encantava o garoto Pelé não era apenas as qualidades do pai, mas as defesas do goleiro Bilé. Admirava tanto o arqueiro, que gritava o nome dele nas arquibancadas e brincadeiras de rua.

Como não conseguia pronunciar direito, acaba chamando o jogador de Plé. Virou motivo de iada entre os companheiros de Dondinho, que passaram a chamar Edson de Pelé, assim como outros meninos. O apelido pegou até hoje...

Jogando pelo Vasco

Pelé estreou pelo Santos em 7 de setembro de 1956, com apenas 15 anos, em um partida contra o Corinthians Andreense, em Santo André. Ele fez um dos gols na goleada por 7 a 1.

Por ser muito novo, era reserva e utilizado mais em amistosos. Até 10 de junho de 1957, somava 30 jogos e 18 gols pelo Santos. Já era reconhecido como um jovem talentoso.

Surgiu então a oportunidade de jogar pelo Vasco. A equipe cruzmaltino acertou com o Santos a formação de um combinado, o Expresso Especial, para disputar o Torneio do Morumbi, criado pelo São Paulo para arrecadar fundos para a construção do estádio.

Os titulares do Vasco estavam em uma excursão pela Europa. Apenas Paulinho e Bellini tinham ficado no Brasil, acompanhados de um grupo de reservas.

Assim, Pelé vestiu a camisa do Vasco em 19 de junho de 1957, dia em que a equipe goleou o Belenenses, de Portugal, por 6 a 1. O Rei do Futebol marcou três vezes, no Maracanã. Voltou a usar o uniforme cruzmaltino contra o Dínamo Zagreb e Flamengo, também no Rio.

O combinado só usou a camisa do Santos no jogo contra o São Paulo, no Pacaembu. Tirando a goleada na estreia, todos os outros jogos terminaram 1 a 1. Pelé fez gol em todos.

Impressionado com o garoto, Sylvio Pirillo o convocou para defender a seleção brasileira pela primeira vez. O Brasil enfrentaria a Argentina em dois jogos pela Copa Roca.

Pelé começou no banco o primeiro, mas quando entrou marcou o tento de honra na derrota por 2 a 1, no Maracanã. Titular no Pacaembu, ele fez um na vitória por 2 a 0, que rendeu o título.

Pelé declarou que é vascaíno

Proposta vascaína

Muitos clubes tentaram contratar Pelé durante a passagem dele pelo Santos. As histórias mais famosos são as que a Juventus, da Itália, ofereceu verdadeiras fortunas.

Pelé sempre disse que não tinha interesse em jogar no exterior.

O interesse de clubes nacionais na contratação do Rei não é tão conhecido. Uma lenda diz que Wadih Helu, presidente do Corinthians por dez anos (1961-1971), tentou contratá-lo. Vale lembrar que o camisa 10 foi o maior algoz da equipe paulistana, acumulando 50 gols em 50 jogos.

O Vasco foi um dos poucos clubes que tentou oficialmente contratar Pelé. No início de 1965, cogitou pagar 100 milhões de cruzeiros ao Santos, uma quantia equivalente hoje a R$ 2 milhões, valor corrigido pela inflação. Não conseguiu.

Acabou ajudando que Pelé acelerando a desejada renovação contratual com o Santos, garantindo mais dois anos de vínculo com o “Peixe”, até o final de 1967.

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